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19/03/2014

FADO

A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, "destino", é a mesma palavra que deu origem às palavras fada, fadario, e "correr o fado".


Uma explicação popular para a origem do fado de Lisboa remete para os cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no Fado, teriam sido herdadas daqueles cantos.

O Fado encontra-se numa primeira fase, associado á marginalidade e transgressão, em ambientes frequentados por prostitutas, faias, marujos e marialvas. Muitas vezes surpreendidos na prisão, os seus atores, os cantadores, são descritos na figura do faia, tipo fadista, rufião de voz áspera e roufenha, ostentando tatuagens, hábil no manejo da navalha de ponta e mola, recorrendo á giria e ao calão. Esta associação ao fado ás esferas mais marginais da sociedade ditar-lhe-ia uma rejeição pela parte da intelectualidade portuguesa.

Fado ( foto Net )

Atestando a comunhão de espaços lúdicos entre a aristocracia boémia e os mais desfavorecidos da população lisboeta, a história do fado cristalizou em mito o episódio do envolvimento amoroso do Conde de Vimioso com Maria Severa Onofriana ( 1820-1846 ) , meretriz consagrada pelos seus dotes de cantadeira e que se transformará num dos grandes mitos da História do Fado. A evocação deste amor perpassará em muitos poemas cantados, e mesmo no cinema, no teatro, ou nas artes visuais, desde logo a partir do romance A Severa, de Júlio Dantas, publicado em 1901 e transportado para a grande tela em 1931, naquele que seria o primeiro filme sonoro português, dirigido por Leitão de Barros.

Também em eventos festivos ligados ao calendário popular da cidade de Lisboa o fado ganharia terreno. Apesar deste tipo de representação constituir um dos divertimentos célebres do carnaval lisboeta, de franca adesão popular e muitas vezes com um vincado carácter de intervenção, a regulamentação da censura em 1927 iria contribuir, de forma lenta mas irreversível, para a extinção deste tipo de espetáculo. O Teatro de Revista, género de teatro ligeiro tipicamente lisboeta nascido em 1851, cedo descobrirá as potencialidades do fado que, a partir de 1870 integra os seus quadros musicais, para ali se projetar junto de um público mais alargado.

No teatro de revista, com refrão e orquestrado, o fado será cantado quer por famosas atrizes, quer por fadistas de renome. Ficariam na história duas formas diferentes de abordar o fado: o Fado dançado e estelizado por Francis e o fado falado de João Vilaret. Figura central da história do fado, Herminia Silva consagrou-se nos palcos do teatro nas décadas de 30 e 40 do Século XX, somando os seus inconfundíveis dotes de cantadeira com os de atriz cómica e revisteira.

A guitarra, ao longo do século XIX, define-se na sua componente específica de acompanhamento do fado. 


Guitarra Portuguesa ( Net )

A partir das primeiras décadas do século XX o fado conhece uma gradual divulgação e consagração popular. Paralelamente, sedimentava-se a relação do Fado com os palcos teatrais, multiplicando-se as atuações de intérpretes de fado nos quadros musicais da Revista e das operetas.

O aparecimento das companhias de fadistas profissionais a partir da década de 30, veio permitir a promoção de espetáculos e a sua circulação pelos teatros de norte a sul do Pais, ou mesmo digressões internacionais. 

O Fado tem uma dimensão cada vez mais importante na vida cultural portuguesa e tem alcançado uma crescente projecção internacional.

A canção que deve a Amália os primeiros grandes esforços de internacionalização, em 27.11.2011, a Unesco declarou o Fado como Património Imaterial da Humanidade.


A partir de agora, o Fado não é apenas a canção de Portugal, a canção de Severa, Marceneiro, Amália, Carlos do Carmo, e de tantos outros que os seguiram, é um tesouro do mundo.

Um tesouro que fala de Portugal, da sua cultura, da sua lingua, dos seus poetas, mas também tem muito de universal nos sentimentos que evoca: a dor, o ciúme, a solidão, o amor.

O fado sente-se, não se compreende, nem se explica - Amália Rodrigues.


ZÉ ANTUNES

2014

“EM TERRA DE CEGOS, QUEM TEM OLHO É REI”


Que podemos fazer por nós próprios, tendo em conta que os propósitos políticos em causa, pouco ou nada projetam em nosso favor? Devíamos, talvez, aplicar a sabedoria dos nossos erros, para recriminar aqueles que nos conduziram à situação em que nos encontramos. Mas…recriminar quem? Gente importante? Os jornais publicam uma notícia sobre qualquer pessoa muito importante, que alegadamente fez qualquer coisa muito má.

O que acontece logo a seguir? Essa pessoa, que é muito importante, considera-se vítima de perseguição e recorre imediatamente aos seus Advogados, que são Juristas muito importantes e célebres no mundo da Justiça. Surgem depois outras figuras importantes, que vêm alertar para o vergonhoso desrespeito do chamado “segredo de justiça” em Portugal, que possibilita a atuação de “forças ocultas”. Iniciam-se então discussões, debates, denúncias, com requintes habilidosos de engenho e arte para justificar e reparar a difamação, o deserto de ideias, os projetos avulso para coisa nenhuma. Toda a gente tem opiniões firmes sobre o que é preciso mudar na legislação portuguesa para que estas coisas não aconteçam. Toda a gente conclui, “que não se pode mudar a quente a legislação portuguesa”. 

Então surgem outras pessoas importantes, que se sentam frente-a-frente no ecrã da televisão, à hora do jantar, para vomitar um “empadão” de palavras sem sentido. E a legislação portuguesa não chega a ser mudada para que estas coisas não aconteçam. As coisas voltam a acontecer! E os jornais publicam notícias sobre essa pessoa muito importante, dizendo que ainda fez coisas piores do que as muito más. Após um período suficientemente alargado de diligências (para que já ninguém se lembre do que se estava a investigar), a justiça finaliza as investigações e conclui que a pessoa muito importante, não fez nada de muito grave e que já prescreveu o que quer que tenha feito de muito mau.

Outras pessoas importantes, acusadas de outras maldades, vão para as suas luxuosas vivendas, ornamentados de pulseiras eletrónicas. E nós “Otários”, serenos e cobardes, lá nos vão conformando com esta rotina de mentiras, servida respeitosamente com ferrete obediente, escudados pelo discurso da culpa alheia e pela esquizofrenia do politicamente correto. Vivemos numa época, em que o que se diz ser é o que conta. Mas precisamos de enfrentar esse ardil e resistir à falácia. É que aos ricos, prescrevem os delitos e aos pobres, prescrevem os direitos! 


Cruz dos Santos

2014

DIA DOS PAIS

























Em Portugal, o dia do pai é comemorado a 19 de Março, seguindo a tradição da Igreja católica, que neste dia celebra São José, marido de Maria (a mãe de Jesus Cristo).


Evoca-se como origem dessa data a Babilônia, onde, há mais de 4 mil anos, um jovem chamado Ike Turner teria moldado em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai.

Na família houve várias manifestações alusivas a seus pais, aqui transcrevo o que recebi:

Bruno escreveu: "É ao meu Pai que eu devo tudo o que tenho, e tudo o que devagarinho conquistei na vida ... Por isso, feliz dia do Pai ao melhor Pai do meu Mundo.

Sofia Lopes escreveu: Saudades do meu pai! Era um pai maravilhoso. Se estivesse “ cá “ comprava-lhe um saco cheio de figos (era viciado!), escrevia-lhe um postal cheio de mimo e juntava um desenho da Bia! Ia amar!
Como todos os dias, envio-te montanhas de amor, beijos e muitas, muitas saudades!!! Feliz dia, meu querido “mocho“ (esta só os meus manos vão perceber).

"Feliz Dia do Pai a ti, que me fizeste querer e ser Mãe! Lindo é o brilho nos teus olhos quando olhas para a nossa menina a fazer as brincadeiras com que tanto adora fazer-nos sorrir! Parabéns pelo Pai que és! És maravilhoso!"

Zé Antunes : Pai, tantas coisas eu te queria dizer. Os dias passaram-se e não tive tempo, e até coragem, para dizer o quanto foste importante na minha vida e no meu dia a dia. Nos momentos de alegria, Tu estavas ao meu lado. Nos momentos de tristeza, ali estavas Tu. E hoje, neste dia, gostaria muito que estivesses ao meu lado. Palavras não são suficientes para expressar o quanto amor tive e tenho por Ti, e o quanto sou grato por tudo o que foste na minha vida. Feliz dia dos pais.

ZÉ ANTUNES
2014

17/03/2014

CAIS DO SODRÉ


O Mano e amigo Manel, naquela época de 1975, nos velhos tempos do PREC, vivia num apartamento, num prédio em Lisboa, Uma noite encontrou uns Vádios ( no bom sentido ) do Bairro Popular nº 2, seus amigos de Luanda, que o levaram a um jantar e depois seguiram todos alegres para o Cais do Sodré. 

Já a madrugada se apresentava, e o amigo Manel voltou para casa com uns copitos a mais de tanto festejar com os Amigos do Bairro. Ao chegar ao prédio tocou a campainha do primeiro andar e uma Senhora respondeu pelo intercomunicador:

Sim quem é? 

O Manel perguntou:

Desculpe a Senhora é casada? 

Sou respondeu a Senhora.

E o seu marido está em casa? Está sim, está aqui a dormir comigo.

O Manel pede desculpa á Senhora. 

Toca para o segundo andar atende uma Senhora pelo intercomunicador:

Faz favor de dizer, quem é ?

O Manel faz a mesma pergunta:

A Senhora é casada?

Ela responde:

Sou sim, mas que horas são? já passa das quatro da manhã!!

O Manel insiste:

E o seu marido está em casa? 

Ela responde:

Está aqui a dormir comigo na cama. 

O Manel pede desculpa á Senhora. 

Toca para o terceiro atende uma Senhora, 

Sim, faz favor de dizer:

Desculpe diz o Manel, a senhora é casada?

Sou sim, diz a Senhora

E o seu marido está em casa?

A Senhora toda zangada diz:

Não, esse sem vergonha ainda não chegou a casa.

Fez-se um silêncio.

E diz o Manel baixinho:

Amorzinho anda abrir a porta que sou eu, o teu marido.

( Adaptado de uma história do )

 
ADELINO CARDOSO

2013

12/03/2014

O PRIMEIRO-MINISTRO E O SEU AMIGO SR. RELVAS!


Há muita coisa legal, mas do ponto de vista ético merece a nossa reflexão. Vem isto a propósito do Sr. Primeiro-Ministro, ter convidado o Sr. Miguel Relvas para a “encabeçar” a lista dos nove distintos elementos, para o Conselho Nacional (uma espécie de Parlamento) do PSD. Sobre este assunto, a Jornalista Ângela Silva do Semanário “Expresso” de Domingo (23.Fev.14), diz o seguinte: “…Se para uns isto prova que Passos não deixa cair os amigos, para outros não havia necessidade de recuperar alguém que até há poucos meses se tornou num polarizador de ódios e que contribuiu para um enorme desgaste do Governo”. Diz ainda a Noticiarista daquele periódico, que “alguns dirigentes nacionais não esconderam incómodo pelo facto de só terem sabido à última hora que Relvas era a escolha de Passos.” 

-“Não quero ser eleito para dar emprego aos amigos. Quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários”, assegurou o Sr. Primeiro-Ministro Passos Coelho, no dia 2 de Junho de 2011, em mensagem transmitida através da rede social “Twitter”. O então candidato a Primeiro-Ministro já tinha apontado no mesmo sentido, uma semana antes, ao fazer a seguinte promessa: “Não vamos nomear os amigos. Nomearemos com transparência aqueles que por mérito e competência merecerem ser nomeados.”

De 2000 a 2007, Passos Coelho foi consultor e administrador da “Tecnoforma”, uma empresa dedicada à formação profissional que “dominou por completo, na região Centro, um programa de formação profissional destinado a funcionários das autarquias que era tutelado por Miguel Relvas, então secretário de Estado da Administração Local”. Na sequência da publicação, entre Outubro e Dezembro de 2012, de uma série de artigos de investigação e Acção Penal (DCIAP) abriu dois inquéritos sobre as suspeitas de favorecimento da empresa “Tecnoforma” por parte de Relvas enquanto secretário de Estado com a tutela do programa Foral. No âmbito de um dos inquéritos, Helena Roseta, actual Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, foi ouvida em Janeiro de 2013 como testemunha. Na noite de 21 de Junho 2012, em directo na SIC Notícias, Roseta denunciou uma situação ocorrida com Miguel Relvas em meados de 2003. Numa altura em que exercia a presidência da Ordem dos Arquitectos (OA), Roseta terá sido abordada por Relvas com o intuito de a informar sobre verbas do programa Foral que poderiam ser canalizadas para cursos de formação promovidos pela OA, destinados a arquitectos de autarquias. Mas havia uma condição, e a condição era simplesmente esta: a formação tinha que ser feita pela empresa do dr. Passos Coelho. Eu fiquei passada e disse: “Desculpe lá, senhor secretário do Estado, mas nessas condições não há acordo nenhum”. E não houve! 

Aqui está uma prova irrefutável do que é uma Amizade! A Amizade, é um encontro entre iguais. Ainda que as suas condições económicas e sociais sejam diferentes. Eles poderão ser amigos se se encontrarem apenas como dois soberanos independentes, de igual poder e dignidade semelhante. Todas as coisas dotadas de valor, e portanto também a amizade, devem ter no seu âmago a passagem do nada ao tudo. Faz-se um voto porque se sente o desejo. No amor é a desesperação que se torna êxtase de exaltação. Aqui é o fazer de menos que se torna satisfação. Parabéns Sr. Primeiro-Ministro, o Senhor é um verdadeiro Amigo!

Cruz dos Santos

2014

EM PORTUGAL, HÁ MUITAS REFORMAS DE LUXO!


A pior pobreza não é material; é a pobreza de alma, a pobreza espiritual! Se a pobreza espiritual não existisse, cada pessoa saberia dividir o seu pão com o próximo, acabando assim com todas as formas de pobreza! O que é preciso não é melhorar a condição dos pobres, mas acabar com ela! Ou seja, saber partilhar o muito que têm, por aqueles que nada têm, principalmente acabar com estas miseráveis reformas de velhice. 

Mas…os direitos humanos essenciais são violados, os apoios do Estado são uma fraude e a reinserção social uma ficção. A pobreza é constante no nosso dia-a-dia. Cada vez mais são aqueles que adotam as ruas como o seu lar. Pessoas como nós, com sonhos, esperanças, desejos e ambições, que por inúmeros motivos não têm possibilidade de os realizar. Velhos, que trabalharam uma vida inteira, a receberem míseras reformas de 160 a 360 euros! Qual a diferença entre Portugal e Suíça? É que na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo para evitar a ruína da Segurança Social. Ou seja, aquele Governo fixou, o máximo que um Suíço (todos eles) pode receber de reforma: mil e setecentos euros (1.700 euros). Sobra assim dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas, garantindo uma reforma de velhice digna a todos. Ou seja, com casa, com uma boa alimentação, cuidados de saúde e até algum dinheiro para gastar, em vez de premiar com reformas de milhares de euros, quem já ganhou muito, durante a sua vida. É essa a primeira diferença em relação a Portugal, que aliás é uma regra essencial para proteger o sistema. É que se houvesse reformas ilimitadas, em função do ordenado, reformas de 15 a 20 mil euros, como acontece por cá, é óbvio que o lado financeiro poderia sofrer repercussões terríveis, talvez mesmo, a falência na Segurança Social. 

Outra regra, que existe na Suíça:, é que só há uma reforma para cada pessoa. –“Mas então, “não podem ter uma reforma como militar e como professor?” -Não senhor! Claro que vão examinar a renda, um montante para as necessidades diárias; verem se o beneficiário tem dívidas, pensão de alimentos, etc. O outro aspeto importante, é quem não pôde trabalhar por razões familiares, é recompensado. Nas pessoas que educaram crianças, há bonificações de taxa educativa, que são rendimentos efetivos. Esse é o primeiro elemento que irá permitir calcular a reforma e dar rendimentos a uma pessoa, mesmo que não tenha trabalhado. Outra diferença: as contribuições efetuadas durante o casamento, são divididas pelos cônjuges, antes da atribuição da reforma. Partilham os rendimentos dos dois cônjuges, durante o casamento. –“E em caso de divórcio?” 

Também! Na Suíça, os “PPR” (Planos de Poupança de Reformas), são obrigatórios e constituem um segundo pilar, que aí sim, quem mais descontar, é quem mais vai receber um dia. O importante, é que o Estado garanta o essencial aos Aposentados mais carenciados, evitando a pobreza na velhice. Um País, bem diferente do nosso, onde há homens, mulheres e casais, a usufruírem, mensalmente, verdadeiras e chorudas riquezas, catalogadas de “reformas de velhice”! E…sabem que mais? São os mais revoltados contra esta austeridade!


Cruz dos Santos

2014
 

07/03/2014

A SEPARAÇÃO

José Constantino cresceu e viveu numa aldeia perto Da Cidade de Chaves até aos 20 anos de idade, nesta altura foi à inspeção militar no ano de 1965, ficando apurado para todo o serviço militar, foi-se apresentar no Quartel de Lamego, para ter as primeiras instruções militares a chamada recruta e passados poucos meses é incorporado para Angola, deixando Pais, irmãos, família e a namorada a Maria Laurinda.


Embarca em Lisboa no paquete Vera Cruz e chega a Luanda em Junho de 1965, apresenta-se no Quartel em Luanda, passados dois meses é enviado para o Norte de Angola para a zona quente dos Dembos integrado numa companhia de Comandos. Em 1965 passa a funcionar, em Luanda, o Centro de Instrução de Comandos, criado por Decreto-Lei nº 46410 de 29 de junho de 1965. Durante 10 anos o Centro de Instrução de Comandos formou Companhias com destino a Angola e Moçambique, passa à disponibilidade no ano de 1969.

Companhia de Comandos

Crachá

A passagem por Angola, muda as pessoas, muda as mentalidades, cidades bonitas, praias lindas, pessoas descontraídas.

Fica em Angola na Cidade de Luanda com emprego na Construção Civil começa a tratar dos papeis para casar por procuração com a namorada que ficara em Chaves.

A Maria Laurinda embarca no paquete Infante D. Henrique, chegando a Luanda onde a espera o José Constantino, vão residir para o Largo das Ingombotas.

José Constantino a trabalhar na Construção Civil como encarregado de Obras e a Maria Laurinda na Manutenção e limpezas de um Banco, a vida vai sorrindo ao jovem casal, e Maria Laurinda fica grávida e nasce o José Luís no ano de 1970.

Cidade de Luanda

Todos os natais recebem da família, que manda de Portugal um pequeno cabaz de Natal com um ( tantinho ) pouco de nozes, castanhas, figos secos, etc, etc.

A vida corre-lhes sem sobressaltos e estão integrados no quotidiano de Luanda, até que no principio do ano de 1973 dá-se a tragédia, depois de um convívio com amigos e com o chamado grão na asa, na Avª. Brasil com o seu automóvel um Vauxhall Viva, atropela dois indivíduos, o mais idoso fica com pequenas escoriações superficiais, o mais novo que era militar, chega ao Hospital de São Paulo já falecido.


José Constantino é preso e só sai da cadeia em Abril do ano de 1977.

Durante aqueles terríveis dois anos de 1973 a 1975 que Maria Laurinda sozinha, teve que tratar e educar o filho José Luís, trabalhava no Banco e á noite num Restaurante perto da Maria da Fonte no Kinaxixe.

Em 1975 na descolonização a Maria Laurinda veio na Ponte Aérea em Outubro, sem saber do José Constantino, que entretanto tinha sido transferido para uma prisão controlada por elementos do M.P.L.A no Bairro Palanca.

A Maria Laurinda e o filho, quando chegaram a Lisboa foram encaminhados pelo I.A.R.N. para o Parque de Campismo do Inatel na Costa da Caparica.

No ano de 1977 o José Constantino no mês de Abril é expulso de Angola e embarca para Lisboa e foi direto a Chaves, sua terra natal.

Maria Laurinda cansada de procurar no I.A.R.N. na Embaixada Portuguesa pelo José Constantino e de todos recebia a mesma resposta “ não sabemos nada das pessoas que ficaram em Angola”.

Desiludida e sem esperanças Maria Laurinda e José Luís que nunca conhecera o pai, conseguem ir para a Suissa a chamado de uma prima que já lá se encontrava á bastante tempo.

No ano de 1980 no Verão Maria Laurinda vem passar umas férias a chaves a casa de ainda alguns familiares e encontra o José Constantino que também não sabia dela, ele bem perguntava a todos mas ninguém sabia responder qual o paradeiro da Maria Laurinda.

Cidade de Chaves

Foi um encontro emocionante e assim o casal passados sete anos estavam de novo juntos e o José Luís já com 10 anos conheceu o pai.

Depois dessas férias a Maria Laurinda foi á Suissa e despediu-se, voltou para Chaves onde montou um negócio de hotelaria com as poucas economias que tinha e com um empréstimo bancário, José Constantino trabalha por conta própria numa serração de carpintaria e marcenaria.

Final feliz para este casal que conheci em Luanda ainda kandengue, eles eram amigos do meu falecido pai.

Nesse Verão de 1980, a quando da minha estadia em Mirandela, fui a Chaves e confraternizei com eles.

Nos dias de hoje José Constantino com 69 anos de idade, Maria Laurinda de 65 e o José Luís com 43 anos, nos vamos encontrando nos almoços de convívio que se vão realizando todos os anos, e ai nos vamos lembrando das recordações boas, e das saudades. 

ZÉ ANTUNES

2014