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25/06/2014

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO CINISMO…!


Vivemos no tempo da imagem, da fama e da reputação. Vivemos debruçados sobre o nosso umbigo e de costas viradas para todos aqueles que sofrem – penosamente - com essa austeridade inconstitucional! A opinião e a figura de “mandachuva” são hoje omnipotentes, mas andam controladas por inconstância, irregularidades, suspeitas e apego excessivo a formalidades e a etiquetas. 

Não admira portanto, que os resultados de todas essas injustiças, estão à vista de todos. É que na relação entre a aparência e a realidade, existe um estranho e perverso desequilíbrio. Quando a imagem é má, principalmente quando ela aparece suja, envolta em ganância pelo poder, coberta pela prepotência e embelezada pela petulância do “posso, mando e quero”, ninguém tem dúvidas quanto à hipocrisia, que a mesma encerra. Se o aspeto é bom, e tem “dom” de palavra, sabe comunicar, exprimir, orar e ornamentar, acima de tudo, a mentira com promessas delirantes e fogosas, embora levante suspeitas, o Povo, impávido e sereno, deixa-se levar no chamado “conto do vigário”, condenando-os mais tarde, em praça pública, arrependidos por terem acreditado nesses “magnatas” de colarinho branco.

E se juntarmos a isto, uma comunicação social hiperativa, com uma influência sem par na História, os resultados são terríveis. Organiza-se a indústria do juízo precipitado, promove-se a “institucionalização do cinismo”, completa-se o paroxismo da murmuração e da “mexeriquice”. Como vivemos num tempo, que confundiu democracia com populismo e, como este elemento continua a “reinar” incontestadamente, entre nós – graças a Deus – o Povo, desta Nação, que já foi valente, Vota nos mesmos, alegando, simultaneamente, que “podem regressar, porque estão perdoados”! 

Portanto, não admira que, apesar do justo orgulho nos direitos humanos e no sistema judicial, se cometam, infelizmente, enormes e repetidas injustiças, toda a gente sabe que “anda meio mundo a enganar outro meio”, pelo que existe uma predisposição para pensar sempre o pior. 

Mais palavras para quê? Para bom entendedor…!

Cruz dos Santos
2014

19/06/2014

A VOZ DE JOÃO KAJIPIPA

ILHA DA ARMONA


Aiué!...Como todos somos manos e manas (vou escrever com toda a justeza esta "Mukanda", propriamente do João Kajipipa, qui veio cus "tugas" e foi nus férias, na carrinha "VogseVaguem" (VW), aquela que é parecida cus "pão de forma", no Olhão para a Ilha da Armona, foi nus barco "Guadiana", juntamente com a sua namorada Maria das Dores, e uns "cambas" seus "avilos". Ali na ilha, quando chegavam, iam sempre apanhar berbigões, "kitetas", para fazerem uma "Kúdia", juntamente com a sua "barona", na praia da Contra Costa, lá nos confins... onde estão todos nús e os espreitadores vão lá só "espiar". Assim, quando eles estavam a apanhar as "mabangas", lhes deram as saudades do antigamente, qui lhe fizeram até chorar. Aí já então, olharam para um lado, olharam para outro, e como só avistaram areia e ondas baixas, foi ali mesmo...à "canzana"! Que bom..."Atuála"...está doce! Mas...a "garina", ali mesmo, não estava propriamente descontraída e como estava virada para o céu, lá ía "visionando", para ver se apanhava qualquer "madié" qui lhi fosse perturbar. E não é qui atrás mesmo deles, estavam dois mais velhos - "Kotas Kaúmbos", cheios de "catolo-tolo", pescadores e espiões? Aí já então, Maria das Dores, dona do seu físico, criado com óleo de palma e muita mandioca assada, gritou nus ouvido do João:

-"João...pára, pára lá com essa merda! Estão ali dois "Kimbundeiros" da merda, mais velhos, a nos olhar!" 

João Kajipipa, totalmente descontraído, lhi respondeu: 

-"Deixa lá queridinha! Os "Kotas", querem varrer um "pungo" à nossa custa! Descontrai-te, faje di conta qui não lhe vês....!!?? 

Acabada a função dus "tremeliques", os homens tinham desaparecido, eles então, vieram para junto dos amigos (ao pé do cais) no Bar do "Tolinhas", onde tinham combinado, para "varrerem juntos" umas cervejas. Embora, estes, tivessem estranhado a demora deles, não lhes desconfiaram... 

Aqui já então, a Maria das Dores, vestiu uma blusa diferente, colocou um chapéu por causa do sol e manteve-se, ofegante, ali a fazer companhia; mas, o João Kajipipa manteve-se com os mesmos calções , T-Shirt e boné, a mesma vestimenta, quando estava na função. Eles não ficaram verdadeiramente nús, até porque poderiam ter que dar alguma "berrida" a qualquer momento), então voltaram ao Bar do Tolinhas, onde o ritmo estava a pôr um gajo maluco e a "Kuíba" estava a progredir, quando viram passar os dois madiés, que eles lhes tinham "avistado" (os "Kotas"). Então, ambos se encostaram, para ouvirem o que é que eles estavam a dizer deles:

-"Talange" Mano é...Olha só, o gajo que estava lá em cima nos viveiros a comer a "barona" di "apanha cavacos"! Repara: agora está ali com a mulher, os amigos e a família. " 

-"E é mesmo! Filho da caixa, cabrão dum raio"!

A Maria das Dores, já se estava a rir, pois eles não lhe conheceram, porqui estava com outro vestido, na altura, quando estavam nus "trumunos", além do mais, trazia também um "chapéu qui não morresse", mas qui lhi faziam confundir. Enquanto o grupo ouvia isto, João Kajipipa e a sua namorada finjiam não saber o qui se tratava. No grupo, estava lá mais um "Kota", cambaio de uma perna, que também era "lixado" para gozar com um gajo. Aproveitando toda aquela confusão, disse: 

-"Olha o azar que eu tenho. Por ser o mais kota e não poder andar, estes gajos vão lá para cima, espreitar ver os outros a "trumunar", a fazer "karibeúla" e eu aqui, rétido, sem puder mexer as minhas "kinamas" (pernas)!

João Kajipipa e a Maria das Dores, aproveitaram esta deixa, para se "escangalharem a rir!!! 



BANGA ZÉ / NINITO

2014

18/06/2014

O PORTUGAL DOS PEQUENINOS E DOS GRANDES!



“Orgulhosamente sós” e pequenos, mas…diferentes. Com muito orgulho? Que motivo de orgulho há na pequenez? Cresçamos! Austero, intransigente é o tempo. O “Portugal dos Pequenitos” já existe. Urge construir o Portugal dos Grandes.
Grandes, em que sentido? Ficamos de “boca aberta” e deitamos as mãos à cabeça, ante o cenário que se nos depara no dia-a-dia: pessoas sãs a serem tratadas como débeis mentais, e gente doida tida como normal; criminosos com cama, mesa, roupa lavada, jogos, ginásios e música, a contrastarem com inocentes sem abrigo e sem migalha de pão; promovem-se os incompetentes e bloqueiam-se carreiras dos competentes; louva-se a parvoíce e despreza-se a lucidez; esconde-se a verdade e enaltece-se a mentira e a hipocrisia; passam-se “atestados” de estupidez a quem vê e sente as coisas, enquanto se despreza a sabedoria; fecham-se as portas às pessoas honradas e sérias, para as abrirem-nas aos gatunos e aos “pulhas”; amnistiam-se condenados, e tiram-se liberdades a cidadãos cumpridores da lei.
Dantes “chamavam-se os bois pelos cornos”; agora são os “cornos” que chamam "boi", àqueles que o não são! Os donos deste país de eufemismos, delirantes, pelos vistos, com cada revolução linguística, enchem de efeitos palavras rebuscadas, dúbias, inócuas de qualquer sentido da realidade, dentro do eterno conceito de “brandos costumes” que nos caracteriza.
 
Assim, os "meninos mal comportados", são aqueles dotados de “hiperatividade comportamental”; “Ladrão”, deixou de ser “gatuno”, para passar a ser “corrupto”; a menina que faz birra e bate o pé, não é “teimosa”, mas uma: ”voluntariosa”; também não é bonito dizer-se: “aleijadinho”, “manco”, “perneta”, “maneta”, “marreco”, mas: “deficientes físicos”; da mesma forma que não se deve dizer, que um sujeito destituído de juízo é “maluco” ou “doido”, mas de: “portador de patologia do foro psiquiátrico”. Um “drogado”, passou a ser um “toxicodependente”; “Aborto” é a “interrupção voluntária da gravidez” e…atenção! –“Cego”, é um “Invisual”! Quanto aos: “Canalizadores”, “reparador de máquinas de lavar”, esquentadores, frigoríficos e outros, são: “Técnicos de eletrodomésticos”. Os “eletricistas”, são hoje: “Técnicos de energia elétrica”.
Sob o mesmo critério se englobam os “pedreiros”, “ladrilhadores”, “pintores de edifícios” e “trolhas”, como sendo: “Técnicos de construção civil”! As “criadas de casa” e “mulheres-a-dias”, são “empregadas domésticas”; os “contínuos”, “Auxiliares de educação” e os chamados “serventes”, passaram a ser “Auxiliares de limpeza pública”. Nem as prostitutas escaparam ao sacramento, para serem transformadas em “Profissionais do Sexo”. Mas estas, quiçá por terem a profissão mais antiga do mundo, são imunes a modernices terminológicas, que nenhuma conseguirá retirar o primitivo e autêntico valor semântico à suas expressões. 

É esta a imagem do País que somos. Quanto ao diagnóstico? Este não pode ser senão um: estado crítico!

Cruz dos Santos

2014

08/06/2014

NOITE DE LITERATURA EUROPEIA...




Na noite de 07 de Junho de 2014 e integrado nas festas da Cidade de Lisboa, e com o fim de voltar a divulgar a literatura Portuguesa e Europeia, certame onde se dá a conhecer novos escritores e também os já consagrados e prestigiados.

Nessa noite fui ao Palácio do Menino de Oiro ( onde funciona o British Council ) na Zona do Príncipe Real que foi escolhida para este evento onde além do Palácio do Menino de Oiro, foram escolhidos mais nove locais emblemáticos onde se realizou este pequeno mas intenso festival de literatura.



Entre Prosas e Poesias a noite da literatura Europeia de 2014, apresentou obras de fundo, Politicas, histórias familiares e pessoais, apresentação de vários homenageados e divulgação de novos escritores.

Esta iniciativa foi organizada pelos institutos culturais e embaixadas que integram a rede EUNIC Portugal, a saber British Council, Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, Embaixada da Áustria, e muitos mais

Neste festival de Literatura o livro mais relevante para mim e por se tratar de um acontecimento histórico e por mim em parte vivido foi a obra de Dulce Maria Cardoso “ O RETORNO “.

O Retorno trata-se de um tempo recente da história de Portugal, o difícil tema do fim do império Ultramarina e o conturbado regresso de mais de meio milhão de pessoas a Portugal.

A descolonização e a vida de jovens adolescentes que foram arrancados a um estilo de vida diverso que vieram encontrar na chamada Metrópole.

A Autora leva-nos a uma viagem que nos permite conhecer as consequências psicológicas dessa experiência avassaladora e de precaridade que todos os jovens de então se viram obrigados a amadurecer, a serem homens mais cedo, sempre com a esperança de melhores dias.

Aconselho este livro a todos os meus amigos que comigo viveram em África, e a todos os outros para terem uma ideia do que se passou naqueles tempos, e como foi difícil a nossa integração na sociedade Portuguesa.

Gostei desta iniciativa em que participei…

ZÉ ANTUNES

2014

27/05/2014

O 1º DE MAIO / 27 DE MAIO


Luanda - Sinceramente, não sei o que o MPLA quer dizer com o comunicado transcrito na imprensa Angolana. Quer dizer que os angolanos não podem homenagear as vítimas do 27 de Maio? Quer dizer que os angolanos, não podem relembrar o que aconteceu no dia 27 de Maio de 1977? Quer dizer (falando de um acontecimento mais recente) que os amigos, familiares e os angolanos no geral, não podem evocar Kamulingue e Kassule, desaparecidos á exactamente um ano... Não podem exigir que a Policia Nacional esclareça o que aconteceu a estes dois cidadãos?
Fonte: Club-k.net
É isto aproveitamento político? Se o é, porque o MPLA não conta a sua versão (que se exige à muito), no que se refere aos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, para que não haja aproveitamento político por parte de alguns cidadãos?
O 1º de Maio Vs 27 de Maio
Será que o facto de o MPLA evocar a cada ano o "1º. de Maio", um acontecimento registrado na longínqua Chicago (EUA) com quase cem anos, È APROVEITAMENTO POLITICO?.. Porque o faz? Há alguma diferença entre o acto de Chicago que deu origem ao dia (internacional) dos trabalhadores e o de 27 de Maio de 1977? Um merece ser relembrado e o outro esquecido? Qual dos "eventos produziu" mais vítimas, melhor qual dos actos diz directamente respeito aos angolanos?

E é o que vemos cada ano. Quando acontece o "1º. de Maio", os dignatários do regime (vestem sorridentes a pele de cordeiro) emitem feriado ou tolerância de ponto, homenageando (com muita fanfarra e discursos) as vítimas de Chicago, que dizem ter representado todos os trabalhadores do mundo.

Quando acontece o 27 de Maio, os mesmíssimos dignatários do regime (despem a pele de cordeiro e mostram a sua verdadeira natureza) plagiam descaradamente os "colegas" de Chicago (os carrascos dos trabalhadores), e carregam furiosos, contra todos aqueles que tentem manifestar-se a favor das vítimas, e prendem ilegalmente co-cidadãos!

Porque o MPLA faz o aproveitamento politico do 1º. de Maio, se os trabalhadores angolanos são os "mais descriminados" do continente, e mais!... 90% das vitimas de 27 de Maio de 1977 eram simples e honestos trabalhadores!

Melhor, porque o MPLA não permite que os angolanos evoquem o 27 de Maio de 1977, e porque não esclarecem os desaparecimentos de Kamulingue e Kassule uma vez por todas?

Acho que cada um de nós sabe porque!

Isomar Pedro Gomes

Natural de Malange, estudou em
UNISA - University of South Africa; reside em Benguela.

Desmobilizado, em 1991, por força dos Acordos de Bicesse, foi entre­gue à sua sorte. Atirado para as sarjetas do desempre­go, sem apoios da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) ou de uma outra instituição castrense, lamenta a sua sina, assim como de milhares de ex-companhei­ros de farda. Recebi este pequeno escrito de sua autoria.

2013
ZÉ ANTUNES
2014

27º-. ALMOÇO CONVIVIO DOS BAIRROS POPULAR Nº 2, SARMENTO RODRIGUES E PALANCA

 
 
 
Mais uma vez, os naturais, moradores e amigos dos Bairros Popular nº 2, Sarmento Rodrigues e Palanca da bela cidade de Luanda, reuniram-se num almoço/convívio que se vem realizando há vinte e sete anos e que se concretizou no passado dia 02 de Maio, de 2015 no restaurante Manjar do Marquês, perto da cidade de Pombal.
 
Nestas festas de confraternização de residentes nos Bairros citados tenta-se contactar o mais possivel de amigos. Deste modo nestes últimos anos o seu número tem vindo a diminuir oscilando entre os 150 e 200 tendo tido, neste ultimo encontro, a presença de 187 pessoas.
 
 
Muitos foram os presentes que de uma maneira ou outra todo o Bairro os conhecia destacando-se, dentro muitos, os Organizadores ( São Costa Pereira, Zé Antunes e o Carlos Abreu ) Celeste Pita-Grós, Manuela Pereira ( esposa do falecido Filipe Santarém ) Chico Leite, Carlos Malta, Domingos Castro, Carlos Jaulino, Fernando Rino e muitos outros cujos nomes olvidamos mas bem conhecidos por muitos, senão na totalidade, dos presentes.















A concentração iniciou-se as 11.00 horas da manhã e o almoço, pelas 13 horas, com a ementa estabelecida préviamente, degustou-se e saboreou-se o belo repasto e bebeu-se uma boa pinga, tudo com moderação pois muitos de nós teriam que conduzir as suas viaturas de regresso a casa.
Guardou-se um minuto de silêncio por todos aqueles amigos e amigas que já nos deixaram
 

Depois, como digestivo, foi a dança que (não fossem eles angolanos) lotou permanentemente a pista num rodopio quase permanente e, no caso dos Merengues, Quizombas, Mornas, Sambas e outras de raízes africanas que os musicos ( Chico Leite, Carlos Torres e o Zé Morais ) tocaram recordando bons tempos da nossa juventude, era o fim-do-mundo – toda a gente dançava não deixando um palmo sequer de espaço.
 

 
Finalmente procedeu-se ao corte dum grande e saboroso bolo de aniversário que foi acompanhado com espumante e se brindou por mais um excelente convívio de gente que nasceu ou viveu nos Bairros mais antigos e populares de Luanda e que se consideram irmãos não esquecendo as amizades cimentadas por tantos e tantos anos de convívio.
Nesta ocasião cantou-se os parabens á IRENE RUIVO pois era aniversariante
 
Quero congratular a Comissão destes encontros em particular os primeiros e grandes impulsionadores, Delmar, Micas, Miguel, Nela Pereira e muitos outros, e a atual líder deste pequeno e dedicado grupo de luso-angolanos, a São Costa Pereira, o Zé Antunes e o Carlos Abreu, que, de ano para ano, têm-se esmerado em apresentar as melhores opções para que estes convívios sejam de mais-valia e procurados por quem ama não só os Bairros onde outrora residiram mas também Angola que foi o berço de muitos portuguêses.
ZÉ ANTUNES
2015

29/04/2014

"A EUROPA MORREU EM CHIPRE”!


Portugal vive “atafulhado” de Economistas, daqueles Mestres dos números ligados à Ciência das grandezas, do raciocínio lógico e abstrato, das equações diferenciais, da “álgebra matricial” e programação matemática e outros métodos computacionais. É a matemática, que permite aos economistas formular proposições significativas e testáveis sobre muitos assuntos complexos e abrangentes que não poderiam ser adequadamente expressas informalmente. É essa linguagem, que leva os economistas a fazer afirmações claras, específicas e positivas sobre esses assuntos controversos ou“ contenciosos” que seriam impossíveis. 

Mas, concretamente, o que é a economia? Não é a Organização, ou a distribuição da produção em função das populações e do seu bem-estar? Ou é a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação? É que no meio de tantas previsões e perante essa miséria agravada das populações, confundimos o escamoteamento da economia com o da política. Ou seja, os poderes políticos com o poderio económico. Já se sabe que a ideologia neoliberal, não respeita as leis da economia nem as obrigações do direito. Quando Viriato Soromenho-Marques escreve que “a Europa morreu em Chipre”, acrescentando: 

“Com ela, uma certa "Europa do humanismo e da solidariedade também”! E talvez para sempre, porque a capitulação daquele pequeno país prova que a mutação do ideal social em um estado omnipotente e autoritário (a Alemanha é que manda, até por interpostas economias) não é capricho do acaso, sim um projeto hegemónico (supremo) e perigosíssimo, pode conduzir à guerra (avisou Jean-Claude Junker). 

Mas há uma pergunta a formular: alguma vez essa "Europa do humanismo e da solidariedade" existiu? Meus Senhores: é o capitalismo que ordena as coisas e a própria vida das pessoas, que chegou excessivamente longe, com o apoio das irresponsabilidades e das cedências de quem devia ter uma posição moral irredutível. Nesta conjuntura avultam muitas traições e imprevidências. Chegámos a esta miséria. E agora? 

“Salvemos os bancos!”

Cruz dos Santos
2014