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01/10/2014

SAUDADES DE QUANDO EU ERA “KANDENGUE”!


Estou só e silenciosamente a meditar, naquelas “velhas” e saudosas recordações de infância, que trago gravadas até aos dias de hoje. Daí eu partilhar convosco, estas rememorações, de tempos que já não voltam. Quero manifestar, dividir, com todos vós, essas lembranças, todos esses fascículos que ficaram por escrever, interrogações sem fim, separações, despedidas…que brotam da minha já cansada memória e que julgo terem sido verídicas, porque se fossem uma ilusão, não poderiam resistir ao tempo nem magoarem tanto. Se fossem apenas a criação imaginária de um espelho, elas não seriam aquele foco, que me tem atraído, constantemente, até à exaustão. Será a razão, a técnica ou o pensamento despidos do afeto que são capazes de ganhar essa luta desigual?

Óh que recordações meu Deus!, a envolverem lugares, terras, ocorrências passadas com pessoas, misturada com a fragrância da terra molhada, dos amigos de escola, das feridas causadas em “berridas” e nas “baçulas”, dos “trumunos” com bolas de borracha e de catchú, da Feira Popular, que ficava ali para os lados da avenida Lisboa em Luanda e de centenas de lugares, que me marcaram para todo o sempre! Óh…como me recordo de tudo! Estava a lembrar-me daquelas corridas de carros, onde tínhamos que “bater” num manípulo, para que uma bola passasse dentro de uma espécie de cesto que fazia o carro lá em cima avançar. E quando era mesmo pequeno adorava andar nos Póneis e numa pista que lá havia que fazia um 8 e uma parte passava por cima tipo viaduto.

Lembro-me também que os meus Pais ralhavam comigo por ficar acordado até mais tarde a ler os livros aos quadradinhos do Mandrake, Cisco Kid, Major Alvega, Fantasma, etc. etc.

É verdade, também me lembro de jogar à bola em frente do portão da minha casa, no Largo do Preventório Infantil de Luanda, descalço ( para não estragar os pancos ) jogava de manhã á noite, até cansar, era de deixar os velhotes quase doidos principalmente minha mãe, que queria que eu estudasse, e eu o que queria era jogar á bola, lembro-me do jogo do espeto, jogar ao berlinde, bate pé, quarto escuro, os carrinhos de rolamentos, as trotinetes e as rodas feitas de arame com uma gancheta, dos jogos do Monopólio e da Glória. Bons tempos.

Também me lembro de o meu pai ouvir os relatos dos jogos do campeonato Português de futebol principalmente os jogos do Benfica, que era quase sempre campeão!!

Lembro-me dos bolos que vendiam á porta da Escola João Crisóstomo e da Escola Industrial , os famosos bolos ROCHA, malvados bolos, mas tão bons, foram logo batizados de MATA-FOME.

Quando era kandengue não tínha TV em Luanda, mas acordava cedo aos sábados para arrumar as minhas bicuatas ( a minha mãe fazia questão que cada um dos seus filhos arruma-se o que era seu ), depois do almoço, como não tinha aulas e então ai estávamos todos para brincar, ia-mos para a rua jogar à bola, às escondidas, ao bate pé, enfim, uma série de brincadeiras que hoje não se vê mais nas ruas.

Lembro-me das quedas que dava na terra batida, era com cada ferida nas pernas que eram só desinfetadas e logo depois estava tudo bem, hoje é um cabo de trabalhos quando isso acontece.

Eu uma vez a jogar à bola caí (mas que valente baçúla) e de seguida levantei-me e disse não foi nada. E o pessoal a olhar para mim como se estivesse a ver um fantasma. Quando reparei tinha um fio de sangue a escorrer pelo braço abaixo, tinha feito uma grande ferida no cotovelo.

Conclusão, fui a casa, desinfetei, coloquei um penso grande e siga para o jogo.

Nas férias de verão, aderia muito aos encontros organizados pelo Padre Costa Pereira, como os passeios que se faziam na companhia de todos e das catequistas que nos davam catequese, as idas ao “ campo e à praia".

Bons tempos mesmo! SAUDADES

Belos tempos, o que eu me divertia . 

Os tempos passam e sempre fica a saudade.

Lembro-me, de acontecimentos narrados pela Emissora Oficial de Angola, pela Rádio Eclésias de Luanda, e pela Voz de Angola;

1º Festival da Eurovisão que Portugal participou em 1964 (António Calvário ) com "A Oração"

Das transmissões do Mundial de 1966 ( mais tarde vi em cinema )

Na inauguração a 6 de Agosto de 1966 da Ponte Salazar (hoje 25 Abril)

Das "Conversas em Família" do Prof. Marcelo Caetano (1968/73) ( era uma seca meu pai queria silêncio enquanto ouvia o Marcelo )

Do "Zip-Zip", programa transmitido em direto do Teatro Villaret, com R. Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia, em 1969, que mexeu com muita coisa no País, era reproduzido na Rádio, lembro-me que á tarde mais ao menos pelas 18 h00, quase todas as mães ouviam a radionovela “MARIA” transmitida pela Rádio Eclésia.

Da agitação juvenil nas universidades e das eleições legislativas de 1969 e 1973. No ano de 1970 (eu estava em Lisboa a estudar).

Da eleição da miss Portugal ganha pela Riquita.

Da revolta fracassada do RI 5 das Caldas da Rainha, a 16 de Março de 1973.

Assisti "in loco", á revolução do "25 Abril ", em Luanda, íamos ouvindo e lendo os jornais da capital Angolana sobre o ocorrido em Lisboa.

Vivi toda a turbulência politica ou social ( o chamado PREC ) ou ( Verão quente de 75 ) ocorrida após o 25 Abril (manifes, paralisações, greves, quedas de governos sucessivamente, tentativas de tomada do poder, golpes militares, como o 11 de Março e 25 Novembro de 1975, etc. etc. etc. tudo isso porque já estava em Lisboa. Lembro-me da descolonização, e tantas e tantas outras coisas, que passaria aqui o resto do dia a enumera-las.

Eu sou do tempo em que me lembro de comer de manhã as "sopas de leite" e a farinha 33 que tinha como slogan, algo parecido a isto: Come farinha 33 e valerás por 3, e ainda a célebre farinha Amparo.

Já nos tempos de jovem dos bons velhos tempos, dos anos 1975 já a residir em Lisboa, em que na época só existia 2 canais de TV para ver, e em que não havia telemóveis que hoje se diz indispensável, hoje tenho 2 telemóveis um da empresa e um particular, ( hoje tenho 100 canais, internet e telefone ).

Depois já adulto lembro-me do que o meu filho gostava :

Os Soldados da Fortuna (a primeira vez que passou, para os mais novos, antes da versão Esquadrão Classe A da Herbert Richards ) e o Norte e Sul.

Nas séries lembro-me que ele adorava o D´Artacão. Gostava igualmente de ver o Alf, o Allô Allô, os Marretas...

E da Orangina e do Caprisonne (que agora voltou em força) e do Topo Gigio. e os Jogos Sem Fronteiras. Ele não perdia um. 

E dos Kalkitos, alguém se lembra???

E as mini tortas da DanCake, ou não???

A Heidi e o Marco

A Pipi das meias altas

O fungágá da bicharada

O jornalinho

Sou a favor da modernidade, mas ás vezes dá-me a nostalgia e fico com saudades de quando não existiam telemóveis, multibancos, nets, TV`s por cabos, shoppings, fast foods, as Auto Estradas a A7, A8, A9...A49, IC´s e afins.

E quando demorávamos 7 horas a fazer a viagem de Lisboa a Guimarães, em que passávamos pelo interior de muitas cidades, pois só existia auto estrada de Lisboa a Vila Franca de Xira e dos Carvalhos ao Porto

Até destes tempos mais atuais tenho saudades, e que saudades.

O sempre igual, o repetitivo, cansa nesse eterno retorno do acontecer. O espaço da vida precisa desse tempo sem tempo que só o amor e a arte engendram pelos tortuosos caminhos da sem razão. E há palavras mudas que o olhar desenha…Palavras que discretamente moram no fundo de um silêncio, palavras que enunciam a certeza de um sentido oculto…!


ZÉ ANTUNES

2014
 

09/09/2014

VOZES ANTIEUROPEIAS, RECLAMAM ATENÇÃO E CUIDADO…!

A democracia é o regime de todos, incluindo os não democratas. Pode ser infeliz, arriscado, mas…é assim! No dia em que a democracia excluir os antidemocratas, está a negar, a sua essência. É certo que os regimes democráticos têm a obrigação de se defender. Ou seja, os democratas têm de defender a democracia, impedindo, por meios lícitos, que os seus adversários cheguem ao poder. 

No entanto, se estes lá chegarem, por caminhos democráticos, não podem ser impedidos. Ora, para evitar que a democracia seja destruída por dentro, existem “obstáculos constitucionais” contra tais desígnios. Não se pode é agir de modo a que a democracia seja um feudo (um domínio) de certos democratas certificados. Não é possível, em particular, invocando princípios, acarinhar uns déspotas e perseguir outros, nomeadamente aqueles que se escondem por trás de uma máscara de “bom samaritano”. Aqueles que, ao longo das últimas décadas, têm representado essa duplicidade (defensores da liberdade e igualdade), mas que não passam de conservadores manhosos e astutos traidores.

A União Europeia e Portugal, estão – cada vez mais – a trilhar esse funesto caminho, minados por “vermes”, como larvas da fruta, por todo o lado. Abundam por aí, a trepar sorrateiramente como a hera, envolvendo corpos vizinhos, por meio de uma haste venenosa, enrolando-se como o feijão, através de órgãos especiais (nepotismo), confundindo, baralhando essa gente, esse Povo inerte, abatido, inativo, desprovido de força física, descolado das realidades nacionais e locais.

Há anos que vozes minoritárias, julgadas céticas e antieuropeias, reclamam atenção e cuidado. Que pedem uma retificação de estratégias, uma alteração de políticas e uma mudança de rumo. Lembrem-se, que a Europa comunitária ignorou agricultores e pescadores. Esmagou aldeias e paróquias. Deixou as cidades transformarem-se em inóspitas semelhanças. Passou por cima dos pobres, das diferenças de cultura. 
 
Aumentou os salários e as reformas aos mais ricos e cortou aos mais pequenos. Habituou-se à corrupção e à promiscuidade. Há anos que esses fenómenos nacionalistas e racistas, de esquerda e direita, vão pôr em causa a Europa em nome de ideologias populistas, que faz da democracia a sua moral, mas que a não pratica convenientemente.

Há anos que se ouvem estas vozes, há tanto tempo quanto o da surdez dos dirigentes nacionais e europeus. Cuidado…olhem que a “fratura já não é entre a esquerda e a direita, é entre o social e o negócio”!

Cruz dos Santos

2014

26/08/2014

CABINE TELEFÓNICA

Bairro Popular nº 2, inicio dos anos 70. Entre as Ruas de Moura e a de Porto Alexandre existia um largo onde estavam instaladas uma cabine de transformação de Energia Eléctrica e ao lado uma cabine telefónica.

No Posto de transformação de Energia Eléctrica tinha uma pequena escada em betão com 5 degraus, onde os kandengues ficavam sentados a conversar e a pouco mais de 3 metros estava a cabine telefónica.


 
Cabine Telefonica em 2005

Este largo situava-se também entre a Rua Machado Saldanha e o Largo do Bairro onde parava o maximbombo 22, também neste mesmo local entre a Rua de Moura e a Rua da Gabela existia uma passagem estreita.

Muitas vezes ficavamos sentados nos degraus da dita escada do Posto de Transformação de Energia Eléctrica á espera que alguém fosse telefonar para depois recolhermos as moedas que estrategicamente não caiam no cofre do telefone, já tinhamos feito a marosca.

Dinheiro esse que depois de dividido dava para comprar gelados de covete, gelado de água cinco tostões, gelados da Mission( laranja ou maçã ) um escudo, íamos comprar á mãe do Carlos Burity ou á mãe do Garção.

Outras das nossas travessuras era assustar as garinas que lá iam telefonar, introduziamos uma pena bem amarrada num arame pela parte da ventilação da cabine que era 3 réguas tipo persiana, com a dita pena de um qualquer galinácio tocavamos nas pernas das garinas asustando-as.

Eramos todos jovens, jovens que alinhavam nessas salutares brincadeiras


ZÉ ANTUNES

1970
 
 
 

25/08/2014

UMA AVENTURA AMOROSA, LÁ DA “BANDA”!


PEQUENO CONTO ANGOLANO

SÓ PARA AMIGOS E AMIGAS DE PEITO

Desculpem-me qualquer coisita, que vos possa "ferir" a sensibilidade!

Esta pequena aventura amorosa, aconteceu por causa de um problema alheio, quando o Zacarias acompanhou uma “garina”, chamada MARIA, muito minha amiga do “Bê-Ó”, à casa de uma “kimbandeira” (bruxa), conhecida lá do bairro. E, diga-se de passagem, nem sempre bem vista pelos “Kalús e "Kotas", seus vizinhos. É que o Povo tanto ama como odeia e, se uns a procuravam quando necessitavam, logo logo depois, fingiam qui não lhi conheciam e até mudavam de passeio quando lhe avistavam na rua. Recebeu-os numa sala, com paredes de “pau-a-pique”, coberta de chapas de zinco e “luando”. Tinha duas galinhas pretas amarradas junto de uma “sanga”, numa mesa toda torta com três pernas. O “cubico” (quarto) estava pouco iluminado (com um candeeiro de petróleo), que até assustava um “gajo”. Parecia qui tinha "Kamzúmbi"! Mandou-os sentar em dois caixotes vazios de sabão azul e branco e esta minha amiga, expôs o que a preocupava. Aqui para nós, creio que existem situações que temos, nós mesmos, di resolver e não contar tudo da vida, a uma “gaja” qui nem sequer lhi conhecia. Não é bem o meu estilo. Quando a Maria já estava esclarecida e aviada de um “patuá” e acompanhada de umas ervas para fazer chá, “milongo” (remédio), com a promessa que lhe iria trazer o "Xulo" (o namorado) dela de volta, a “Kimbandeira” virou-se para o Zacarias, fixou-lhe com olhos de "Liambeira" e lhe disse:


-E você, meu “kamanguista” dum raio, não precisas de nada? É que, desde que entraste aqui, senti que andas a fugir do amor…

Zacarias meio embaraçado respondeu:

-Desculpe? Mas…mas…como é que sabe que….?!!!


-Foi muito simplesmente pelo teu olhar, pois quem ti deseja quer mesmo ti conquistar e você estás com o medo, por causa de outras namoradas qui tivestes na Maianga, no Bairro do Cruzeiro e ti enganaram. Queres levar umas “coisitas”, uns “muloges” para ti dar entusiasmo?
-Não leve a mal, mas dispenso. Mesmo assim obrigada, respondeu Zacarias

 -De nada! Vou rezar à Nª. Srª da Muxima para ti dar “guzo” (força)!


E piscou-lhe o olho. Saíu dali todo baralhado e a pensar: como raio é que ela sabia que o Zacarias já tinha sofrido por amor e que andava “marado”, com a Josefa, uma miúda, preta-fula, cheia de “demengueno”, saia curta, com trança na carapinha, qui lhe pôs a delirar, e que há mais de 6 meses não a via. Oito dias depois (PASME-SE!) cruzou-se com a Josefa junto à loja do “Campino”, perto da Farmácia São Paulo, à entrada do Bairro Operário (Bê-Ó) e, como sempre, ela foi muito gentil. Convidou o Zacarias a sair com ela de noite, a assistir o filme “Aventureiros na Lua”, no Cine-Colonial. Sem perceber como, completamente “Boamado”, a boca dele respondeu-lhe que sim, que podia ser. Foi a correr p’ra casa, vestiu a calça de “Kaqui”, engraxou os “pankes” com as solas meias rotas, encheu os cabelos de brilhantina sólida, e “bazou”, mas…sempre a pensar na bruxa! Acreditem se quiserem, teve uma noite incrível em que a Josefa confirmou tudo o que ele pensava sobre ela e que, embora o negasse, se tivesse apaixonado por ela. Jantou no Cravo, dançáou no Braguez e aceitou ir para casa dela tomar um “Katembe” (vinho branco com pepsi-cola) bem gelada. A gostosura da “gasosa” com o vinho do “Puto”, levou-lhe a partilhar com ela num profuso beijo linguado e, se lhe inundou a boca, só pelo contacto do beijo, ficou “arrasca” com uma vontade grande de fazer amor com ela. E…”chôxo para ali, chôxo práculém”, despojados de roupa e numa histeria de sentimentos “embruxados”, fizeram amor logo ali na esteira, onde deitados nela, lhi arrancou gemidos de prazer. Gritava parecia qui tinha diabo na alma...

Excelente amante, a Josefa! Que conseguiu travar o “tsunami” íntimo dentro do Zacarias. Não satisfeita, lhe arrastou para a cama, com colchão de palha de milho – cheio de caroços – e aí, sim! Amáram-se com fervor enfeitiçado, até dizer basta….! Abraçado a ela e totalmente feliz, pensou com os meus botões, se no meio daquele “trumuno” todo, não houve “dedinho” da “Kimbandeira”….?!
RECORDAÇÕES…que dão sempre Histórias para contar!


BANGA NINITO

2014

30/07/2014

O AMOLADOR


Hoje quando me dirigia para as Finanças do Cacém vi com uma motorizada toda moderna um antigo amolador de tesouras e facas e que também arranja chapéus de Chuva. Com curiosidade e por ser um jovem entabulei conversa e ele disse-me: amigo antes isto que andar a roubar, esta era uma das profissões do meu avô. Nostalgicamente recordo-me que nos idos anos em frente à Ginjinha da Avenida, depois de percorrer a rua de São José nos anos de 1975 parava o Amolador Sr. Venâncio para se refrescar com uma ginja com elas e ter dois dedos de conversa com o meu pai que na altura trabalhava na dita Ginjinha. Esta pequena história, passada na minha juventude para dizer que é umas das tais profissões que com os avanços tecnológicos se extinguiu. O Senhor Venâncio percorria todo o Rossio e Praça da Alegria, 

foto obtida em: http://www.amolador.htm

 
Estamos em tempo de chuva e este é também tempo de amoladores! Antigamente associava-se o som da “gaita” deles, ao sinal de chuva iminente.

O amolador o qual, antigamente, também era reparador de sombrinhas, é um comerciante ambulante, o qual transporta-se numa bicicleta ou motocicleta para oferecer seus serviços de amolar facas, tesouras e outros instrumentos de corte. Modernamente, ao longo do século XX, os amoladores urbanos tinham que se estabelecer em comércios situados já dentro do recinto dos mercados já na rua. Estes comércios têm uma dupla função, tanto lugar de trabalho para o amolado de ferramentas de corte como ponto de venda das mesmas.

O amolador tinha como funções afiar tesouras e facas, consertar guarda-chuvas, rebitar panelas e tachos e consertar alguidares de barro partidos (por aplicação de gatos – pequenos ganchos de arame).

Na primeira metade do século XX, havia uma grande comunidade de galegos em Lisboa, dedicados nomeadamente às antigas profissões de aguadeiros, amoladores, carvoeiros, taberneiros, merceeiros e alguns ligados à indústria hoteleira, que mais tarde se tornaram grandes empresários.


A bicicleta tem sido modificada de forma que em sua parte traseira leve montada o esmeril mecânico com uma pedra de amolar a qual emprega-se para amolar os objetos cortantes. Anda pelas ruas da cidade ou povoado e para anunciar sua proximidade usa uma flauta de pã de canos ou plástico como apito, chamada em espanhol de chiflo, a qual sopra fazendo soar suas tonalidades consecutivas, de grave a aguda e vice versa.


A começos do século XXI Já não se veem amoladores pelas ruas, mas agora vejo que ainda os há e assim vão ganhando uns trocados para as despesas.






 

 
 
 
 
 


 
Amolador da era moderna
 

 
ZÉ ANTUNES

1975











16/07/2014

AFINAL ANDÁVAMOS A PAGAR “ERROS” DOS BANCOS!


Junto te envio, revoltado contra este dirigente político dr. Passos Coelho, o texto abaixo redigido, para que o meu Amigo da "BANDA", publique no, "Blogue"...LUANDA TROPICAL… ("Giputo"), que dirige! É que, Hoje, já não existe divisão; existe, antes, desagregação que é a última fase de desunião e que procede à falência. Não obstante isto, as "falcatruas" (burlas) repetem-se, multiplicam-se, malbaratam-se, sinal evidente de que não se compreende a sua função, daí todos esses conflitos de agitação e desordem, nas manifestações que, ultimamente, se têm vindo a registar.

Não sei se compreendes este "paleio" da União Europeia, sim, porque tás habituado à "lenga-lenga" do Bê-Ó e do "Bairro Zangado"...Mas, enfim, vou arriscar!
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Sua Exaª o Sr. Primeiro-Ministro, disse: “…que os erros de avaliação dos bancos não devem ser pagos pelos contribuintes (…) Que as empresas que olham mais aos amigos, do que à competência, pagam um preço por isso, mas esse preço não pode ser imposto à sociedade como um todo e muito menos aos contribuintes”. Que é o mesmo que dizer, que não deve ser o dinheiro dos impostos dos portugueses (erário público), a cobrir as dívidas contraídas por esses seus gestores e família. Aliás, é até um roubo, pois em programa de nenhum partido diz que os contribuintes devem pagar os prejuízos causados por irresponsáveis corruptos. 

Acrescenta ainda o Sr. Primeiro-ministro: “que o povo não deve pagar os erros dos capitalistas”. Mas…Sr. Primeiro-ministro, afinal, é exatamente o contrário, o que temos vindo fazer. Andámos todos a pagar, há mais de dez anos, os erros desses gestores bancários! E não é só! Por exemplo, V. Exa., Sr. Primeiro-ministro (digo eu, agora), dispõe de um “arsenal de gente que surpreende não apenas pelo número como pela obscura natureza das ocupações. Vejamos, tem a seu cargo: um chefe de gabinete, dez assessores, sete adjuntos, quatro técnicos especialistas, dez secretárias pessoais, uma coordenadora, treze técnicos administrativos, nove elementos para apoio auxiliar, doze motoristas e não estão aqui incluídos, neste “batalhão”, o avultado grupo de platirríneos (“gorilas”) que o protege de eventuais percalços. Este pessoal custa, por mês, ao erário público, perto de 150.000 euros. E é V. Exa, que se prepara para aumentar, ainda mais, os impostos, “cortar outra vez nas reformas e nas pensões. Sinceramente!

Os exemplos procedentes de quem os devia dar estão “camuflados”, porque fundados numa forma de reflexão assente no cifrão e na cifra. E quando se pensa – e como não pensar? – que todo esse “esbanjamento” de dinheiros públicos, gastos nas costas dos contribuintes, nesta sociedade que despreza o futuro dos mais novos e ignora o desespero sem saída dos mais velhos, o que há mais a dizer? 

Meus Senhores: os vexames a que têm sujeitado os portugueses (alguns), são das situações mais tristes e ignóbeis registadas no nosso tempo. A Europa tem servido de respaldo, a muitas “patifarias”, que nos têm sido feitas, em subserviência à chanceler Merkel. O que a Alemanha não conseguiu, com duas guerras mundiais, está a obtê-lo agora, com a mediocridade ultrajante e a cumplicidade servil desses dirigentes políticos europeus. E... ainda têm a sorte de ganharem o “campeonato mundial de futebol”, estes plebeus! 

Aqui fica o ABRAÇO (Kandando, na línguagem dus Pretus) de grande Amizade, acompanhado dos Votos de muita saúde, para ti e para os nossos "Artilheiros" do Penico D'ourado! 

Do sempre AMIGO ao dispor
NINITO
(nome de motoqueiro Sanzaleiro)
Cruz dos Santos
 (nome de Escritor da União Europeia)

 
 2014

29/06/2014

VIDAS ( AMIGOS )



Joaquim Costa meu amigo de infância desde Luanda, conheci-o no Bar São João na Vila Clotilde em Luanda a quando do nosso regresso a Portugal, o I.A.R.N. aloja-o numa pensão ali para os lados da Rua dos Correeiros.


Estando em Lisboa lá nos íamos encontrando e quase todos os dias ao fim da tarde era ponto de encontro para beber uns finos nos Bares da Baixa Lisboeta, Bessa, Pic – Nic, Leão Douro e Pingo Bar onde copo atrás de copo íamos recordando dos nossos momentos anteriormente vividos em Angola principalmente em Luanda, e também desabafando o nosso dia a dia na Tuga.

Esplanada na Rua Augusta ( foto net )

Falava-se muito das Províncias Ultramarinas do regresso dos nossos amigos para onde iam, onde estavam, enfim queríamos saber noticias. 

Nessa altura eu e ele fomos trabalhar no que nos iam aparecendo, eu já estava no Teatro Variedades, e a convite do meu irmão Fernando o Quim Costa vai trabalhar também para o Teatro Variedades, teatro de Revista que ia estrear a “ Aldeia da Roupa Suja” Revista com um grande elenco. 

No teatro tinha uma politica óptima que era na altura dos recebimentos, recebíamos á semana o que era bom pois tínhamos sempre dinheiro para os gastos.

Teatro Variedades ( foto net )

Nos jantares principalmente ao Domingo entre a sessão da tarde “matinée“ e a sessão da noite a “Soirée” íamos todos jantar ao Riba Douro, Águia de Ouro, “Júlio das Miombas” e muitas vezes ao “Ferreira” tudo ali perto do Parque Mayer.

Muitas figuras do elenco, Ivone Silva, Nicolau Breyner, Camilo de Oliveira, Mafalda Drumond, Natália de Sousa e muitos outros e também as bailarinas, iam jantar connosco e nesses jantares existia uma amizade entre todos, inclusive a Ivone Silva foi convidada para Madrinha de uma bebé de um funcionário do Teatro.

Ivone Silva ( foto net )

Amizade que no caso de Quim Costa e da Bailarina Patrícia deu namoro.

Minha mãe gostava do Quim e um dia disse-lhe:

Joaquim meu filho não te iludas, isso é sol de pouca dura, e realmente o namoro durou pouco tempo, pois a Patrícia depressa desapareceu com a ilusão de promessas que nunca foram cumpridas ( promessas de que iria para um grande programa da nossa R T P, o que nunca aconteceu quiseram foi aproveitar-se da ingenuidade dela, com vergonha nunca mais a vimos.

Joaquim Costa recompôs-se dessa situação.

No ano de 1977 nos Santos Populares, numa das festas Populares da Praça da Figueira, entre sardinhas assadas, saladas mistas, broa de milho, caldo verde e muito vinho, sangria e cerveja e muita animação, numa troca de olhares , lá estava o Quim e a Maria Manuela a dançarem durante toda a noite, foi ai que conheceu a mulher e mãe dos seus dois filhos. 


Santos Populares ( foto net )

Nestes anos todos de vivência ainda trabalhamos juntos na “FISIPE” Fábrica de têxteis sintéticos, comprada em 1975 pelos Japoneses, altura conturbada da nossa politica onde imperava o “ PREC “ Plano Revolucionário em Curso.

Meu amigo Quim, mais tarde é integrado numa companhia Holandesa de Reparações e Manutenções de Navios Cargueiros onde se encontra actualmente a trabalhar.

Nas suas vindas a Lisboa, faz um esforço para se reunir todos os seus amigos e com saudades combinamos todos uma jantarada que passa a fazer parte dos Convívios da Confraria do Penico Dourado de que ele também é membro.

Confraria do Penico Doirado

Sempre com esta animação, também nos entristecemos quando sabemos da ausência de algum nosso amigo. Teria muitas histórias para contar dos bons e alguns maus momentos que vivemos naqueles dias a seguir ao nossa vinda de Africa, tempos onde reinava também uma certa anarquia em Portugal.


ZÉ ANTUNES

1976