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04/02/2015

O MEU EXAME DO “PROPEDÊUTICO“


No ano letivo de 1975/1976 matriculei-me na Escola Industrial Machado de Castro, no número 41 da Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, ali perto da Avenida Alvares Cabral, trabalhava de dia e á noite estudava para acabar o chamado Propedêutico que era uma preparação para a entrada no Instituto Superior Técnico recordar os exames do Propedêutico que, globalmente, me correram bem, para quem, durante o ano letivo, tinha feito quase tudo menos assistir às aulas e estudar. As provas escritas deram, pelo menos, para ir à oral a todas as disciplinas - mesmo a Geometria Descritiva, em que era a disciplina mais fraca na qual tive apenas 8 valores! – razoável a Matemática, claro, na qual tive 13 valores. Mas, desta vez, havia a 2ª chamada, em Setembro e eu tinha que acabar o ano. Estava cansado das poucas aulas, das greves, dos comícios da associação de estudantes que por tudo e por nada arranjavam maneira de não haver aulas!

A preparação dos exames do Propedêutico, começou a ser feita na Avenida Álvares Cabral, em casa da Maria Inês. Depressa descobri que, assim, não conseguiria estudar coisa nenhuma… A Maria Inês queria era tempo para andar na politica fazia parte da Juventude do MRPP – Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado de inspiração
maoísta, fundado em 18 de Setembro de 1970,  

Foi então que comecei a estudar na Pastelaria Estrela, um cafezinho simpático mesmo em frente ao prédio onde residia na Álvares Cabral, e que tinha, só cinco ou seis mesas, sempre ocupadas por estudantes. Naquele tempo, estudar nos cafés era prática corrente. Lá, podia-se estar descansado, horas seguidas, com uma bica à frente e com um maço de cigarros SG Gigante, a estudar as diversas matérias. Foi nessa Pastelaria que conheci o Eduardo Pires que acabara de entrar no Instituto Superior Técnico e que era um barra em Geometria Descritiva. Assim que tive conhecimento da mísera nota que obtivera no exame de Geometria Descritiva, pedi-lhe que me preparasse para o exame da 2ª época. Passámos o verão de 1975 enfiados na Pastelaria Estrela a fazer exercícios mas o esforço valeu a pena. Na 2ª época, tive 12 valores na prova escrita e, na oral, consegui subir para 15 valores! 

Em Junho de 1976, concluía o curso complementar de acesso ao ensino superior ramo mecanotécnico na Escola Industrial Machado de Castro.

Ainda mal refeito deste esforço, agarrei-me outra vez aos livros para os exames de admissão ao Instituto Superior Técnico. O que eu marrei!… E, dessa vez, não fui premiado. Consegui só 10 valores na prova escrita, mesmo assim suficientes para ir ás provas orais e, em Outubro de 1975, por motivos de trabalhos faltei a esses exames, tendo só no ano 1991 retomado os exames já com a equivalência do 12º ano.

Foi também em 1975 que comecei uma espécie de Diário, onde escrevia comentários sobre o meu dia-a-dia e colava recortes de jornais com notícias que eu achava importantes, cartoons, publicados nos jornais diários, bilhetes de cinema dos filmes que ia ver, com comentários diversos, registo dos livros que ia lendo (sobretudo os famosos Cadernos D. Quixote, com temas como "A pílula é um perigo?" ou "O futuro é dos jovens") escritos em toalhas de papel dos restaurantes, e até alguns registos dos jogos de futebol a que ia assistir, prática que mantinha desde que cheguei a Lisboa…

A frequência na Pastelaria Estrela , para além das disciplinas que ali estudava, também foi lá que conheci o Júlio, filho do proprietário, o Norberto de Andrade, Madruga e o Pedro que tinham chegado de Moçambique, e o prazer inimitável da bica e do cigarro, com a sinergia desses dois sabores que se complementam, a cafeína que confere à língua um toque de veludo quente e o fumo que se enrola na boca e desce pela garganta com um paladar único.

Já tinha bebido bicas antes, claro em Luanda. Lembro-me que a primeira bica que bebi, teria talvez uns 12 anos, foi no Bar São João ( Matias ) um snack bar no Largo do Bairro Popular nº2, na altura a convite dos mais velhos que frequentavam a J.O.C. ( Juventude Operária Católica ) . Na altura soube-me mal, quase tão mal como o primeiro cigarro mas, como dizia o Fernando Pessoa a propósito da Coca Cola, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Mas foi aos 20 anos, com o estudo sistemático na Pastelaria Estrela, que aprendi a gostar de beber a bica enquanto degustava um cigarro. E afirmo que é um prazer único. O problema é que há muitos prazeres únicos (e não é problema nenhum, antes pelo contrário…)

E falando em cigarros!! Qual é o cigarro que sabe melhor? O mítico cigarro depois do sexo? Não me parece. Julgo que o cigarro depois de um bom sexo (e postulo que todos os atos sexuais têm sempre qualquer coisa de bom) é como a Serra da Estrela ao pé dos Himalaias. Trata-se de mais uma daquelas imagens que o cinema introduziu e divulgou massivamente, de tal modo que mesmo alguns não fumadores não dispensam um cigarro depois de fazer amor. O primeiro cigarro da manhã é bom; o cigarro a meio da manhã, quando faço uma curta pausa no trabalho também é óptimo; o cigarro antes de almoçar e o que se fuma depois, com a bica e o whisky também sabe bem; e vários outros cigarros são tão bons como os melhores. É este o problema dos fumadores: é raro o cigarro que sabe mal, caramba! Se, no nosso dia a dia, um ou outro cigarro começasse a saber mal e esse número fosse aumentando à medida que os dias fossem passando, talvez nós acabássemos por só fumar depois do ato sexual.

Foi também na Pastelaria Estrela que conheci o Zé Lima que acabou por se tornar o meu grande amigo durante anos. O Zé Lima era mais velho um ano do que eu alfacinha de gema, e frequentava o 2º ano na Faculdade de Ciências. Não fumava. Até ao Natal de 1975, eu o Zé Lima, os seus dois irmãos mais velhos, o Fernando, o Luís, e um amigo deles o Joaquim ( Madeirense ) que trabalhava nas oficinas aeronáuticas de Alverca e que introduziu, no grupo, a célebre frase "É o fim pá!") formámos uma equipa que se reunia diariamente no Pingo Bar, no Pic – Nic, no Leão Douro e no Bessa, ou no Sol Mar (e daí partia-se para os programas mais variados). E o que é que se entendia por programas, nos anos 70, para jovens de 18-20 anos com o pouco dinheiro que tinham, e estando em Lisboa? Ir ao cinema, por exemplo.

Alguns filmes que eu registei ter visto, além do tal com o Clint Eastwood e da "Morte em Veneza": "Borsalino", "A Filha de Ryan", "Os Caminhos de Katmandu", "Easy Rider", "Dr. Divago", "Destinos Opostos" (com o Jack Nicholson), "Lawrence d'Arábia", "Os Insaciáveis", "Inimigo Público" (com o Woody Allen), "As Sandálias do Pescador", "Romeu e Julieta", "A Festa" (com o Peter Sellers), "Um homem e uma mulher", "Love Story". 

 Outro programa: ir ao cinema, à meia-noite, ao Politeama, ver "filmes de terror" e, depois, emborcar imperiais no Sol-Mar, ali na Rua Jardim do Regedor e regressar a casa a pé, chegando perto das cinco da matina, para grande desespero do Ti Júlio e da Ti Carmitas meus pais , que viam o filho a fugir-lhe por entre os dedos da sua autoridade cada vez mais posta em causa. O que vale é que a minha irmã Melita estava sempre presente, para pôr água na fervura...

Outro programa: jogar à bola num campo de futebol em terra batida. Ali para os lados de Xabregas, assim, aproveitávamos algumas tardes, e íamos dar uns toques na bola. Depois, suados e cansados, íamos até ao bar mais próximo beber umas cervejolas e comer pregos. Já em 1975 o estrago de um desses dias: um prego, dois pasteis de bacalhau, uma caneca e uma imperial - 50 escudos…
Outro programa ainda: jogar á lerpa. Neste particular, eu, o Zé Lima, o Fernando, o Transmontano, o Machado e outros, que já esqueci, juntávamo-nos, geralmente em casa do Manel, ( já mais velho que era vendedor de vinhos), na Rua do Ouro num 2º andar, para o depenar, alguns de nós tínhamos uma série de sinais combinados, fazíamos o pobre Manel perder grandes somas. Outro que era um Cristo o Zé Alfredo, que perdeu 2500 escudos numa tarde. Pode parecer pouco mas, mas na altura era meio ordenado mais ou menos…

No final de cada lerpa tinham que abrir as janelas dos aposentos , porque o fumo dos cigarros era tanto que parecia ter caído um denso nevoeiro. Quanto aos pais, do Manel já se tinham habituado à ideia de que tinham um filho fumador mas eu, sempre muito respeitador, não fumava ostensivamente à frente deles. Foi ai que conheci o Henrique dos Prazeres, que tinha vindo de Luanda e morava num quarto nesse prédio. Aliás, visto à distância, este grupinho de bons rapazes até que se integraram bem na vida Lisboeta, mas a verdade é que comungávamos as mesmas ideias e, sobretudo eu e quase todos os amigos acabamos por mais tarde criar a Confraria do Penico Dourado.

Havia quem não gosta-se destas amizades, e a pouco e pouco iam-se afastando e acabavam por desaparecer. 
ZÉ ANTUNES

1975

PARA QUE SERVEM OS NOSSOS IMPOSTOS?


Meus Senhores, vamos pôr os pontos nos “is”!? Portugal, está “embrulhado”, “empacotado”, numa encruzilhada pouco dignificante, ou seja, num cruzamento decisivo. O caminho que escolhermos, condicionará o nosso futuro colectivo por muitos e longos anos. No meio de todos estes imbróglios, é muito estranho, que os principais partidos não consigam estar de acordo sobre uma política de transportes, de saúde ou de educação, quando, por exemplo, as diferenças doutrinárias entre eles são mínimas. Mas não! Preferem atuar sob pressão, quando a capacidade negocial é nula e o tempo para pensar inexistente. 

Uma opção, salvo melhor opinião, terão de fazer: ou cortar substancialmente despesa estrutural do Estado, ou aumentar o já elevado nível de impostos que pagamos (os que pagam!), porque não chegam para manter a “máquina” existente. Temos, de facto, de reduzir a despesa do Estado – urgentemente –para nos libertarmos da pesadíssima carga de impostos e taxas a que estamos sujeitos. Não é que esta carga seja demasiado elevada, face a outros países da Europa. Até fica dentro, ou abaixo da média europeia. Mas…tem subido muito, nos últimos tempos e começa a penalizar decisivamente a atividade econômica. O nível de taxas de impostos em Portugal, face a uma economia pobre e mal organizada, é elevadíssimo e o nível de retorno em eficiência nos serviços prestados e bens fornecidos pelo Estado e entidades públicas em geral, é muito baixo, diria mesmo, marginal! É carregar o pobre, é molestar o trabalhador, é explorar o mais pequeno!

Quando as organizações do Estado, gastam mais energia para se manter a funcionar, ou simplesmente, para sobreviver do que a que gastam para servir o objectivo para o qual foram criadas, estamos perante um fenômeno chamado “entropia”. É o fenômeno, que se passa no Estado português: a “máquina” gasta mais energia e recursos para se alimentar a si própria e sobreviver, do que para servir a sociedade em que se insere. Por isso, é importante repensar o modelo de tributação que temos em Portugal e questionar para que servem os nossos impostos, e…os “Partidos Políticos?”

 
Banga Ninito

2015

27/01/2015

CORTEM, E DESCONTEM, A QUEM NÃO PRECISA!


Senhor Diretor:

Permita-me V. Exa. que enumere algumas injustiças, cometidas contra todos os contribuintes sérios, que – honradamente - se preocupam com o pagamento dos seus impostos. Qualquer política social, salvo melhor opinião, tem de obedecer sempre a um princípio: o “Estado tem de ajudar a quem precisa”! Até aqui tudo certo. Mas…é baseado nessa filosofia (já gasta), que este pobre país é constantemente “inundado” de oportunistas (“chicos-espertos”), que sabem tirar proveito das circunstâncias de dado momento em benefício de seus interesses. Porque esse mesmo Estado, quando distribui dinheiro dos contribuintes, tem de ter a certeza de que quem está a ser ajudado necessita mesmo dessa ajuda. É que existem p’raí, infelizmente, muitos “chorões” e aldrabões a “pedinchar”, mas…com avultadas somas depositadas em instituições bancárias. Até há bem pouco tempo, podia candidatar-se ao “Rendimento Social de Inserção” (RSI), quem não tivesse rendimentos, mesmo que tivesse uma conta bancária com 99.999 euros. É verdade! Eu disse bem, noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove euros. “A poupança do candidato só não poderia ser igual ou superior aos 100 mil euros”. Inacreditável, não é? Mas, poderia ter o primeiro valor referido em dinheiro depositado, mais a posse de barcos, carros e casa, no valor de centenas de milhares de euros, esses “pobrezitos” coitados! O discernimento e a sensatez, como é óbvio, foi recentemente alterada. Mas a chamada condição de recurso para os candidatos ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e outros apoios, ainda permite a posse cumulativa de: conta bancária com saldo até 25 mil euros; bens móveis sujeitos a registo, como carros, motas e outros, até ao valor de 25 mil euros; casa para habitação própria e permanente de valor até 188 mil euros. Tudo somado, a condição de recurso ainda permite ao candidato ao “subsídio social a posse de um patrimônio avaliado em 238 mil euros”.

Quantas famílias portuguesas conseguiram acumular esta riqueza? Mas afinal, perguntarão os Leitores do Diário de Coimbra, se alguém tiver patrimônio até este valor, fugir ao fisco, não declarar rendimentos e alegar que é pobre, pode receber o RSI? Em que país estamos? Estamos num país de oportunistas, de burlões, em que diretores de escolas particulares revelam que, ainda hoje lhes aparecem pais “a pedirem os formulários para pedido de ajuda do Estado ao pagamento da mensalidade dos filhos”, quando sabem que esses mesmos pais têm negócios, vivem bem, mostram sinais exteriores de riquezas, mas os mesmos responsáveis das escolas não podem recusar o “encaminhamento dos pedidos de ajuda”. Mas há mais “chicos-espertos” escondidos, cheios de “papel”, que passam por “gente de bem”, muito carinhosa, religiosa, crente em Jesus, amigos de comungar aos domingos, na santa missa! Bendito seja Deus!

Cruz dos Santos

2015

09/12/2014

HÁ, EM PORTUGAL, MUITA POBREZA INFANTIL!


Há um fator muito importante e com grande impacto sobre as crianças, que é o desemprego. O desemprego é um fator que tem um peso enorme, pela privação enorme que isso representa para as famílias na diminuição dos rendimentos, mas também na menor disponibilidade que os pais têm, porque estão preocupados, em procurar formas alternativas, que lhes possam dar algum rendimento.” Essa austeridade tem causado sérios impactos sociais, principalmente a Portugal, país resgatado pela Troika. 

É que além da geração perdida de jovens desempregados, essa crise também hipotecou a vida de milhões de crianças! Há famílias desesperadas, a viverem cheias de medo. Medo, porque os empregos não são seguros; medo, porque trabalham alguns meses e pouco tempo depois estão desempregadas; medo de ficar sem a reforma; medo de não conseguirem emprego e de não sobreviverem a todas essas privações; medo de serem despedidas, ou serem mal classificadas pelo chefe e, no meio de todos esses medos, quem sofre são as crianças! Essa severidade, tem vindo a causar um impacto forte na vida dos mais novos. Cerca de 500 mil pessoas ficaram sem abono de família; 120 mil dependem de ajuda alimentar para escapar à fome e mais de 85% destes desempregados têm filhos. 

E há quem já nem sequer tenha subsídio de desemprego nem Rendimento Social de Inserção. Há crianças que vivem em lugares onde não é possível crescer e aprender valores positivos. Essa rispidez de governação, é uma autêntica violação dos direitos das crianças e do homem. O ilustre Dr. Jorge Sampaio (ex-Presidente da República), disse na Gulbenkian que, «Não estamos a conseguir garantir igualdade de oportunidades às gerações mais jovens nem sequer a mostrar-lhes que o sucesso não depende de alguém ter nascido rico ou em privilégio, mas sim do seu próprio mérito». 

A desigualdade dos mais jovens, como a pobreza infantil, não são chagas apenas do presente, terão reflexos cruéis no futuro. Comprometer o futuro é o que estamos a fazer com aquilo que Sampaio descreve como a «aplicação severa e drástica de medidas de austeridade centradas no curto prazo e unicamente movidas pelo intuito da redução de défices». Por outro lado, a distinta Magistrada Drª. Maria José Morgado, denunciou que: “A classe política aproveitou a sua oportunidade, que não é a oportunidade do bem comum. Choveram fundos europeus para ajuda a Portugal, mas esses fundos foram apropriados individualmente, para enriquecimento individual, para a miséria da população e não para o desenvolvimento económico, tal como foram atribuídos os fundos sociais europeus.” 

Meus Senhores: nos próximos sete anos, Portugal vai receber 1600 milhões de euros do Fundo Social Europeu, para ser usado em colmatar a pobreza e minorar, o sofrimento e a fome dessas crianças. Pergunto: Será que vai ser mesmo usado, para esse fim? Termino com essa sentença de Almeida Garret, que dizia que “Para fazer um rico, são necessários milhares de pobres!”

Cruz dos Santos

2014

14/11/2014

A N G O L A /// L U A N D A


Um PEQUENO DESABAFO, nesse tempo chuvoso e frio!

 "Tenho vontade de chorar...quando me lembro de Angola...."


É verdade! Sinto fome de ti Luanda. Das palavras livres, proferidas pelos "miúdos" da minha sanzala! Estou farto, saturado mesmo, de palavras que apenas dizem o que podem dizer, e que...Não me dizem nada! Tenho ânsia de viajar com as palavras por dentro dos imensos infinitos da linguagem. Quero saborear os "ditongos" e os "substantivos" da minha Lavra, que são adocicadas pela cana do açúcar. Tenho ânsia de ser um "pimplau" (pássaro) impossível que recusa as palavras que dizem apenas o que querem dizer. Estou farto de palavras direitas e certas, controladas por essas leis burocráticas. Palavras "amarradas", carregadas de vocábulos difíceis de entenderem e que dizem o que toda a gente diz...NADA! Sinto fome de liberdade, de correr e levar "berrida" no interior dos meus becos; sinto saudades dos meus Amigos "Kandengues" e dos nossos "mais velhos" da Ilha, no bairro dos pescadores! Sinto fome e sede, de comer o meu "funge" numa cubata de pau-a-pique e de beber daquela água da "moringa", filtrada na pedra até à "sanga"! Fome do fascínio das mulatas, e do poder embriagador que envolve a beleza "achocolatada" da Negra...Ai que saudades..."Gana Zambi"! Tenho fome de soltar este surdo grito que está dentro de mim, carregado de saudades e que me tem "aleijado", dia e noite, esta minha alma já desgastada de tanto chorar. 

Até quando meu Deus!?? Sinto por dentro de mim esta liberdade enclausurada, que as palavras livres oferecem, sinto esta divina transgressão que me seduz até à medula da minha alma. Para que é que hei-de dizer sempre o essencial, o fundamental, ou o que se pensa que está certo para toda a gente? Grito sozinho à noite, suplicando à Nossa Senhora da Muxima, que não me deixe morrer aqui, nesta terra de palavras que nada me dizem! Eu não entendo nada destas palavras, acreditem! Porque não experimentar a liberdade desta transgressão? 

Gostaria de ser como o Poeta de verdade, que arranca dos monstros do "não-sentido", as mais belas crianças desejosas de nascer...Crianças nunca vistas, flores nunca sonhadas, gritos que a curta visão do presente procura levianamente matar na sua dimensão de futuro.

Sinto fome de palavras, provindas do "Kimbundo", que são palavras livres, soltas e grandiosas de poesia, que o Poeta fecunda e desentranha de um dizer imenso, onde a humanidade inconscientemente se espraia, sonha e espera...

"TENHO VONTADE DE CHORAR...QUANDO ME LEMBRO DE ANGOLA"!! ( canção do duo Ouro Negro )


BANGA NINITO

"Tenho vontade de chorar...quando me lembro de Angola...."


 A saudade é uma coisa lixada, basta ás vezes olharmos para um feito, ouvirmos uma música, tantas vezes uma conversa e lá está a saudade a alojar-se dentro de nós num cantinho do peito destinado ás boas memórias ( alguém disse: a saudade não tem braços mas que aperta aperta ) ás vezes aperta tanto que sufoca e quando já não cabe no peito escorre pelos olhos, tenho saudades tuas, disto e daquilo, daqui e dali saudades de Angola de Luanda que hoje 11 de Novembro celebras 39 anos da tua independência, hoje é o teu dia de todos os angolanos e daqueles que lá viveram. Por tudo isso sinto saudades da minha Angola, do meu Bairro, dos meus amigos.

Eu sei que num silêncio ensurdecedor que se instala no nosso coração, durante estes anos todos existe aquele sentimento ambíguo. Sentimento que sentimos quando vemos partir aqueles que fizeram parte das nossas vidas, aqueles a quem considero amigos do peito.

Tudo nos aconteceu de um dia para o outro, tristezas pela separação de amigos quando fomos bombardeados na guerra dos senhores e dos interesses estratégicos, e tivemos que abandonar a terra que mais amava-mos.


Continuo a ter saudades tuas LUANDA e a gostar de ti ANGOLA, sinto como sempre um nó na garganta quando penso em tudo que vivi nos meus anos de infância e juventude.

Parabéns Angola por mais um aniversário da tua independência.

 
ZÉ ANTUNES

11-11-2014

05/11/2014

O DRAMA DA SOLIDÃO NA VELHICE!


Tem esta a finalidade de satisfazer alguns pedidos, oriundos de alguns elementos de instituições de caridade, sobre o desfecho pesaroso que muitos dos nossos "Seniores" estão a passar e que são verdadeiras "condenações de solidão" e de outras "atrocidades" ao seu bem-estar. Por essa razão, foi-me solicitado que publique, com a brevidade que me seja possível, esta pequena contribuição, no sentido de "aliviar" esse pesado "fardo", que todos nós, depois de velhos, estamos sujeitos a suportar.

Tem, ultimamente, chegado até nós, através dos meios de Comunicação Social, tristes e pesarosas notícias, alusivas ao desaparecimento de alguns idosos (a maioria sofrendo de Alzheimer), de outros a viverem sós e doentes, enfrentando “espinhosas” e consternadas batalhas de solidão, tremendamente aflitiva. Seguem-se aqueles que morrem sozinhos, em suas casas, sem um braço amigo ou uma palavra de conforto, que os possa aliviar ou socorrer. naquelas horas derradeiras de maior aflição. São esses dramas melancólicos, que ultimamente se têm registado, e que têm provocado estados de depressão e de revolta, a todos nós.

As ruas são lugares estranhos. As pessoas cruzam-se distraídas, de olhar abstrato e, nem sequer olham para aquilo que vêm. Uma senhora mais velha ou mais nova, pode tropeçar e cair, sem que ninguém pare, para a ajudar. Assusta perceber a indiferença nos outros. Deixa-nos vulneráveis, perplexos e, simultaneamente confusos, perante essas indiferenças. Perguntamos: mas…de onde vem tanta frieza, tanta inércia e negligência? “Quem são os responsáveis por esses nossos idosos?” Quando as relações com a família estão cortadas, deverão ser os vizinhos a ter essa preocupação, por uma questão de solidariedade? Existem associações ou entidades que possam prestar assistência a estas pessoas, sem fins meramente lucrativos? Também, nem todas as famílias têm disponibilidade para acompanhar o envelhecimento dos seus familiares. E é aqui que se levantam outras questões: devem estes idosos ser colocados em instituições onde, à partida, terão um melhor acompanhamento a todos os níveis, ou será uma egoísta transferência de deveres da família para uma instituição? O que leva a família a optar por esta solução privando, muitas vezes, o idoso do relacionamento familiar? Será, na verdade, uma solução válida, ou puro abandono de responsabilidades? E até que ponto estarão essas instituições preparadas para fazer face às necessidades dos idosos? Um escritor e psiquiatra francês (não me recordo o nome), escreveu sobre a “nossa bela civilização de sprinters”, para sublinhar esta espécie de corrida contra o tempo (e contra tudo e todos) em que vivemos, e nos deixa sem margem para olhar, para quem passa ao nosso lado. Sem capacidade de olhar e ver, de atender às necessidades dos que nos procuram, de parar e vermos (com olhos da alma), perdermos um “pedacinho” de tempo, para com o nosso semelhante. “Hoje eles, Amanhã nós!” Esta imensa passividade (ou sofrimento) que se instalou à nossa volta contraria as leis da natureza. Pelo menos, as da natureza do ser humano. Por tudo isso, é essencial ter presente, que os idosos não passam de um número, de uma mensalidade a mais a receber, em que apenas lhes é proporcionada uma cama, alimentação e pouco mais. E não são raros os casos de maus tratos e falta de condições. De qualquer forma, quem optar por essa solução, deve acompanhar, sempre que possível, os seus familiares, manter-se informado sobre a forma como são tratados, e constatar que realmente se sentem bem. Acima de tudo, é uma questão de amor – de cuidar e zelar pelo bem-estar e qualidade de vida daqueles que, um dia, já o fizeram por nós!
BANGA NINITO 

2014

03/11/2014

ESTAMOS PREPARADOS PARA UMA INVASÃO MILITAR?


A elite Europeísta, composta pelos seus soberanos magnatas capitalistas, têm vivido, única e exclusivamente, preocupadíssimos, com os dividendos e lucros obtidos pelos milhares de milhões de “Juros” acumulados dos empréstimos, do que pela tão propalada “ajuda financeira” (ajudas?) aos países mais pobres. Mas…que ajudas afinal temos tido com esses “auxílios”, se estamos, cada vez mais pobres! Essa elite europeia, especializada em relações internacionais vive dominada por uma escola de pensamento apolítico que assenta no paradigma pós-estatal, que tem vindo a anular a realidade por decreto ideológico. Consequentemente, essa mesma “aristocracia”, ao lutar ideologicamente contra a realidade e contra o “realismo”, perdeu o contacto com os instrumentos conceptuais, que permitem ver os fatos da política internacional. Portanto esta filosofia da mentira, mais não é do que o “suicídio” duma união falida, que desde o início, nunca ligou (pessoas) por laços afetivos e sociais. O que sempre fez, foi esconder e trocar a dignidade humana, pelo vil metal, esquecendo-se até (pasme-se!), da sua própria segurança militar. Por norma, as críticas dirigidas à Europa mencionam a falta de vontade política para empregar o poder militar. Daí a pergunta, dos Europeus mais céticos:“ Estaremos nós preparados, para enfrentarmos uma invasão área, ou terrestre em “grande escala”? “O que andam a fazer os russos, no nosso espaço aéreo português”? Que Forças Armadas temos, para a proteção deste frágil país: Portugal? Bom! A questão do “Poder” não se esgota no uso da força militar. Existe uma segunda dimensão do “Poder” – raramente salientada no debate europeu– que não está relacionada com o uso político da força militar, mas sim com uma questão intelectual situada a montante, a saber: a sensibilidade estratégica, ou seja, a capacidade para pensar através de conceitos como Estado, Potência, Sociedade de Estados, etc. Aqui, estamos no campo da sensibilidade (que falta a estas magnatas: Sensibilidade!), para compreender que uma “segurança duradoura” não depende da ajuda ao desenvolvimento ou do combate ao terrorismo, mas sim, da “observância de um certo padrão comum de moralidade” entre as grandes potências do momento. Isto porque a Europa, se continuar (só com as preocupações ligadas às obtenções dos lucros provenientes dos juros) e recusar os conceitos realistas, corre o risco de ficar afastada do processo de elaboração da “ordem mundial mínima”, bem como desprotegida de qualquer “invasão” militar. Em suma, se continuar a recusar as mudanças conceptuais e políticas impostas pelo mundo “pós-atlântico”, a Europa corre o risco de ser uma “peça secundária na política mundial”. “Um mundo sem europeus”!
 


Cruz dos Santos 

2014