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12/09/2015

ANIVERSÁRIO DE MEU PAI




Ai que saudade

Hoje mais que nos outros dias senti saudades de ti … pai … saudades de te ter por perto, de te abraçar, saudades do teu sorriso suave … saudades da tua face e teus olhos… hoje senti saudade de te olhar… saudades da tua voz aveludada… senti saudades de te ouvir falar, de me aconselhar hoje senti saudades de ti… afinal são longos anos sem a tua presença.

Saudades do meu Pai
Pai, onde tu estiveres já deves saber que a morte não existe, por isso não pode matar um AMOR VERDADEIRO como o nosso!!!! EU TE AMO TANTO meu velho lindo!!! A palavra AMOR só existe porque tu crias-te na tua infinita existência.... Meu pai; minha vida e razão do MEU SER!!! Cada lágrima de saudade que cai dos meus olhos é também uma lágrima de orgulho por saber que sou teu fruto. Todos os dias serão sempre TEUS, MEU PAI!!!

A saudade, esse sentimento único. Que nos mostra quem são as pessoas, que realmente marcaram nossas vidas. Tu és uma dessas raras pessoas, que eu nunca irei esquecer.

A saudade é um sentimento que nos alegra por nos dar a certeza que temos pessoas importantes no nosso convívio e também nos entristece, por lembrar que essas pessoas estão distantes.

Senti a tua falta

Hoje dia do teu aniversário lembrei–me de ti , com muitas saudades. Se estivesses entre nós farias 85 anos.

Hoje, de qualquer forma, celebramos silenciosamente o dia do teu nascimento, o dia que tu chegaste ao mundo para escrever a tua história e ser parte da nossa.

Perder um ente querido é uma situação difícil. Comemorar o aniversário de um pai que já faleceu é uma boa maneira de honrar a sua memória.

ZÉ ANTUNES
2015

11/09/2015

TORRES GEMEAS


Faz hoje exatamente 14  anos que o mundo assistia de forma perplexa o desabamento das famosas Torres Gêmeas, o Word Trade Center, após os choques consecutivos de dois aviões comerciais. Não se tratava de um mero acidente aéreo – o que muitos podem ter pensado após o choque do primeiro avião – mas sim da execução de um plano encabeçado por Osama Bin Laden. Somando-se os dois ataques às Torres, o ataque ao Pentágono e o avião que caiu na Pensilvânia no mesmo dia, quase três mil pessoas morreram. Desde aquela manhã de 11 de setembro de 2001, não apenas a história dos Estados Unidos, mas a de todo o mundo, nunca mais seria a mesma.
Foto net   
                          
 
Fotos postadas na internet revelaram um fenômeno curioso. Ontem dia 10 de Setembro de acordo com a rede ABC, um arco-íris surgiu no exato local onde ficavam as torres gêmeas, derrubadas após atentado terrorista no dia 11 de Setembro de 2001, em Nova York.

Foto net     


Eu estava em Lisboa em Santa Apolónia, a hora dos atentados estava a trabalhar e á hora do almoço fui almoçar a um pequeno restaurante nas proximidades e estava a televisão ligada. Quando comecei a ouvir as notícias do primeiro avião que embateu nas torres gémeas fiquei estupefacta, vi o segundo avião a ir contra a outra torre. Fiquei paralisada a ver as notícias sem acreditar no que estava a ver. Claro está que esse almoço demorou um pouco mais pois eram noticias atras de noticias .
 
 
ZÉ ANTUNES
 
2015



09/09/2015

FOTOS TIPO PASSE


Muitas vezes é necessário colocar uma galeria de fotos em determinado artigo que fala de algum evento onde participámos ou então simplesmente ter uma galeria de imagens! Neste artigo vou colocar todas as minhas fotos.

1955
 
1958
 
1961
 
1964
 
1967
 
1970
 
                                                                            1971
 
 
1973
 
1976
 
1977
 
 
1978
 
 
1980
 
1981
 
1989
 
 
2004
 
2005
 
 
2006
 
 
2008
 
 
2009
 
 
2010
 
 
2011
 
 
2012
 
 
2014
 
 
2015
 
 
ZÉ ANTUNES
2015
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

18/03/2015

CARTA DE UM REVISOR REFORMADO DA C.P. ao Secretario de Estado dos Transportes.



Sr. Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

Sou um cidadão a bater à porta da casa dos 70 anos. Setenta! Quase o dobro da sua idade. Penso que só por isso devia merecer o seu respeito e o respeito da sua geração. Geração, a sua, que ao invés da minha, não sofreu a míngua dum pós guerra, nem consumiu cinco anos da juventude numa inútil guerra pelas florestas e bolanhas africanas, hipotecando o futuro, interrompendo profissões, estudos e até em milhares de casos a própria vida. Futuro bem diferente do que a minha geração lhe proporcionou, justamente porque não quisemos que tivessem o mesmo fado que nós. 

Aqui chegados, à velhice, não esperávamos o agradecimento da vossa geração, porque fizemos o que devíamos fazer, dar aos filhos mais e melhor do que recebemos dos nossos pais, mas também não esperávamos a ingratidão, o desprezo e a desumanidade de quem não andou descalço, não passou fome, não expôs o corpo às balas e às doenças tropicais, não rasgou as carnes nas espinheiras, nem respirou tijolos nas picadas africanas, ou dormiu em enxergas de palha de tão sujas de suores e poeiras acumulados que se tornavam impermeáveis, com mosquitos, percevejos e pulgas por companheiros, tudo em defesa duma pátria, que agora nos escorraça. 

Aqui chegados dizia acima, com sorte, porque a vida é uma sorte, temos hoje naturalmente os nossos filhos a governar, filhos da nossa esperança, que como já disse, tiveram tudo mas, sabemos agora, que mais do que mereciam.

Para a vossa geração, tudo caiu do céu, como o maná bíblico, só tiveram de o apanhar. Nada devem aos analfabetos dos vossos predecessores, que de uma nação pobre, inculta, silenciada e subjugada - onde presumivelmente gostariam de viver, não? - , construíram um país livre e democrático para viverem e medrarem! 

Cuidamos agora que nos enganámos, mas já é tarde para remediar o mal feito, estamos velhos e dependentes, facilmente à mercê da vilanagem de “filhos” tiranos, que em minha opinião, o senhor tão bem personifica.

Só assim posso entender a baixeza e a malvadez das suas decisões e da governação de que faz parte. Presumo, que devido aos seus vastos afazeres académicos e políticos nunca terá lido a Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada pela Assembleia Geral da ONU a 10 de Dezembro de 1948, nem sequer alguns artigos da nossa Constituição, mormente os artigos 2º, 18º e 63º, mas também os artigos 65º e 66º. Se não os leu, aconselho que os leia o mais depressa possível, e os interprete, imparcialmente, se for capaz. Se os leu, então é grave, porque ou não entendeu nada, ou os subverteu o que ainda é pior. 

Saiba o senhor que, com a minha sorte também chegará a velho, e olhe que é já daqui a pouquinho, só espero é que os seus “filhos” não o tratem como o senhor a mim, aliás, a nós, porque todos os eus nesta minha carta, não só se referem à minha pessoa, mas a toda uma malfadada e mal amada geração. 

Usufruo de uma reforma da segurança social, para onde descontei desde sempre. Comecei a trabalhar aos 12 anos e a descontar aos 14 ( na altura a idade oficial para se trabalhar). Estudei alguma coisa à noite, após o trabalho, porque antes os meus pais não tinham dinheiro para tal e até porque a minha “féria” fazia falta lá em casa para garantir a dieta magra da família. Não fugi, fiz tropa e fizeram-me sargento. Apaixonei-me pelos cheiros e pelos horizontes de África, fiquei lá. Projetei e “plantei” linhas de alta tensão por centenas e centenas de quilómetros, e vim embora no ano em que o senhor nasceu, veja lá, com dois filhos e uma mão à frente e outra atrás, mas contente, porque o meu país finalmente era um país livre, para mim, para os meus filhos e para os meus futuros netos. 

O Estado não gastou um tostão com o meu retorno, nem com os meus, apenas gastou tinta invisível no carimbo que me colocou na testa que dizia “retornado” e que não me deixou exercer a minha profissão, apesar de ter patrão interessado, porque a tirania de outros que entretanto “invadiram” o meu país, não me deixavam trabalhar sem me inscrever no partido dominante. E eu embirro com imposições sobretudo de pensamento, de livre escolha. 

De projectista de linhas de alta tensão, fui por acaso e necessidade, parar a ferroviário, concretamente a revisor de bilhetes. Sofri outra vez uma vida de privações e a minha família ainda mais, mas dignamente! Enquanto, calculo, o senhor andava de livros na mochila ou debaixo do braço, eu voltava a dormir em enxergas sebentas; a passar frio; a descansar umas horas de dia e a trabalhar muitas de noite, meses sem ter um dia de folga; a deitar-me quando a minha mulher se levantava para também ir trabalhar e a levantar-me quando ela regressava; a passar muitos dias sem ver os filhos, nem os acompanhar à escola, ao médico; a passar natais, aniversários e outras datas marcantes na vida de qualquer pessoa, fora da família, na companhia de colegas, ou só, por esse país acima e abaixo. E até além fronteiras! Mas, sabia que o meu sofrimento e dedicação ao trabalho seria retribuído no fim do mês, garantindo assim o sustento e o bem estar relativo da minha família e porventura o meu, no fim da minha vida laboral activa. Não trabalhava apenas 60 dias por ano como um mentiroso investido de deputado, disse hoje na Assembleia da República, mas… adiante, que vozes de burro não chegam aos céus. Mas, sim, trabalhei muitas vezes 60 dias num ano, só que consecutivamente e em dois meses! 

Por conseguinte, reconstruí a minha vida a partir do nada, criei os filhos, nada devo ou alguma vez devi a quem quer que fosse e muito menos ao Estado e à comunidade. Durante a minha vida de ferroviário, que fortuitamente abracei , e pela qual me apaixonei, modestamente, sei que contribuí para a evolução de mentalidades entretanto operada, tanto nas condições de trabalho na altura e dos que me sucederam, como para a própria organização do trabalho na empresa, de que, curiosamente, ainda restam resquícios, após quase 10 anos na reforma. 

Sabia também, (sabia…) desde o dia em que entrei na empresa – imagine, teria o senhor menos de um ano de idade! - que quando me reformasse, se lá chegasse, teria direito pelo Estado, a uma reforma de acordo com os anos e valores que descontei (artº 63º da CR), e direito a um livre trânsito vitalício nos comboios da empresa, desde que tivesse mais de 25 anos de serviço. Esse foi o contrato! Ou melhor, era o contrato, porque o senhor, prepotentemente, usando os poderes que o cargo governativo lhe confere, a coberto do Orçamento de Estado e de um ardil populista, não teve pudor em deitar para o lixo.

Era, disse eu, e repito, porque sou do tempo da honra dos Homens, selada com um simples aperto de mão, a palavra, o papel escrito, ou o direito adquirido, era igual.

Como eu me enganei! Como fui enganado! Como os valores mudaram e como eu fui irresponsável por ter acreditado nas virtudes dos homens livres!

Quem me governa hoje considera que contratos ou acordos só são válidos e se cumprem os que são feitos com bancos, ou com grandes empresas, a que chamam Parcerias Público Privadas. 

Durante uns anos, ainda acreditei nas virtudes de certo idealismo político, - e olhe que não ando por aí arregimentado a agitar bandeirinhas - depois comecei a ter dúvidas, mas agora o senhor e os seus colegas de governo, definitivamente, tiraram-mas. Donde, e em conclusão, aprendi que este país não é para velhos, nem para gente séria!

Com o meu muito obrigado pela sua contribuição para a minha “felicidade”, faço votos que não chegue a velho para não ter de sofrer na carne e na alma o que eu e outros como eu, estamos agora a sofrer.

A terminar informo-o que sei o que dizem os artigos 21º,22º e 72º da Constituição da República Portuguesa, a nossa!
Passe bem.


PS: Desculpe, porém, não podia terminar sem lhe dar os parabéns, porque nem tudo que fez foi mau, mercê do seu comportamento tirano, prepotente e vingativo, conseguiu unir no seio ferroviário o que ideologicamente, nunca se conseguiu, antes pelo contrário!

2014

25/02/2015

VENCER A MORTE


Denunciava o Jornal “Público”, que o Neurologista e Escritor de contos clínicos, Oliver Sacks, sofria de cancro terminal, restando-lhe apenas algumas semanas de vida. Num discurso simples e emotivo, disse: -“Há um mês sentia-me bem, com saúde robusta…com 81 anos, conseguia nadar uma milha por dia”. E acrescentava nostálgico: -“Mas a minha sorte começou a andar para trás– há poucas semanas, soube que sofria de metástases múltiplas no fígado” e explicava que se devia ao desenvolvimento de um “tumor raro num olho…que tinha sido tratado há nove anos”. O distinto Esculápio, avança como vê o tempo que lhe resta para viver, dizendo: -“Sinto-me muito vivo, sem medo e espero que o tempo que me resta me permita aprofundar as minhas amizades, despedir-me daqueles que amo, escrever mais, viajar…alcançar novos níveis de conhecimento e compreensão”.

Por sua vez, o Dr. Adolfo Rocha (Miguel Torga), Médico e distinto Escritor, em fase terminal, deixava escrito no seu Diário (XVI), estas palavras: -“E aqui estou na vala comum de uma enfermaria a ver agonizar outros infelizes à minha volta. Passei a vida a tratar doentes (…) Mas faltava-me a prova suprema de sofrer sem esperança numa cama ao lado deles…mimado do mesmo mal incurável, mas…sem medo! Com a diferença apenas de que a ignorância lhes permite alimentar um absurdo fio de esperança, que, eu, por sabedoria profissional, não posso compartilhar (…) e sem forças para erguer uma palha…nem a escrita me deixa em paz. (…) Mas tenho de me render à evidência. A caneta cai-me da mão aos primeiros rabiscos. E ainda bem. Nasci para cantar a glória da vida e não para cronista da humilhação da morte”. 

Por outro lado, o célebre Advogado e Escritor Dr. António Duarte Arnaut (o Pai da Saúde), no seu livro “Vencer a Morte”, escreveu:-“O homem nunca aceitou a morte. Torga chamou-lhe um “escândalo sem remissão”. Não admira, pois, que desde o alvor dos tempos, a tenha tentado vencer pelas mais diversas e variadas formas, desde a magia à religião, passando naturalmente, pela filosofia e pela ciência. (…) A crença em Deus foi, desde os primórdios, a solução encontrada para vencer a morte (…)”. 

Meus Senhores: a morte física, faz parte do ciclo natural da vida, mas a morte da consciência humana é inaceitável. A Medicina, está mais preocupada em olhar de frente a Senescência (envelhecimento), deixando a morte para o Filósofo e o Teórico se ocuparem dum tema, que aceitamos como irremediável. Em 1882, Weismann foi categórico: “A morte biológica é obrigatória, para seres tão complexos na sua organização, como é o Homem”. Timidamente, o Homem, o único produto da natureza que põe questões a ele mesmo, deixa no ar a pergunta: “Morre-se de velhice”? Bom…Até ao momento, só o escolasticismo medieval deu uma resposta: “A vida é uma lamparina a óleo que se gasta queimando-se, enfraquece-se e finalmente extingue-se”!

Diz tudo e…não diz nada. É uma imagem demasiado terrena.

Cruz dos Santos 

2014

04/02/2015

O MEU EXAME DO “PROPEDÊUTICO“


No ano letivo de 1975/1976 matriculei-me na Escola Industrial Machado de Castro, no número 41 da Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, ali perto da Avenida Alvares Cabral, trabalhava de dia e á noite estudava para acabar o chamado Propedêutico que era uma preparação para a entrada no Instituto Superior Técnico recordar os exames do Propedêutico que, globalmente, me correram bem, para quem, durante o ano letivo, tinha feito quase tudo menos assistir às aulas e estudar. As provas escritas deram, pelo menos, para ir à oral a todas as disciplinas - mesmo a Geometria Descritiva, em que era a disciplina mais fraca na qual tive apenas 8 valores! – razoável a Matemática, claro, na qual tive 13 valores. Mas, desta vez, havia a 2ª chamada, em Setembro e eu tinha que acabar o ano. Estava cansado das poucas aulas, das greves, dos comícios da associação de estudantes que por tudo e por nada arranjavam maneira de não haver aulas!

A preparação dos exames do Propedêutico, começou a ser feita na Avenida Álvares Cabral, em casa da Maria Inês. Depressa descobri que, assim, não conseguiria estudar coisa nenhuma… A Maria Inês queria era tempo para andar na politica fazia parte da Juventude do MRPP – Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado de inspiração
maoísta, fundado em 18 de Setembro de 1970,  

Foi então que comecei a estudar na Pastelaria Estrela, um cafezinho simpático mesmo em frente ao prédio onde residia na Álvares Cabral, e que tinha, só cinco ou seis mesas, sempre ocupadas por estudantes. Naquele tempo, estudar nos cafés era prática corrente. Lá, podia-se estar descansado, horas seguidas, com uma bica à frente e com um maço de cigarros SG Gigante, a estudar as diversas matérias. Foi nessa Pastelaria que conheci o Eduardo Pires que acabara de entrar no Instituto Superior Técnico e que era um barra em Geometria Descritiva. Assim que tive conhecimento da mísera nota que obtivera no exame de Geometria Descritiva, pedi-lhe que me preparasse para o exame da 2ª época. Passámos o verão de 1975 enfiados na Pastelaria Estrela a fazer exercícios mas o esforço valeu a pena. Na 2ª época, tive 12 valores na prova escrita e, na oral, consegui subir para 15 valores! 

Em Junho de 1976, concluía o curso complementar de acesso ao ensino superior ramo mecanotécnico na Escola Industrial Machado de Castro.

Ainda mal refeito deste esforço, agarrei-me outra vez aos livros para os exames de admissão ao Instituto Superior Técnico. O que eu marrei!… E, dessa vez, não fui premiado. Consegui só 10 valores na prova escrita, mesmo assim suficientes para ir ás provas orais e, em Outubro de 1975, por motivos de trabalhos faltei a esses exames, tendo só no ano 1991 retomado os exames já com a equivalência do 12º ano.

Foi também em 1975 que comecei uma espécie de Diário, onde escrevia comentários sobre o meu dia-a-dia e colava recortes de jornais com notícias que eu achava importantes, cartoons, publicados nos jornais diários, bilhetes de cinema dos filmes que ia ver, com comentários diversos, registo dos livros que ia lendo (sobretudo os famosos Cadernos D. Quixote, com temas como "A pílula é um perigo?" ou "O futuro é dos jovens") escritos em toalhas de papel dos restaurantes, e até alguns registos dos jogos de futebol a que ia assistir, prática que mantinha desde que cheguei a Lisboa…

A frequência na Pastelaria Estrela , para além das disciplinas que ali estudava, também foi lá que conheci o Júlio, filho do proprietário, o Norberto de Andrade, Madruga e o Pedro que tinham chegado de Moçambique, e o prazer inimitável da bica e do cigarro, com a sinergia desses dois sabores que se complementam, a cafeína que confere à língua um toque de veludo quente e o fumo que se enrola na boca e desce pela garganta com um paladar único.

Já tinha bebido bicas antes, claro em Luanda. Lembro-me que a primeira bica que bebi, teria talvez uns 12 anos, foi no Bar São João ( Matias ) um snack bar no Largo do Bairro Popular nº2, na altura a convite dos mais velhos que frequentavam a J.O.C. ( Juventude Operária Católica ) . Na altura soube-me mal, quase tão mal como o primeiro cigarro mas, como dizia o Fernando Pessoa a propósito da Coca Cola, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Mas foi aos 20 anos, com o estudo sistemático na Pastelaria Estrela, que aprendi a gostar de beber a bica enquanto degustava um cigarro. E afirmo que é um prazer único. O problema é que há muitos prazeres únicos (e não é problema nenhum, antes pelo contrário…)

E falando em cigarros!! Qual é o cigarro que sabe melhor? O mítico cigarro depois do sexo? Não me parece. Julgo que o cigarro depois de um bom sexo (e postulo que todos os atos sexuais têm sempre qualquer coisa de bom) é como a Serra da Estrela ao pé dos Himalaias. Trata-se de mais uma daquelas imagens que o cinema introduziu e divulgou massivamente, de tal modo que mesmo alguns não fumadores não dispensam um cigarro depois de fazer amor. O primeiro cigarro da manhã é bom; o cigarro a meio da manhã, quando faço uma curta pausa no trabalho também é óptimo; o cigarro antes de almoçar e o que se fuma depois, com a bica e o whisky também sabe bem; e vários outros cigarros são tão bons como os melhores. É este o problema dos fumadores: é raro o cigarro que sabe mal, caramba! Se, no nosso dia a dia, um ou outro cigarro começasse a saber mal e esse número fosse aumentando à medida que os dias fossem passando, talvez nós acabássemos por só fumar depois do ato sexual.

Foi também na Pastelaria Estrela que conheci o Zé Lima que acabou por se tornar o meu grande amigo durante anos. O Zé Lima era mais velho um ano do que eu alfacinha de gema, e frequentava o 2º ano na Faculdade de Ciências. Não fumava. Até ao Natal de 1975, eu o Zé Lima, os seus dois irmãos mais velhos, o Fernando, o Luís, e um amigo deles o Joaquim ( Madeirense ) que trabalhava nas oficinas aeronáuticas de Alverca e que introduziu, no grupo, a célebre frase "É o fim pá!") formámos uma equipa que se reunia diariamente no Pingo Bar, no Pic – Nic, no Leão Douro e no Bessa, ou no Sol Mar (e daí partia-se para os programas mais variados). E o que é que se entendia por programas, nos anos 70, para jovens de 18-20 anos com o pouco dinheiro que tinham, e estando em Lisboa? Ir ao cinema, por exemplo.

Alguns filmes que eu registei ter visto, além do tal com o Clint Eastwood e da "Morte em Veneza": "Borsalino", "A Filha de Ryan", "Os Caminhos de Katmandu", "Easy Rider", "Dr. Divago", "Destinos Opostos" (com o Jack Nicholson), "Lawrence d'Arábia", "Os Insaciáveis", "Inimigo Público" (com o Woody Allen), "As Sandálias do Pescador", "Romeu e Julieta", "A Festa" (com o Peter Sellers), "Um homem e uma mulher", "Love Story". 

 Outro programa: ir ao cinema, à meia-noite, ao Politeama, ver "filmes de terror" e, depois, emborcar imperiais no Sol-Mar, ali na Rua Jardim do Regedor e regressar a casa a pé, chegando perto das cinco da matina, para grande desespero do Ti Júlio e da Ti Carmitas meus pais , que viam o filho a fugir-lhe por entre os dedos da sua autoridade cada vez mais posta em causa. O que vale é que a minha irmã Melita estava sempre presente, para pôr água na fervura...

Outro programa: jogar à bola num campo de futebol em terra batida. Ali para os lados de Xabregas, assim, aproveitávamos algumas tardes, e íamos dar uns toques na bola. Depois, suados e cansados, íamos até ao bar mais próximo beber umas cervejolas e comer pregos. Já em 1975 o estrago de um desses dias: um prego, dois pasteis de bacalhau, uma caneca e uma imperial - 50 escudos…
Outro programa ainda: jogar á lerpa. Neste particular, eu, o Zé Lima, o Fernando, o Transmontano, o Machado e outros, que já esqueci, juntávamo-nos, geralmente em casa do Manel, ( já mais velho que era vendedor de vinhos), na Rua do Ouro num 2º andar, para o depenar, alguns de nós tínhamos uma série de sinais combinados, fazíamos o pobre Manel perder grandes somas. Outro que era um Cristo o Zé Alfredo, que perdeu 2500 escudos numa tarde. Pode parecer pouco mas, mas na altura era meio ordenado mais ou menos…

No final de cada lerpa tinham que abrir as janelas dos aposentos , porque o fumo dos cigarros era tanto que parecia ter caído um denso nevoeiro. Quanto aos pais, do Manel já se tinham habituado à ideia de que tinham um filho fumador mas eu, sempre muito respeitador, não fumava ostensivamente à frente deles. Foi ai que conheci o Henrique dos Prazeres, que tinha vindo de Luanda e morava num quarto nesse prédio. Aliás, visto à distância, este grupinho de bons rapazes até que se integraram bem na vida Lisboeta, mas a verdade é que comungávamos as mesmas ideias e, sobretudo eu e quase todos os amigos acabamos por mais tarde criar a Confraria do Penico Dourado.

Havia quem não gosta-se destas amizades, e a pouco e pouco iam-se afastando e acabavam por desaparecer. 
ZÉ ANTUNES

1975

PARA QUE SERVEM OS NOSSOS IMPOSTOS?


Meus Senhores, vamos pôr os pontos nos “is”!? Portugal, está “embrulhado”, “empacotado”, numa encruzilhada pouco dignificante, ou seja, num cruzamento decisivo. O caminho que escolhermos, condicionará o nosso futuro colectivo por muitos e longos anos. No meio de todos estes imbróglios, é muito estranho, que os principais partidos não consigam estar de acordo sobre uma política de transportes, de saúde ou de educação, quando, por exemplo, as diferenças doutrinárias entre eles são mínimas. Mas não! Preferem atuar sob pressão, quando a capacidade negocial é nula e o tempo para pensar inexistente. 

Uma opção, salvo melhor opinião, terão de fazer: ou cortar substancialmente despesa estrutural do Estado, ou aumentar o já elevado nível de impostos que pagamos (os que pagam!), porque não chegam para manter a “máquina” existente. Temos, de facto, de reduzir a despesa do Estado – urgentemente –para nos libertarmos da pesadíssima carga de impostos e taxas a que estamos sujeitos. Não é que esta carga seja demasiado elevada, face a outros países da Europa. Até fica dentro, ou abaixo da média europeia. Mas…tem subido muito, nos últimos tempos e começa a penalizar decisivamente a atividade econômica. O nível de taxas de impostos em Portugal, face a uma economia pobre e mal organizada, é elevadíssimo e o nível de retorno em eficiência nos serviços prestados e bens fornecidos pelo Estado e entidades públicas em geral, é muito baixo, diria mesmo, marginal! É carregar o pobre, é molestar o trabalhador, é explorar o mais pequeno!

Quando as organizações do Estado, gastam mais energia para se manter a funcionar, ou simplesmente, para sobreviver do que a que gastam para servir o objectivo para o qual foram criadas, estamos perante um fenômeno chamado “entropia”. É o fenômeno, que se passa no Estado português: a “máquina” gasta mais energia e recursos para se alimentar a si própria e sobreviver, do que para servir a sociedade em que se insere. Por isso, é importante repensar o modelo de tributação que temos em Portugal e questionar para que servem os nossos impostos, e…os “Partidos Políticos?”

 
Banga Ninito

2015