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18/03/2015

CARTA DE UM REVISOR REFORMADO DA C.P. ao Secretario de Estado dos Transportes.



Sr. Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

Sou um cidadão a bater à porta da casa dos 70 anos. Setenta! Quase o dobro da sua idade. Penso que só por isso devia merecer o seu respeito e o respeito da sua geração. Geração, a sua, que ao invés da minha, não sofreu a míngua dum pós guerra, nem consumiu cinco anos da juventude numa inútil guerra pelas florestas e bolanhas africanas, hipotecando o futuro, interrompendo profissões, estudos e até em milhares de casos a própria vida. Futuro bem diferente do que a minha geração lhe proporcionou, justamente porque não quisemos que tivessem o mesmo fado que nós. 

Aqui chegados, à velhice, não esperávamos o agradecimento da vossa geração, porque fizemos o que devíamos fazer, dar aos filhos mais e melhor do que recebemos dos nossos pais, mas também não esperávamos a ingratidão, o desprezo e a desumanidade de quem não andou descalço, não passou fome, não expôs o corpo às balas e às doenças tropicais, não rasgou as carnes nas espinheiras, nem respirou tijolos nas picadas africanas, ou dormiu em enxergas de palha de tão sujas de suores e poeiras acumulados que se tornavam impermeáveis, com mosquitos, percevejos e pulgas por companheiros, tudo em defesa duma pátria, que agora nos escorraça. 

Aqui chegados dizia acima, com sorte, porque a vida é uma sorte, temos hoje naturalmente os nossos filhos a governar, filhos da nossa esperança, que como já disse, tiveram tudo mas, sabemos agora, que mais do que mereciam.

Para a vossa geração, tudo caiu do céu, como o maná bíblico, só tiveram de o apanhar. Nada devem aos analfabetos dos vossos predecessores, que de uma nação pobre, inculta, silenciada e subjugada - onde presumivelmente gostariam de viver, não? - , construíram um país livre e democrático para viverem e medrarem! 

Cuidamos agora que nos enganámos, mas já é tarde para remediar o mal feito, estamos velhos e dependentes, facilmente à mercê da vilanagem de “filhos” tiranos, que em minha opinião, o senhor tão bem personifica.

Só assim posso entender a baixeza e a malvadez das suas decisões e da governação de que faz parte. Presumo, que devido aos seus vastos afazeres académicos e políticos nunca terá lido a Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada pela Assembleia Geral da ONU a 10 de Dezembro de 1948, nem sequer alguns artigos da nossa Constituição, mormente os artigos 2º, 18º e 63º, mas também os artigos 65º e 66º. Se não os leu, aconselho que os leia o mais depressa possível, e os interprete, imparcialmente, se for capaz. Se os leu, então é grave, porque ou não entendeu nada, ou os subverteu o que ainda é pior. 

Saiba o senhor que, com a minha sorte também chegará a velho, e olhe que é já daqui a pouquinho, só espero é que os seus “filhos” não o tratem como o senhor a mim, aliás, a nós, porque todos os eus nesta minha carta, não só se referem à minha pessoa, mas a toda uma malfadada e mal amada geração. 

Usufruo de uma reforma da segurança social, para onde descontei desde sempre. Comecei a trabalhar aos 12 anos e a descontar aos 14 ( na altura a idade oficial para se trabalhar). Estudei alguma coisa à noite, após o trabalho, porque antes os meus pais não tinham dinheiro para tal e até porque a minha “féria” fazia falta lá em casa para garantir a dieta magra da família. Não fugi, fiz tropa e fizeram-me sargento. Apaixonei-me pelos cheiros e pelos horizontes de África, fiquei lá. Projetei e “plantei” linhas de alta tensão por centenas e centenas de quilómetros, e vim embora no ano em que o senhor nasceu, veja lá, com dois filhos e uma mão à frente e outra atrás, mas contente, porque o meu país finalmente era um país livre, para mim, para os meus filhos e para os meus futuros netos. 

O Estado não gastou um tostão com o meu retorno, nem com os meus, apenas gastou tinta invisível no carimbo que me colocou na testa que dizia “retornado” e que não me deixou exercer a minha profissão, apesar de ter patrão interessado, porque a tirania de outros que entretanto “invadiram” o meu país, não me deixavam trabalhar sem me inscrever no partido dominante. E eu embirro com imposições sobretudo de pensamento, de livre escolha. 

De projectista de linhas de alta tensão, fui por acaso e necessidade, parar a ferroviário, concretamente a revisor de bilhetes. Sofri outra vez uma vida de privações e a minha família ainda mais, mas dignamente! Enquanto, calculo, o senhor andava de livros na mochila ou debaixo do braço, eu voltava a dormir em enxergas sebentas; a passar frio; a descansar umas horas de dia e a trabalhar muitas de noite, meses sem ter um dia de folga; a deitar-me quando a minha mulher se levantava para também ir trabalhar e a levantar-me quando ela regressava; a passar muitos dias sem ver os filhos, nem os acompanhar à escola, ao médico; a passar natais, aniversários e outras datas marcantes na vida de qualquer pessoa, fora da família, na companhia de colegas, ou só, por esse país acima e abaixo. E até além fronteiras! Mas, sabia que o meu sofrimento e dedicação ao trabalho seria retribuído no fim do mês, garantindo assim o sustento e o bem estar relativo da minha família e porventura o meu, no fim da minha vida laboral activa. Não trabalhava apenas 60 dias por ano como um mentiroso investido de deputado, disse hoje na Assembleia da República, mas… adiante, que vozes de burro não chegam aos céus. Mas, sim, trabalhei muitas vezes 60 dias num ano, só que consecutivamente e em dois meses! 

Por conseguinte, reconstruí a minha vida a partir do nada, criei os filhos, nada devo ou alguma vez devi a quem quer que fosse e muito menos ao Estado e à comunidade. Durante a minha vida de ferroviário, que fortuitamente abracei , e pela qual me apaixonei, modestamente, sei que contribuí para a evolução de mentalidades entretanto operada, tanto nas condições de trabalho na altura e dos que me sucederam, como para a própria organização do trabalho na empresa, de que, curiosamente, ainda restam resquícios, após quase 10 anos na reforma. 

Sabia também, (sabia…) desde o dia em que entrei na empresa – imagine, teria o senhor menos de um ano de idade! - que quando me reformasse, se lá chegasse, teria direito pelo Estado, a uma reforma de acordo com os anos e valores que descontei (artº 63º da CR), e direito a um livre trânsito vitalício nos comboios da empresa, desde que tivesse mais de 25 anos de serviço. Esse foi o contrato! Ou melhor, era o contrato, porque o senhor, prepotentemente, usando os poderes que o cargo governativo lhe confere, a coberto do Orçamento de Estado e de um ardil populista, não teve pudor em deitar para o lixo.

Era, disse eu, e repito, porque sou do tempo da honra dos Homens, selada com um simples aperto de mão, a palavra, o papel escrito, ou o direito adquirido, era igual.

Como eu me enganei! Como fui enganado! Como os valores mudaram e como eu fui irresponsável por ter acreditado nas virtudes dos homens livres!

Quem me governa hoje considera que contratos ou acordos só são válidos e se cumprem os que são feitos com bancos, ou com grandes empresas, a que chamam Parcerias Público Privadas. 

Durante uns anos, ainda acreditei nas virtudes de certo idealismo político, - e olhe que não ando por aí arregimentado a agitar bandeirinhas - depois comecei a ter dúvidas, mas agora o senhor e os seus colegas de governo, definitivamente, tiraram-mas. Donde, e em conclusão, aprendi que este país não é para velhos, nem para gente séria!

Com o meu muito obrigado pela sua contribuição para a minha “felicidade”, faço votos que não chegue a velho para não ter de sofrer na carne e na alma o que eu e outros como eu, estamos agora a sofrer.

A terminar informo-o que sei o que dizem os artigos 21º,22º e 72º da Constituição da República Portuguesa, a nossa!
Passe bem.


PS: Desculpe, porém, não podia terminar sem lhe dar os parabéns, porque nem tudo que fez foi mau, mercê do seu comportamento tirano, prepotente e vingativo, conseguiu unir no seio ferroviário o que ideologicamente, nunca se conseguiu, antes pelo contrário!

2014

27/12/2013

ZÉ FERROVIÁRIO




Aqui há dias, na televisão, a senhora secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e mais qualquer coisinha teve a supina lata de fazer apelo às empresas para que invistam mais no apoio às famílias, designadamente em matéria de infantários.

Confesso que, na minha recorrente ingenuidade cheguei a acreditar na sinceridade com a senhora secretária fez o referido apelo às empresas, mas não é que, ao chegar a casa dei com a minha Teresa, que continua esperta como sempre, escandalizada com o referido apelo da senhora governante, que a mim até me caíra bem.

- Ouve lá Teresa, então tu estás contra o governo quando decide contra os trabalhadores, como é habitual, mas continuas a estar contra o governo quando defende precisamente o contrário, ou seja, quando defende qualquer coisa boa para os trabalhadores, como é o caso da governante que defende abertura de infantários nas empresas... -Se calhar é por ouvires tanta mentira nas televisões. É que tu, Zé, parece que já não consegues distinguir uma coisa boa, de outra que não passa duma mistificação, que se destina enganar os mais ingénuos como tu...-Desculpa lá, Teresa, mas neste caso não estou a ver como é que tu consegues ver o mal num apelo que, a ser seguido,

criaria melhores condições sociais para milhares de trabalhadores que não têm dinheiro para pagar os Infantários onde deixar os filhos...

- E tu achas, Zé, que a senhora secretária, seja lá do que for, acredita uma única sílaba daquilo que disse a propósito dos infantários?... - Olha Zé, eu não estou dentro da cabeça dela, mas basta ver o que o PS e os partidos do atual governo PSD/CDS acabam de fazer e fizeram aqui na CP, para se ver que o apelo da senhora secretária às empresas privadas tresanda a falsidade…

-De facto, Teresa, não tinha visto o problema sob esse prisma, mas ainda assim até pode ser que o governo se disponha agora a corrigir o tiro e, correspondendo ao apelo da senhora secretária, dê instruções claras aos comissários político/partidários da administração, no sentido de e construírem tudo o que, raivosamente destruíram, no capítulo das Atividades Sociais...

-Ora assim já nos entendemos, Zé. É que os trabalhadores também têm obrigação de não se deixarem comer por parvos.

-Tens razão. A música deles é tão bem engendrada que, que depois de muitas vezes repetida, pelos próprios ou pelos seus ‘’especialistas” de serviço, que muitos até os mais atentos podem “engolir” as patranhas que os exploradores nos querem impingir.

- Mas, chegados aqui, talvez fosse conveniente que ficássemos a saber, com algum grau de garantia, qual o objetivo que esta gente pretende atingir com a destruição das Atividades Sociais da CP. Como é sabido o custo das Atividades Sociais mal chegava a meio por cento, repito: meio por cento, do défice operacional da CP, cuja grande responsabilidade cabe, sem margem para dúvidas, aos juros e outras alcavalas pagos à banca, para encher o cu aos banqueiros, que custam à CP mais do que duas somas dos salários anuais pagos ao conjunto dos ferroviários.

Ficamos, afinal, sem perceber porque razão decidiu o governo mandatar os seus comissários político-partidários para acabarem de vez com as nossas Atividades Sociais, mas tudo nos leva a pensar que isto está a ser feito para que a entrega aos privados se faça pelo menor custo possível para os mesmos, ou seja, que se lixem os trabalhadores e os apelos descontextualizados, para não lhes chamar outras coisas muita mais pesadas, da senhora secretária de Estado de qualquer coisinha.

Ficamos então com esta certeza; Tudo o que está a ser feito ao nível da gestão da CP tem hoje um claro e indesmentível objetivo, fazer uma caminha bem fofinha para o grupo que se prepara para abocanhar a CP.

Tudo o resto é palavreado para enganar o pagode. Já pregoava Frei Tomás…

Mas faz o que diz e, não o que ele faz.

Zé Ferroviário
2013

14/04/2013

A GRUA



Em 13 de Fevereiro de 1990 deslocamo-nos, eu, Macau, Roseiro e Silvestre à Covilhã para ir á Ponte do Zêzere 1º. na Linha da Beira Baixa.

Houve um acidente quando se estava a colocar o Tramo de Margem da Ponte, a Grua com o peso do tramo de margem caiu pela ribanceira, no primeiro dia fomos medir a que distância estava da linha férrea e a que profundidade, o Silvestre arranjou umas estacas e com uma cana de 2 metros começamos a medir a altura e ao mesmo tempo a distância.

O Silvestre veio embora, regressou a Lisboa e Eu, o Roseiro e o Macau nessa noite fomos jantar a um restaurante na Covilhã em que o Macau mandou vir um tacho de feijoada, eu e o Roseiro ficamos pelo Arroz à Valênciana.

Sei que depois fomos à procura de um amigo do sogro do Roseiro, estivemos em casa dele, e a esposa do dito senhor mandou-nos á oficina que era no outro extremo da cidade, ai o Macau disse:

Olha se eu não jantasse bem, é que estávamos à pelo menos uma hora a andar a pé e quem conhece a Covilhã sabe que é sempre a subir.

Depois de falarmos com o tal Senhor na Oficina fomos a um bar beber um digestivo e descansar um pouco, entretanto telefonamos ao chefe Cantante Simões pois ele estava internado para ser operado e era aniversariante.

Regressamos aos nossos aposentos que era o contentor que estava na linha de resguardo da Estação da Covilhã para no dia seguinte ir tirar elementos e fazer medições, para desenhar as peças danificadas, do tramo de margem da Ponte Zezere 1º da Linha da Beira Baixa.

Nesse dia, depois de todo os trabalhos executados, fomos jantar ao Restaurante da antiga sede do Sporting da Covilhã, regressando à estação da Covilhã, onde fomos preparar o material para regressarmos a Lisboa Santa Apolónia.



Zé Antunes e Macau em cima da Grua caida




Zé Antunes e Macau em cima do Tramo de Margem da Ponte


ZÉ ANTUNES

1990

18/12/2012

ZÉ FERROVIÁRIO





ATRÁS DE UMA BAGUNÇA  ESTÁ SEMPRE UM BAGUNCEIRO…

A minha Teresa mal para em casa. Salta de manif para manif. Foi à do que se lixe a troica, foi a da CGTP, foi à das Farmá­cias... Vai a todas... Está numa de protesto permanente.

Por um lado eu não aceito muito bem o nervosismo com que ela encara a situação atual. Receio que o coração dela não aguente, mas não sou eu que lhe vou dizer para deixar de protestar contra o que ela pensa que está mal e precisa de ser corrigido.

Na manifestação da Inter, no Terreiro do Povo, (antigo Ter­reiro do Paço) dei com ela, a minha. Teresa a discutir com um grupo de ferroviários. Discutir é uma maneira de dizer, porque de uma troca de opiniões verdadeiramente se trata.

O tema em discussão não podia ser mais complexo e difícil de clarificação. No centro da conversa estava, como não podia deixar de ser, a crise. Quem a provocou e quem a está a pagar com um palmo de língua de fora.

Uns afirmavam que a culpa era do governo ou do ministro qualquer coisa. Outros juravam que o mal estava no euro, por que, com o escudo, estaríamos muito melhor ou, pelo me­nos, menos mal.

Perante a complexidade dos problemas a minha Teresa, que não é estúpida e de parva tem muito pouco, ficava-se pela essência das coisas:

- O que eu sei, disse ela, virando-se para uma ferroviária que intervinha no diálogo é que alguns estão a fazer fortunas com esta crise, que esmaga os trabalhadores e os reformados, to­cando até muitas famílias da classe a média...

- Mas como é que eles ganham dinheiro se a economia está parada?

- Aí é que reside o problema, a economia está parada mas a máquina da especulação financeira é que não pára e, por mais estranho que pareça, até acelera. Este e o nosso grande mal. A economia está a ser subvertida pela finança. Com um simples computador um capitalista, um especulador, daque­les que nos (dizem que) emprestam o dinheiro das troicas, pode ganhar num minuto o que o dono de uma fábrica com dezenas ou centenas de trabalhadores não ganha num mês. Hoje não é a produzir que se ganha, mas a especular e a rou­bar.

- No caso da CP, que dizem estar a ser preparada para a venda aos privados, fala-se agora muito da bagunça que por aqui reinou nos últimos anos, bagunça que, por exemplo levou um governo do PS a proibir esta empresa pública de participar no concurso da travessia do Tejo, que acabou por ser entregue á FERTÁGUS adiantou outro circunstante.

Aqui a minha Teresa entendeu que era a altura de por alguma verdade em cima da mesa:

- Se o afastamento da CP, para se entregar o bolo todo à Fer­tágus foi para acabar com a bagunça, os que desenvolveram essa operação acabaram por fazer precisamente o contrário. Talvez por falta de pontaria, erraram o alvo e contribuíram escandalosamente para aumentar a bagunça que hoje dizem que pretendiam combater.

A CP foi afastada do concurso da concessão pelo Cravinho do PS depois dela ter feito a infraestrutura e a linha na Ponte 25 de Abril e de ter firmado o contrato dos comboios para fazer a travessia do Tejo, e que o governo do PS acabou por entregar à Fertágus, para que a esta fosse permitido assinar um contrato que lhe assegura o exclusivo dos lucros deixando para o Estado o exclusivo dos prejuízos …

Foi assim que o governo do PS decidiu acabar com a bagunça na CP. Um escândalo que se pode compreender melhor se, acrescentarmos isto:

Se no fim do ano a Fertágus ganhar, por hipótese, mil mi­lhões de euros, fica com a totalidade do lucro. No caso con­trário, se a Fertágus chegar ao fim do ano com um milhão de euros de prejuízo, é o Estado que suporta inteiramente as perdas.

Esta contabilidade encontra-se camuflada no contrato de concessão sob a fórmula de cálculo do movimento de pas­sageiros transportados. Se houver menos o Estado paga uma indemnização. Se houver mais, muito mais, a Fertágus arre­cada tudo...

Se esta é urna forma correta de defender os interesses do Es­tado é caso para se dizer que vou ali já venho, para não dizer outra coisa pior.

E por aqui nos ficamos...

Zé Ferroviário

“À TABELA” Nº 109 Novembro de 2012 Orgão da CT

19/10/2012

REFER - SANTA APOLONIA



Estando colocado no Posto de Manutenção da Boavista – Porto desde 22 de Dezembro de 1980 e como queria ser transferido para Lisboa para o posto de Manutenção de Campolide o que foi conseguido em Maio de 1983 , entretanto em Abril de 1983 abriu um concurso de desenhador para a conservação de Pontes, em Lisboa, claro que concorri na hora, pois era a profissão que gostava e para o qual tinha estudado na Escola Industrial de Luanda, fico á espera de colocação e vou mantendo-me a trabalhar nas máquinas diesel em Campolide, no fim de mês de Maio veio a colocação para estágio, no Departamento da Conservação – Pontes - e fui colocado em Santa Apolónia, desde 01 de Junho de 1983 onde me mantenho até aos dias de hoje .

Três meses de estágio, e a primeira saída Outubro de 1983, Zé Antunes, Carlos Silvestre e Abílio Pombinho, fomos fazer o levantamento ás longarinas e carlingas da Ponte de Belver, da Linha da Beira Baixa. O Cantante Simões foi para a Guarda com João Ribeiro, José Vasconcelos e Hilário Teixeira,

Em 1984 sai uma grande reportagem no Jornal “ A CAPITAL “ sobre o nosso local de trabalho e de toda a estrutura da Direção de Conservação de Pontes.

Seguiram-se mais levantamentos nas Linhas do Norte, Linha do Oeste, Linha do Minho, Linha do Sul, Linha da Beira Alta e Linha do Douro, além dos respetivos ramais, todas elas com histórias para contar.

Maio de 1987 o Benfica joga a final da taça dos campeões europeus com o PSV de Eindhoven - Holanda o Benfica perde nas penalidades falhanço de Veloso no último penalty.
Na Ponte de Portimão o nosso alojamento era em Ferragudo também num contentor todo equipado, vinhamos a pé de Ferragudo até a Ponte de Portimão sobre o Rio Arade, logo de manhã com um cesto de vime, com uma cabeça de peixe espada lá dentro baixavamos o cesto para a água e de hora a hora mais ao menos içavamos o cesto e lá vinham 4 ou 5 carangueijos que depois de bem lavados e bem cozinhados era o nosso petisco antes do jantar. Nesta campanha esteve o Zé Antunes, O Zé Vasconcelos, o Carlos Silvestre. Certa vez ao cair da noite houve um incêndio num stand junto á Estação de Portimão e tivemos que ajudar a retirar todos os automóveis do Stand, não fosse a nossa colaboração de certeza que haveria danos patrimoniais pois alguns veiculos ficariam danificados com o fogo.

Em 1988 Na Ponte do Corge na Covilhã, que atravessa a estrada da cidade da Covilhã para a cidade da Guarda, depois de percorrer metade da ponte com os pés no Banzo inferior e agarrado as diagonais da viga principal, passa um camião com a galera do Continente a grande velocidade, que com a deslocação de ar a Ponte abanou e eu fiquei ali agarrado às diagonais e não conseguia dar um passo, fiquei como que paralizado, com a ajuda do João Ribeiro e do Carlos Silvestre lá consegui sair da Ponte.

Em Maio de 1988 Ponte de Sedas Linha do Leste, chovia torrencialmente que para nos abrigarmos fomos para a casa abandonada da guarda da passagem de nível que já não existia, para nos aquecermos, arrancámos a madeira do soalho e fizemos um bom braseiro. Aqui nesta deslocação foram Zé Antunes, João Ribeiro Francisco Roseiro e Hilário Teixeira, sem poder nos deslocar eis que vem um comboio de mercadorias lá parou e deu-nos transporte até à Estação da Torre das Vargens onde ai iríamos embarcar na composição que nos traria até ao Entroncamento.

Nesse ano e noutra deslocação à Ponte de Sedas na Estação do Crato, sem saber onde ir comer, a estação é distante da vila do Crato, almoçamos numa tasca de uns velhotes que ficava logo ali ao pé da passagem de nível.

Noutra ocasião depois de concluído o trabalho na Ponte de Sedas fomos a Espanha comprar caramelos.

Em 1988 deslocamo-nos a Lagos para ir ás Pontes do Vale da Lama e Ribeira da Torre fomos para um apartamento da Dona Helena uma velhota viúva que alugava Quartos. De manhã tomávamos o pequeno almoço na sogra do Fernando Simões e íamos ao mercado fazer as compras para o nosso almoço e um certo dia dirigíamo-nos para a Ponte da Ribeira da Torre com uns belos carapaus e uma salada de alface e o respetivo casqueiro, não esquecendo a bebida, quando desata a chover a cântaros. Na Ameixoeira tivemos que comprar uns plásticos para fazermos um abrigo para nos resguardarmos da chuva. Ai começou a minha aventura de querer fazer lume com paus de figueira molhada, nada lume não havia, não ateava e com ajuda do João lá fizemos uma fogueirinha, mas logo que os carapaus deixavam cair a a sua gordura o raio do lume apagava-se, foi umas risotas valentes que depois de tanto insistir lá almoçamos os benditos carapaus, Nessa deslocação estava Zé Antunes, Carlos Silvestre e João Ribeiro.

Em 1989 Na Ponte da Carpinteira logo á saida da estação da Covilhã, era preciso sempre que se ia lá tirar as chapas metálicas que impedia que caissem objectos para os telhados das fábricas de confecções, pois ai ficou uma fita métrica que caiu e nunca mais ninguém soube dela, Iamos almoçar a um pequeno Restaurante “ O RETORNADO “que na altura era explorado pelo Sr. António que tinha vindo de Angola no ano de 1975. Conversa puxa conversa e eu lá ia dizendo ao sr. António sobre a nossa vivência e ele dizia com ar muito solene: Bons tempos, bons tempos que já não voltam mais. Nessa saida fui eu o Zé Vasconcelos e o Carlos Silvestre, noutra altura foi o João Ribeiro.

Havia saidas de um dois dias a várias Pontes em que se fazia o levantamento de elementos avariados e voltavamos para a Sala de Desenho e desenhavamos a peça avariada, o desenho ia para as oficinas de Ovar e logo as Brigadas a substituiam. Também se executava alguns trabalhos de topografia.

Em 06 de Novembro de 1991 deslocamo-nos a Lagos para ir ás Pontes do vale da Lama e Ribeira da Torre fomos para os apartamentos do Sr. Águas, ( chefe da estação de Lagos ) e ele diz-nos que só tem um apartamento onde também está um cidadão Escocês. Não nos importamos e fomos para lá pernoitar, fomos ao take way e compramos um cozido a portuguesa para Zé Antunes, José Vasconcelos e António Macau, nessa noite jogava o Benfica com a Arsenal ganhou o Benfica após prolongamento 3-1 golos de Isaias ( 2 ) e Kulkov, e o escocês era mais benfiquista pois não gostava dos ingleses e então também saboreou o nosso cozido e ofereceu uma garrafa de whisky, o Vasconcelos ficou mal disposto pois diz ele que foi dos enchidos, que tinha degustado ao jantar, foi nada, foi o whisky que era puro malte, claro que chamou o gregório várias vezes.

1993 Vale da Lama fiquei só de cueca para ir ao rio buscar o duplo metro que tinha caído, claro que o duplo metro lá ficou pois a profundidade era muita e era só lodo, estava Zé Antunes, Francisco Roseiro e João Ribeiro

18 de Dezembro 1993 estivemos na Ponte de Tavira, viemos embora no comboio da noite. Em Tunes a última carruagem a porta de transição e como não há mais carruagens está trancada, é acoplada outra carruagem. Um passageiro que tinha chegado de Londres e que embarcou em Faro atrasa-se no Bar da Estação e só tem tempo de embarcar na carruagem que tinha sido acoplada , ficando a namorada e as bagagens na que era a última carruagem. Só perto de Castro Verde o revisor foi abrir a porta que dava acesso á nova carruagem, foi quando o Pedro assim se chamava o jovem começou a discutir com o revisor, só demos conta quando o comboio parou na estação e entrou a G.N.R. e o deteve levando-o para o Posto daquela força militarizada, ficando a namorada ás 03h00 da manhã na gare da Estação ao frio, frio que se fazia sentir naquela noite era de 3 graus positivos, nessa deslocação a Tavira estávamos Zé Antunes, Francisco Roseiro e Carlos Silvestre.

Em 1994 voltei novamente á Ponte de Portimão o nosso alojamento era em no cais de mercadorias também num contentor todo equipado, íamos a pé até a Ponte de Portimão. Nesta deslocação foram Zé Antunes, Francisco Roseiro e Carlos Silvestre e também estavam a brigada de Pontes Santos , Dionísio e Carmona, acontecimentos relevantes foi a procura das chaves do contentor pelo Dionísio que as deixou cair para a Linha e ao se debruçar para as ir buscar caiu e bateu com a cabeça no tampão de choque do contentor, nada de grave lhe aconteceu senão o susto e a dor de cabeça. Há ainda o caso das Bifanas mas isso é outra estória !!!!!!!!!!!!! Nesse dia 29 de Março de 1994, jogava o Benfica – Parma. Apesar do Benfica ter ganho por 2-1 foi eliminado por causa do golo que o Parma marcou no Estádio da Luz. Um casal de Pessoas de meia idade , depois de deixarem a filha para ela embarcar na Estação de Pinhal Novo, no regresso a casa, com o automóvel um Fiat 127 ,meteu-se debaixo do comboio tendo os ocupantes morte imediata, o acidente foi na passagem de nível antes da estação de Pinhal Novo.

Neste ano de 1996 estava-mos em Junho houve um campeonato da europa em Inglaterra, sendo campeã a Alemanha, e á noite íamos para o Salão de Jogos do Restaurante do Centro Comercial de Valença, ver os jogos.

Levantamento do tabuleiro da Ponte de Valença sobre o Rio Minho, o nosso alojamento era na Estação de Valença num contentor que estava todo equipado com cozinha, w.c, e quatro camas beliches. No levantamento dessa Ponte esteve o Zé Antunes, António Macau, João Ribeiro e Carlos Silvestre, durante três meses. Viajávamos ás 2ªs. feiras de manhã e regressávamos ás 6ªs feiras pela noitinha. Levantávamo-nos de madrugada e começávamos logo a trabalhar, por causa do calor, que se sentia depois à tarde, íamos almoçar ás 14 horas. A tarde era para fazer compras, íamos a Tui no lado espanhol e íamos ao mercado comprar camarões que era muito mais barato do que em Portugal, comprava-mos também as cabeças do bacalhau, que cozidas era um grande petisco, nessa altura para essas lides culinárias tínhamos o nosso mestre Silvestre, que cozinhava bem.

Em 1996 Uma das minhas últimas saídas em trabalho foi uma semana que com o viatura da C.P. fomos até Mirandela e descemos a Linha do Tua em inspeção ás Pontes existentes. Nessa comitiva iam o Zé Antunes , o António Macau e o João Ribeiro. Mas antes fomos ver duas Pontes a Amarante.

Em 1997 pelo Decreto lei n.º104/97 foi constituída a REFER, Empresa esta que veio a ficar com toda a parte da Infra-estrutura ferroviária.

Em 1998 Zé Antunes, Francisco Roseiro, João Ribeiro, Sobral que era estagiário de topografia e o Domingos Alentejano que andava na Piquetagem, fomos à Ponte do Noéme, e pernoitávamos em Vila Franca das Naves, uma certa noite fomos ao Folgosinho para ir ao Restaurante do Albertino onde na altura por pouco dinheiro se saboreava cinco pratos ( Arroz de Cabidela, Leitão, Javali, Vitela e o famoso Cabrito assado no forno ) uma grande travessa de arroz doce, e no fim café e os bagacinhos branco ou tinto, regressamos a Vila Franca das Naves a altas horas da noite. Foi uma bela jantarada.

Fui transferido com todas as regalias até ai conquistadas, e passei para a Direção de Engenharia, e no ano de 2003 integrei a Direção de Economia e Finanças onde até aos dias de hoje me mantenho.

Nestes anos todos tanto na C.P. como na REFER, o departamento fazia uma sociedade do totobola e do totoloto e com os prémios angariados durante o ano, fazíamos almoços de convívio com as respetivas famílias, os almoços foram realizados em variadíssimos locais Cascais, Cartaxo, Vila Franca de Xira, e Pontével. Em Lisboa em variadíssimos restaurantes, fazíamos os almoços dos aniversariantes em que todos pagavam para o que era pequenino naquele dia.

Muitas histórias há ainda para contar desde que integrei nesta maravilhosa equipa, que era constituída por: António Cruz, Cantante Simões, Carlos Silvestre, João Ribeiro, Abílio Pombinho, Hilário Teixeira, José Antunes, José Vasconcelos, António Macau, Francisco Roseiro, Francisco Cardoso e Maria Leonor e claro está as chefias Andrade Gil, José Clemente e Antonino Cruz, bem como a Eng. Ana Maria, Luísa Gomes e mais tarde o Eng. Pedro Campos e o Eng. Vitor Freitas. Deixei para último com saudade pois apesar de não ser desta equipa era da Construção Civil, entrou para a conservação no mesmo dia que eu, o falecido Eduardo Pires. E recordar o malogrado Eng. Gomes, com quem fiz muitos colocações de aparelhos para os ensaios de extensiometria em Pontes.

ZÉ ANTUNES
2003