TuneList - Make your site Live

21/10/2014

ANDAMOS AMORDAÇADOS E À ORDEM DOS PODEROSOS


A União Europeia (EU), nem sempre teve as dimensões atuais. Em 1951, ano em que se iniciou a cooperação económica na Europa, apenas a Bélgica, a Alemanha, França, Luxemburgo e os Países Baixos participavam nesse projeto. Com o passar do tempo, o número de países interessados em fazer parte da UE foi aumentando e, com a adesão da Croácia em 1 de julho de 2013, a UE passou a ter 28 Estados-Membros. No entanto, a população europeia em vez de crescer…está a decair. Nas previsões da ONU, constata-se que os países que constituem a atual União Europeia, vão perder mais de 23 milhões de pessoas até 2050. Só Portugal, vai perder um (1) milhão, mais que a média. Como o globo, no mesmo período, aumentará mais de 2.500 milhões de pessoas, o peso demográfico da Europa cairá acentuadamente.

O facto desse descalabro, é que os europeus desistiram de ter filhos, agravado pela confusão ideológica e estratégica de que padecem os europeus. A União parece ser a única zona do mundo, que não sabe o que quer, ou que quer coisas inconsistentes. Enquanto os outros Povos lutam por afirmação civilizacional e trabalham arduamente para o desenvolvimento produtivo e influência político-militar, Portugal, esgota-se em controvérsias axiais, debates conceptuais e abstratos que, mesmo se resolvidas, só confirmarão o crepúsculo. Daí, sermos hoje, uma reserva de eucaliptos para uso de uma obscura entidade económica, que tem o pseudónimo de CEE.

Cunha Leal, um dos políticos mais ativos e esclarecidos no final da Primeira República, numa conferência que pronunciou na Sociedade de Geografia em 1925, afirmou: “O Exército não deve realmente actuar contra os partidos, mas tem o direito de fazer ouvir a sua voz e indicar aos poderes públicos que, se lhe compete neutralizar as ameaças de dissolução da sociedade portuguesa, também lhe compete o direito de agir…”. Por sua vez, o Prof. Fidelino de Sousa Figueiredo, político, historiador e crítico literário português, fez a síntese da situação catastrófica que se vivia naquele final de 1925, nos seguintes termos: “Desprestigiados o poder, perseguidos a inteligência e o carácter como irritantes superfluidades, e criados os falsos valores, os governos não governam, só pensam durar au jour le jour e infiltrar-se na burocracia e na finança”. 

Hoje, certamente, ninguém terá dúvidas de que a nossa dependência se agravou e cada dia temos menos liberdade para decidir do nosso futuro. Será o que os outros quiserem como quiserem. Estamos amordaçados e à mercê dos interesses dos poderosos. Pequenos mas “orgulhosamente acompanhados”, como afirmava recentemente o Sr. Primeiro-Ministro. Eu diria antes, “envergonhadamente dominados”.

Cruz dos Santos

2014
 

Sem comentários:

Enviar um comentário