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18/10/2013

DISCOTECA 2001







Vagueando por Luanda recordo as gostosas noites quentes de luar, das rebitas e dos merengues no Kussunguila, na ilha de Luanda, a voz de Elias Dia Kimueso, Teta Lando, Mamukeuno era presença frequente no Kussunguila, e tantos outros cantores Angolanos a cantarem no Kussunguila, as agitadas idas ás discotecas do Animatógrafo, recordo ainda o Flamingo, o Quatro, o Hotel Costa do Sol, e muitas outras casas noturnas da nossa bela Luanda. Mas onde me sentia bem era no Kussunguila. Depois foi a debandada para Portugal.

Conheci já em Portugal a Discoteca 2001 no Autódromo do Estoril


A mais famosa discoteca em Portugal, é mesmo o 2001, inaugurado em 1973 no Autódromo do Estoril. Fica aberto até às quatro horas da madrugada e é onde toda a gente vem parar ao fim da noite. Talvez seja o primeiro lugar democrático na noite da capital, pois para entrar basta pagar à porta. O porteiro também não torce o nariz aos que não vêm acompanhados. Ao contrário das outras boîtes da moda, quem quer atacar a pista não precisa de par. É aqui, na dança, que todos os géneros se misturam. Este é o tempo do rock contra disco, mas também dos pré-punks e da new wave, dos atinados, o dos prá-frentex, dos freaks contra os malaicos. A identidade maioritária dos grupos juvenis começa agora a definir-se na iconografia da moda, e os comportamentos moldam-se ao som do que se ouve... A liberdade já passou por aqui. 

Foi uma instituição da noite de Cascais, catedral dos aficionados do rock. Esteve fechada algum tempo, reabriu em 2007, para alegria de todos os saudosos do tempo em que nas pistas de dança não se dançava apenas ao som de música eletrónica. 

O 2001 foi a primeira grande discoteca do País.

Discoteca 2001 interior ( foto net )

Este ano de 2013, em Outubro fará 40 anos, só comecei a ir ao 2001 em 1975 a quando da minha vinda de Angola, estava na berra e então eu, e mais alguns avilos de Luanda íamos lá para na descontração, convivermos, e com as garinas dar-mos um pé de dança, passar um bom serão. Noites bem passadas.

Lembro-me das colunas de som nunca vistas, eram novidades, e aquela cabine que fazem as delicias de qualquer DJ (ah aquele piano de luzes...)

Quando abriu, em 1973, muita juventude ficou com aquele vicio diário de ir àquela discoteca, valia tudo. De Lisboa, ia-se de comboio até ao Estoril e apanhava-se um táxi, ou ia-se de automóvel, sem qualquer preocupação no regresso, pois havia a certeza de ter sempre uma boleia de volta, nem que fosse apenas até à estação dos comboios.

Ainda me lembro de comer bons bifes pela madrugada ao som de David Bowie ou Lou Reed, nas caves de São José, ou no Pub o Barril, e lembro-me de quase todos, cada qual com a sua história especial, fosse uma nova namorada ou um record de velocidade na curva do Mónaco.

Quando penso, fico todo arrepiado, aquela reta final, a entrada do Autódromo e ao longe através da névoa das luzes que iam aumentando de intensidade, sair do carro e sentir a vibração nos ossos daquela música tão especial...Deep Purple, Van Zant, Asia, Nazareth, Dream Police, Rainbow, AC/DC, Aldo Nova, Ramones, e tantos, tantos outros..... 

Mas nem tudo se confinava aqui. A abertura política que se começa a fazer sentir nos primeiros anos da década de 70 rasga horizontes na juventude urbana, que se inquieta ao som dos Rolling Stones, Lou Reed, Peter Frampton e Roxy Music... também há o Reggae... e fuma-se erva, principalmente muita liamba. 

Depois ter que bater um coro ao Seixas, que alguns avilos já tinham mais de 16, e mesmo depois dos 18 ainda alguns terem que mostrar o B.I. por terem cara de kandengues ....QUE NERVOS....Os tickets de entrada a 30 escudos, que ganza. Os madiés sem kumbu.
Normalmente jantavamos no célebre PIC NIC no Rossio e com muitas amizades lá íamos, João da Lusolanda, Rui Machado, Paulo Alexandre, Luís Henriques, Zé Banqueiro, Zé Ideias, Resende, Fernando Transmontano e muitos outros sem contar obviamente com as namoradas que deixo incógnitas para evitar confusões. Apenas uma pequena menção á Manuela Pires ( Nela Peixeira ) e á Isabel Madruga ( Bé )....

...Tudo isto faz parte das nossas memórias dos anos 70 a 80.


Discoteca 2001 ( foto net )

Deve ser normal, pois tenho saudades de muita coisa do meu passado. Vivi fases boas e más, mas gostei sempre mais das fases em que vinha primeiro com a minha Mota 350 Honda, depois com o mini 1275, eu e o João da Lusolanda, e outros avilos ía-mos por aí fora, até onde queríamos. Hoje quando ouço as pessoas, a falar da suas vivências até me sinto um pouco desfasado, não sei. No entanto acho que vivi todas essas épocas da minha juventude de uma maneira intensa. 

"Puxar da guitarra" e dedilhar umas boas notas era a forma de exteriorizar o boomm que entrava pelo peito e batia forte na cabeça !!! Fazia-mos principalmente na praia de Carcavelos, como se estivesse-mos num pais tropical, como se estivesse-mos em Luanda, grandes noitadas na praia com umas garrafas de cervejas, e muita música. 

Ainda lá vou, de vez em quando, á discoteca 2001, matar saudades com amigos.

Festa da Cerveja em 2013

Depois, há sempre, grandes empreendedores que organizam, as festas que continuam a fazer da Discoteca 2001 um lugar memorável.

Festa do quadragésimo aniversário em 18 de Outubro 



Mensagem mandada por um dos responsáveis da 2001 postada no facebook

Em 1973, nasceram fantásticas bandas de rock, como os Cheap Trick, Journey, Ultravox, The Tubes, Quiet Riot, Television, Kiss, Bad Company, e…os incomparáveis AC/DC.

Nesse mesmo ano de 1973, foi lançado o álbum imortal, The Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd, o Tubular Bells de Mike Oldfield, a Quadrophenia dos The Who, o álbum Aerosmith dos Aerosmith, Who Do We Think We Are dos Deep Purple, Billion Dollar Babies de Alice Cooper, ELO2 dos Electric Light Orchestra, Houses Of The Holy dos Led Zeppelin, Grand Hotel dos Procol Harum, Uriah Heep Live dos Uriah Heep.

Peter Frampton lançava o Frampton`s Camel onde pontificavam as faixas Lines On My Face e… Do You Feel Like We Do.

Os Nazareth lançavam os álbuns Razananaz e Loud`n`Proud, os ZZ TOP o álbum Tres Hombres com a inesquecível faixa La Grange e os Rolling Stones punham cá fora o álbum Goats Head Soup onde a faixa 5 do Lado 1, era nem mais nem menos do que Angie.

Ainda em 1973, entre outros, sairiam também, os álbuns Berlin de Lou Reed, Pin Ups de David Bowie, Sabath Bloddy Sabath dos Black Sabath, e Illusions On A Double Dimple dos Triumvirat.



Como se poderá verificar, 1973, foi um ano extraordinário, uma colheita de luxo, e não é por acaso que muitos o consideram o melhor ano da história do Rock, não bastasse para isso, apenas e só, o nascimento dos AC/DC.

Mas não se pense que o ano de 1973 ficava por aqui. O melhor ainda estava para vir.

Foi precisamente nesse ano, mais exatamente a 18 de Outubro, que nasceu o 2001.

Irreverente, rebelde, inovador, quebrou todas as regras, alterou costumes, impôs-se, cimentou raízes, e ultrapassou fronteiras.

Como a revista francesa Paris Match chegou a referir: “um fenómeno social”.

Ao longo de quatro décadas, aquela que é considerada unanimemente como a Catedral do Rock, constitui de forma indelével e inimitável – por muito que tentem imitar e copiar – um marco fundamental, o sustentáculo, e o verdadeiro baluarte do Rock.

No decorrer desta vida cheia e preenchida, destes quarenta anos incontáveis, onde as suas paredes se sentem e se respiram, onde a sua energia positiva transborda e contagia, têm acorrido em peregrinação, nobres e plebeus, ricos e pobres, fiéis de todos os credos e religiões, de todas as origens e proveniências, mas que ao transpor a porta do 2001, todos são iguais, todos têm os mesmos direitos e deveres, todos se unem numa comunhão perfeita, numa simbiose entre o sublime e o transcendental.

De geração em geração, de pais para filhos e para netos, todos guardam sem exceção, experiências únicas e inolvidáveis.

Inquestionavelmente, o 2001 faz parte das nossas vidas.
 
Quarenta anos volvidos e dobrados no tempo, mantendo inalterável – apesar de todas as dificuldades e vicissitudes – a sua traça e as suas raízes, a sua identidade e o seu carácter, o seu modo de ser e de pensar, o 2001, é muito mais do que uma Boite, uma Discoteca, um Rock Club, ou uma Catedral.

É reconhecidamente e sem qualquer dúvida, uma instituição, mas sobretudo, uma marca. Uma marca, que estes quarenta anos, solidificaram, fortaleceram e projetaram. Uma marca, que criou e potencializou, identidade, experiências emocionais, fidelização, confiança, capacidade de atração, sentimento de pertença, preferência, valor, fortaleza, notoriedade, capacidade de reconhecimento, cultura interna, posicionamento único no mercado, imagem, história, e por fim, missão. Em suma, uma marca de exceção.

Quando repetidamente se pergunta, qual o segredo do 2001, a resposta está aí.
Proteger, respeitar, e defender de forma firme e perseverante, se necessário com o sacrifício da nossa própria vida, a marca 2001.

Tudo isto, graças a todos vós. São todos vós, que estão de parabéns.

Quinta-feira a partir da meia-noite e sexta-feira, vamos comemorar os quarenta anos do 2001.

Uns, irão recordar e reviver velhos tempos, reencontrar amigos, ouvir e dançar as músicas que nunca esqueceram, e que legitimamente e por direito próprio só as sentem no 2001. Outros, irão viver o presente, com a alegria e o entusiasmo de todos os dias.
Mas todos, orgulhosamente e a poder dizer bem alto:

2001, SEMPRE!

Nani


ZÉ ANTUNES 
2013



13/09/2013

ROGER HODGSON



No fim de semana de 06 e 07 de Setembro de 2013, recebi um convite para ir assistir a um concerto no hipódromo de Cascais, espetáculo promovido pela rádio M80 e por ERB Remember Cascais.



“Mais do que um festival de música, é um festival de memórias”, refere a organização. Num evento com "Remember" como nome do meio, qual é a recordação em causa? Dicas: Roger Hodgson, José Cid, Level 42, The Waterboys, GNR, Opus... Exato: está tudo a postos para mais uma viagem aos anos 80.








No cartaz constava para atuarem na 6ª feira, dia 06 de Setembro, primeiro dia foi agendado, a abrir a banda de José Cid. José Cid foi, de facto, um dos músicos que mais marcou o crescimento do rock em Portugal, do Quarteto 1111 ao percurso a solo. E é dos poucos artistas que se pode gabar de ter sido redescoberto por toda uma nova geração e de ter reconquistado o carinho do público.



De Inglaterra chegam também os Level 42, autores desse êxito chamado "Lessons in love". O tema fazia parte do álbum “Running in the Family”, cujo 25.º aniversário foi assinalado em 2012 com uma reedição especial e com uma digressão.






E a estrela num concerto-prenda para os fãs dos Supertramp: apresenta-se Roger Hodgson, o vocalista original. "Give a little bit", "Dreamer" e "Breakfast in America" foram alguns dos êxitos celebrizados na sua voz e saídos da sua pena, desde que co-fundou o grupo britânico, em 1969, até que o deixou para se dedicar à família e enveredar por uma carreira a solo. Esta arrancou com "In the Eye of the Storm", em 1984, e registou um sucesso assinalável, embora incomparável ao da banda de rock progressivo. O percurso de Hodgson viria a ser marcado, em 1987, por aquele que é um dos maiores pesadelos de qualquer músico: dois pulsos partidos. O acidente deixou o cantor e multi-instrumentista fora de combate durante anos. Mas, mesmo desenganado pelos médicos, viria a recuperar, voltando ao estúdio e aos palcos.







E a estrela num concerto-prenda para os fãs dos Supertramp: apresenta-se Roger Hodgson, o vocalista original. "Give a little bit", "Dreamer" e "Breakfast in America" foram alguns dos êxitos celebrizados na sua voz e saídos da sua pena, desde que co-fundou o grupo britânico, em 1969, até que o deixou para se dedicar à família e enveredar por uma carreira a solo. Esta arrancou com "In the Eye of the Storm", em 1984, e registou um sucesso assinalável, embora incomparável ao da banda de rock progressivo. O percurso de Hodgson viria a ser marcado, em 1987, por aquele que é um dos maiores pesadelos de qualquer músico: dois pulsos partidos. O acidente deixou o cantor e multi-instrumentista fora de combate durante anos. Mas, mesmo desenganado pelos médicos, viria a recuperar, voltando ao estúdio e aos palcos.







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Sábado dia 07 de Setembro atuaram os grupos G.N.R. os Waterboys e os austríacos Opus



Na mesma altura dos Waterboys, nasciam em Portugal os GNR, que andam a celebrar precisamente 30 anos de carreira. No espetáculo "Efetivamente", pegam em temas como "Efetivamente", "Videomaria", "Dunas" ou "Asas" e dão-lhes outra roupagem. Perspetiva-se uma rara e saborosa viagem ao percurso do Grupo Novo Rock, conduzida por um Rui Reininho em excelente forma vocal e devidamente artilhado com o tom irónico, bem-humorado e algo desconcertante do seu discurso e lírica. Se os GNR cantam sobre "fugir da própria vida" (ver letra de "Sangue oculto"),


Waterboys. A banda nasceu no início dos anos 80, por iniciativa do cantor e compositor escocês Mike Scott, que assinou um dos grandes hinos do rock alternativo britânico, "The whole of the Moon". E esta canção é apenas a ponta mais visível da aclamada folk dos Waterboys, cuja discografia tem sido alvo de (re)descoberta. A recente autobiografia de Scott, “Adventures of a Waterboy” também tem ajudado.



os austríacos Opus são mais claros na sua filosofia. "Live is life" foi o single que os projetou para a fama mundial no Verão de 1985 e que continua a fazer eco ainda hoje como o grande pico da sua carreira.



ZÉ ANTUNES

2013

PROCOL HARUM

Procol Harun – uma banda cujo nome deriva de um gato - nasceu de uma ideia de Gary Brooker (pianista, vocalista e compositor) e Keith Reid (autor das letras).

Em estúdio, gravaram “A Whiter Shade of Pale”, em 1967. O êxito foi tão grande que não havia outra solução, senão criar uma banda que suportasse esse êxito.

Os
Procol Harum foram uma das bandas mais importantes do chamado rock progressivo ou rock sinfónico e, hoje em dia, pouca malta nova sabe da sua existência. Fazem mal.
Os Procol Harum souberam, como poucos, unir, harmoniosamente, a música “sinfónica” aos temas mais pop-rock, ainda por cima, com letras de qualidade.

Com meia dúzia de álbuns, a banda criou uma série de clássicos que, com diversas roupagens sinfónicas, continuam a surpreender.

Sou suspeito, porque sempre gostei dos Procol Harum. Aliás, um dos primeiros álbuns que comprei, foi dos Procol Harum, em novembro de 1972. 

Um ano antes, em 1971, os PH tinham gravado um álbum histórico – “
Procol Harum Live in Concert with the Edmont Symphony Orchestra”, em Alberta, Canadá.
Nessa altura, a banda era formada por Gary Brooker (voz e piano), Keith Reid (letras), B. J. Wilson (bateria), Alan Cartwright (baixo), Chris Copping (teclas) e Dave Ball (guitarra). 

Em 2008, os Procol Harum actuaram nos jardins do
 Palácio de Ledreborg
a oeste de Copenhaga. Tocaram com a Orquestra e Coro Nacionais da Dinamarca.

Nesta gravação, além do fundador Gary Brooker, Joseph Phillips toca órgão. Geoff Whitehorn toca guitarra, Mark Brzezicki encarrega-se da percussão e Matt Pegg com o baixo. Destaque para as versões sinfónicas de Homburg, A Whiter Shade of Pale e Grand Hotel, entre outras.

Com 63 anos, na altura,
Gary Brooker estava ainda em grande forma – e isto sugere-me uma pergunta: este tipo de música desaparecerá com a morte dos seus autores/intérpretes?

ZÉ ANTUNES
1975

02/07/2013

PINK FLOYD


Pink Floyd uma das minhas Bandas preferidas, posso dizer que é mesmo a principal, gosto dos seus Álbuns, gosto das suas músicas, desde sempre.

Em Junho de 2013 comprei a revista Blitz nº 84 e nela vem uma reportagem sobre os Pink Floyd.

Pink Floyd - Dark Side of The Moon

Foi à quarenta anos que a Banda inglesa, que antes estava associada ao psicadélico, criou uma obra prima do Rock espacial e um dos pináculos da música popular dos anos 70.

Syd Barrett deu a ideia de um nome alternativo, Pink Floyd Sound, em homenagem aos músicos de blues PINK Anderson e FLOYD Coucil 

Pink Floyd – Echoes

No inicio Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, só queriam fazer músicas novas para poderem dar mais concertos. 

No ano de 1972 nascia o espetáculo “ THE DARK SIDE OF DE MOON” que levou os Pink Floyd para o Top dos maiores da música 

Os Pink Floyd tiveram vários músicos 

David Gilmour - vocal, guitarra, baixo, teclado, efeitos especiais (1967—1996; 2005) 

Roger Waters — vocal, baixo, guitarra, percussão, programação (1965—1985; 2005) 

Richard Wright — teclado, vocal, órgão, piano, sintetizador, mellotron (1965—1979; 1987—1996; 2005) 

Nick Mason — bateria, percussão, programação (1965—1996; 2005) 

Syd Barrett — vocal, guitarra (1965—1968) 

Bob Klose — guitarra (1965)

Pink Floyd – Echoes


David Gilmour disse em várias entrevistas que os Pink Floyd estavam longe de serem ricos, Mas “ MONEY” foi o single que lhes permitiu entrar no mercado Americano, ironicamente fez-lhes culpados daquilo que eles denunciavam.




Evanescence – Fallen


A maior loucura do Roger Waters e do Nick Mason era o álcool, o David Gilmour e Richard Wright fumavam só uns charros. O LSD não estava na ementa depois da saída do Syd Barrett, mas não se livraram da fama.





Pink Floyd - The Wall


O Produtor da Banda Alan Parsons dizia que as horas de trabalho da Banda dependia do dia da semana, se houvesse futebol acabavam cedo, o Roger Waters prestava atenção aos jogos e gostava de jogar, tinham a equipa PINK FLOYD. 

A 22 e 23 de Julho de 1994, o Pink Floyd tocaram pela primeira vez em Portugal, no antigo Estádio José Alvalade, no qual estiveram presentes 120 mil espetadores (60 mil em cada um dos espetáculos, que era a lotação esgotada do estádio). Nessa digressão europeia, Portugal foi escolhido para o primeiro espetáculo. Segundo diversas opiniões o primeiro espetáculo em termos sonoros foi o melhor, outros dizem somente que estava mais alto o volume.



Linkin Park - Meteora


Alan Parsons acumulava horas de trabalho para garantir que nenhuma ideia ficava por realizar. E ao longo das nove músicas de “The Dark Side Of The Moon” não faltam sons e efeitos sonoros dignos das composições mais especiais. Frases soltas, batimentos cardíacos, aviões, caixa registadoras, portas a bater e a célebre entrada de “TIME” em que uma serie de relógios assinala a hora em sintonia.


Pink Floyd - A Momentary Lapse Of Reason


Richard Wright em 2003 desabafou numa entrevista em 2003 que tinham Guitarra, Baixo, Piano, Bateria, o sintetizador VCS3 e máquina de reverb e de eco. Foi o fato de estarmos limitados, de não termos muita tecnologia que fez a música ter um som tão bom.


Keane - Hopes and Fears

Na revista Blitz também vem os 14 factos que ainda muitos não sabem sobre “ The Dark Side Of The Moon

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pink_floyd

http://blitz.sapo.pt/40-anos-de-dark-side-of-the-moon-dos-pink-floyd-na-capa-da-blitz-de-junho-ja-nas-bancas=f87603



ZÉ ANTUNES

2013



17/02/2013

MÚSICA I


Nas últimas décadas do controle colonial, Portugal encorajou activamente a produção e gravação de música de artistas locais. São criados os Estúdios Valentim de Carvalho, em Luanda, que apenas cessam a sua actividade em 1975. O resultado foi uma mini-indústria que, combinada com a excitação da liberdade que se antevia, viu nascer excelentes músicos e diversos estilos originais entre meados dos anos 60 até à Independência.

A música de Angola foi moldada tanto por um leque abrangente de influências como pela história política do país. Durante o século XX, Angola foi dividida pela violência e instabilidade política. Os seus músicos foram oprimidos pelas forças governamentais, tanto durante o período da colonização portuguesa, como após a independência. Ao longo dos anos, a música angolana influenciou também o Brasil e Cuba.

Luanda, capital e maior cidade de Angola, é o berço de diversos estilos como o merengue angolano (baseado no Dominicano), kazukuta, kilapanda e semba. Na ilha ao largo da costa de Luanda, nasce a rebita, um estilo que tem por base o acordeão e a harmónica. Há quem defenda que o próprio fado tem origem em Angola.
O semba, que partilha raízes com o samba (de onde a palavra tem origem e significa umbigada), é também predecessor da kizomba e kuduro. É uma música de características urbanas, e surge com das cidades, em especial com o crescimento de Luanda. À volta desta capital, criam-se grandes aglomerados populacionais, os musseques.

O musseque (expressão que em língua nacional kimbundu significa onde há areia, por oposição à zona asfaltada) é o espaço de transição entre o universo rural e a cidade.

A vivência quotidiana do musseque é a temática que predomina nas canções destas décadas: o filho desaparecido no mar, a garota de mini-saia, o assédio sexual entre o patrão (branco) e a criada (negra), os conflitos conjugais, a infidelidade amorosa, a condição da lavadeira, o feitiço e o enfeitiçado, o lamento da infância e a concretização da praga anunciada.

A primeira partitura conhecida data de 1875. Chama-se Madya candimba e conta a história de um europeu de amores com a sua empregada africana.

No musseque nascem as turmas, pequenas formações de músicos que tocavam no fim das tardes, ao pôr-do-sol. Os músicos faziam também parte dos grupos de Carnaval. São estas turmas os embriões da grande maioria dos grupos musicais angolanos que passaram a dominar musicalmente as cidades. Motivados por uma paixão pelos ritmos nacionais, a sua música integrou muitas vezes influências de estilos musicais de artistas congoleses, latino-americanos, entre outros.

Em bairros como o Coqueiros, Imgombotas, Bairro Operário, Rangel, e no Marçal vivia-se um ambiente intimista de preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista presente na época. O folclore dos musseques (bairros pobres) fascinam parte de uma geração de jovens lutadores de famílias humildes e resistentes, que resolve criar o seu próprio estilo musical, afirmando a especificidade da cultura angolana, numa época muito conturbada.
O respeito e a admiração pela música, dança, provérbios e vivência tradicional das gentes, o interesse pela música tradicional e pela cultura suburbana enquanto divulgação dos usos e costumes da linguagem e cultura angolana são as linhas mestre das canções desta época. A música era para eles uma forma de lutar sem armas, era uma forma de resistência cultural.


ZÉ ANTUNES - pesquisa da net

2002

MUSICA


No turbulento ano de 1968, a música teve um de seus momentos de ouro Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos e ascensão dos tropicalistas marcaram período. Brasil tinha canções de protesto e discussões sobre política e estética.

George Harrison e John Lennon
durante um evento no ano de 1968

1968 pode não ter representado um divisor de águas na música internacional como 1967, ano da inovação trazida pelos Beatles em "Sgt. Pepper's lonely hearts club band", ou os dias de 1977 da explosão do punk. Mas trouxe artistas dentro de sua maturidade criativa e obras extraordinárias, caso dos mesmos Beatles com o "Álbum Branco" ou Jimi Hendrix e seu ambicioso "Electric ladyland". Esses dois álbuns, considerados atualmente peças fundamentais na história do pop, são apenas os primeiros de uma fila de discos que foram lançados em 1968 e permanecem relevantes até hoje.

No cenário brasileiro, a história foi um pouco diferente. 1968 foi quando o tropicalismo tomou forma definitiva e hoje consegue dividir espaço com a bossa nova como símbolo da musicalidade do Brasil para uma geração mais jovem mundo afora.

O ano de 1968, foi agitado em todo o mundo. Nos Estados Unidos havia movimentos pacifistas (contra a guerra do Vietnã) e contra o racismo. Na Europa, estudantes se rebelaram contra as autoridades. E no Brasil os universitários organizaram passeatas contra a ditadura militar.
Stones e Beatles
De uma forma geral, o período trouxe obras que têm repercussões ainda presentes. Os Rolling Stones lançaram "Beggars banquet", considerado uma volta à forma após a tentativa de embarcar na onda da psicodelia, e também trouxeram como compacto a poderosa "Jumpin' jack flash". Os Beatles também fizeram um movimento similar, com "Hey Jude" no lado A e "Revolution" no lado B, faixa em que Lennon declarava que "todos nós queremos mudar o mundo".

Foi o ano também em que Simon & Garfunkel gravaram a trilha sonora de "A primeira noite de um homem", alavancada por "Mrs. Robinson", que Elvis Presley fez em retorno triunfal em um especial de fim de ano, salvando uma carreira em declínio, e quando o Led Zeppelin se formaria para se tornar poucos anos mais tarde "a maior banda do mundo". 1968 foi o período em que os grandes nomes já haviam experimentado bastante (em vários sentidos) e agora já tinham uma noção mais bem definida de quais caminhos poderiam tomar - mesmo que isso acontecesse de forma mais instintiva ou inconsciente.

Ideologicamente, as duas principais bandas da época se encaminhavam para lados diferentes. Lennon falava em paz, depois de uma temproada na Índia, e Mick Jagger se empolgava com a rebelião nas ruas. A já citada "Revolution", dos Beatles, dizia que "quando você fala sobre destruição, você já não pode contar comigo". Jagger escreveu os versos de "Street fighting man" (algo como homem das lutas de rua) inspirado na turbulência política de 1968.

A Guerra do Vietnãm também já motivava pessoas, em pleno ápice do movimento hippie e da contracultura, o que estimulou uma série de composições de protestos.

No Brasil a maturidade não era exatamente a palavra que vinha instantaneamente cabeça quando era necessário descrever o que se passava no Brasil de então. Era época de experimentações e de controvérsia quanto a qualquer tipo de proposta. A jovem guarda entrava em decadência, mas Roberto Carlos brilhava cada vez mais como estrela - seria o vencedor do festival de San Remo, na Itália -, e logo não se vincularia a qualquer grupo específico. Dentro de pouco seria coroado como o maior cantor do país.

Os festivais, a grande efervescência estava nos festivais e na chegada do movimento tropicalista. Os fãs de música e os militantes políticos se envolviam em embates durante as eliminatórias. A ditadura militar engrossava o chumbo e havia muita agitação, divisão e patrulha ideológica.

Caetano Veloso e os Mutantes conclamavam "É proibido proibir", e dois nomes hoje institucionalizados da música brasileira, Chico Buarque e Tom Jobim, eram vaiados porque sua "Sabiá" era escolhida pelo júri do Festival de 68 em detrimento da engajada "Pra não dizer que não falei de flores", de Geraldo Vandré.

Era também a época em que a guitarra elétrica na música brasileira foi considerada uma heresia para muitos, tornando o tropicalismo, com sua união de brasilidade e não-brasilidade, motivo de discórdia. Outros viam neles falta de engajamento político.

O guitarrista Sérgio Dias em 2008

Curiosamente, os Mutantes Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Rita Lee estavam em Paris durante as manifestações de Maio de 1968. "Vi a bandeira comunista amarrada na [catedral de] Notre Dame. Nossa droga era cheirar gás lacrimogêneo", afirma o guitarrista Dias em referência à atuação dos policiais franceses.

"Ver um pedaço da 'revolução francesa' foi fantástico. As pessoas cantavam a 'Marselhesa' [o hino da França] na rua e também a gente acompanhava [o pintor Salvador] Dalí arrasando e tantas outras pessoas criativas."

"Irrotuláveis" Dias analisa o comportamento dos tropicalistas, do qual fizeram parte também Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, o arranjador Rogério Duprat e o poeta Torquato Neto, entre outros. "Nós éramos completamente irrotuláveis. A gente se considerava indestrutível, a gente detonava", afirma. "Cada integrante do tropicalismo era uma figura, um símbolo, um significado. Na capa do disco ['Tropicália ou Panis et circenses', obra fundadora do movimento] eu apareço empunhando uma guitarra", lembra Dias.

Nelson Motta, produtor musical, escritor e jornalista, tinha 24 anos em 1968 e cobriu os tumultos ocorridos durante os festivais de 1968. Quarenta anos depois ele observa os efeitos permanentes do que propôs o movimento.
"O Tropicalismo representou a liberdade criativa, o experimentalismo, a modernização da linguagem poética e musical, uma nova leitura de uma cultura brasileira marginalizada pela MPB, pela integração com os movimentos internacionais de juventude, a cultura hippie, o rock, a pop art, buscando uma nova visão crítica do Brasil e da arte brasileira."

The Doors in Copenhagen 1968
ZÉ ANTUNES

2010
   
 

13/12/2012

CESARIA ÉVORA


Ai que saudades aiué!...

Faz dia 17 de Dezembro um ano que nos deixaste

Ai Cesária, quantas lágrimas vertidas na melancolia do meu recanto, ouvindo os sons do mar azul, relembrando os corpos de mulher perfumados, das cacimbas, da moamba, da mãe preta carregando seu moleque nas costas indo na floresta carregar lenha.

Ai que saudades me trazes Cesária, quando tinha a lua por minha testemunha nos arrebates do coração por mais uns momentos sensuais naquele mar imenso de matagal.

Ai que saudades daqueles momentos estonteantes, do rodopio pela sala, dançando uma coladera ou, então, encostando o meu corpo, num gesto voluptuoso, contra o corpo quente de uma africana ao som de uma morna. Desde cedo, Cise, como era conhecida pelos amigos, começou a cantar e a fazer atuações aos domingos na praça principal da sua cidade, acompanhada pelo seu irmão Lela, no
saxofone.

Aos 16 anos, Cesária começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de alguns músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde, sendo proclamada a "Rainha da Morna" pelos seus fãs.

Encorajada por
Bana (cantor e empresário cabo-verdiano radicado em Portugal), tive o privilégio de conhecer Cesária Évora na discoteca de Bana na Rua do Sol ao Rato em Campo de Ourique em 1985 onde Cesária Évora voltou a cantar. Tempos depois em Cabo Verde um francês de descendência portuguesa chamado José da Silva persuadiu-a a ir para Paris e tornou-se no seu Empresário.

Morreu no dia 17 de Dezembro de 2011, com 70 anos, por "insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada". A morte ocorreu por volta das 11h20 no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Muito de mim Cesária parte contigo. Ficam os sons dessa Terra que tudo me deu e tudo me tirou exceto... as recordações.

Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a
morna, por isso também foi por vezes apelidada "rainha da morna". Era conhecida como «a diva dos pés descalços». foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais.

Canções

"Sodade" - "Bia" -“Cumpade Ciznone"- "Direito Di Nasce"- "Luz Dum Estrela"- "Angola"

“Miss Perfumado" - “Vida Tem Um So Vida"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ces%C3%A1ria_%C3%89vora - cite_note-3

18/06/2012

MUSICA ANGOLANA

Nos anos de 1930,1940 e 1950 destacou -se um nome Voto Neves fazendeiro e comerciante, foi tesoureiro da camara municipal de Luanda, músico e poeta, cantava músicas Africanas e portuguesas tocava acordeão, guitarra e sanfona, lia e conhecia música foi professor, estudou o folclore Angolano, e o dialecto Kimbundu, mecenas ajudou os músicos seus pares por quem tinha grande apreço partilhando também com estes os seus conhecimentos musicais.

O primeiro grupo a tornar-se popular, dentro e fora de Angola, foi a Orquestra
Os Jovens do Prenda. Chico Montenegro foi um dos fundadores, de onde se destacam também Verry Inácio (percussionista), António do Fumo (vocalista), Zé Keno (guitarrista) e Cangongo (viola-baixo). O grupo foi fundado em 1966 por jovens residentes na comuna do Prenda, tendo como base instrumentos tradicionais de percussão e um violino. Fundado nos finais dos anos 60, os África Show foram o primeiro entre os grupos angolanos a introduzir o órgão no seu aparato de instrumentos. Esta alteração foi algo de inédito na época, pois a temática dos grupos não fugia do folclore angolano. O conjunto que nasceu na Associação da D.Filó, no bairro Indígena, município do Rangel, em Luanda, teve como fundador o músicos José Massano Júnior, e integrava ainda Zeca Tirileny, Tony Galvão e Quim Amaral. Nomes como Nito Saraiva, Baião, Zé Keno e Belmiro Carlos, todos solistas, Carlos Aniceto Vieira Dias (também conhecido como Liceu Vieira Dias), Didinho, Raul Tolingas, Vininho e Tinito: Weba, Belita Palma que foi temporariamente vocalista do conjunto, e Teta Lando, fizeram também parte dos África Show.

Embora fundado no bairro Indígena, o Conjunto sempre ensaiou no Marçal, primeiro em casa de um amigo e posteriormente em casa de Massano Júnior.

O conjunto viajou três vezes para Portugal, tendo gravado todos os seus LP pela
Valentim de Carvalho, tornando-se em determinada altura em conjunto privativo da editora.

África Show acompanhou vários artistas durante a sua vigência. Gravou com artistas como
Zé Viola, Urbano de Castro, Óscar Neves, António dos Santos, Quim dos Santos, Elias Dia Kimuezo, Duo Mumulha, entre outros. A sua linha melódica estava mais virada para o lado sentimental, sem descorar o semba.

Os
N’Goma Jazz formaram-se em 1964 por Caetano de Lemos, Sebastião Matomona, Mangololo, Domingos Ferreira, Garcia Kapioto, Zé Manuel e Augusto Pedro, e foram considerados um dos melhores grupos dos anos 70. Acompanharam também, entre outros, Urbano de Castro. São também referência desta época os grupos Os Kiezos e os N’Gola Ritmos.

Alguns dos cantores destes grupos notabilizaram-se como solistas.
Carlos Lamartine iniciou sua carreira artística em 1956 como "crooner", cantando para distintas turmas da capital angolana, até 1958. Foi posteriormente percussionista no grupo liderado por Sousa Júnior. Criou a turma «Macocos do Ritmo», e foi vocalista dos «Águias Reais». Os Águias Reais introduziram os instrumentos de sopro no seu conjunto, sendo um dos primeiros grupos a fazê-lo. Com Barceló de Carvalho (Bonga), outro insigne da música angolana, fundou «Os Kissueia» nos anos 60, no bairro do Marçal. Kissueia é uma palavra kimbundo que se refere à miséria dos bairros pobres.

Os Kissueia faziam parte dos músicos nacionalistas que cantavam a mensagem sobre a necessidade do alcance da independência. Contavam com o apoio do povo e muitos sofreram perseguições e represálias do sistema vigente. Nos cantores de intervenção, merecem ainda destaque os casos de Belita Palma, Minguito, Artur Nunes, Luís Visconde, Sofia Rosa, Mestre Geraldo e Maestro
Liceu Vieira Dias (Carlos Aniceto Vieira Dias), entre outros.

O Maestro
Liceu Vieira Dias é considerado o pai da música popular angolana. Numa base de violas acústicas, introduz a dikanza (reco reco) e as ng’omas (tambores de conga) nas suas canções. O seu som torna-se popular na década de 50, nas áreas urbanas, onde a audiência é favorável à sua mensagem politizada e aos primeiros pensamentos nacionalistas.

Mário Silva, vocalista da Banda
Kissanguela foi autor de canções de referência no anos 50, 60 e 70, com dois singles editados em 1973: “Maza” e “Bossa do Violão”. Foi contemporâneo de Santos Júnior, Artur Adriano e Filipe Mukenga.

Artur Adriano teve em “Belita” a maior referência do seu repertório. “Kalumba” é também um clássico. Artur Adriano compôs músicas em que exaltou a beleza feminina, ocorrências do quotidiano do musseque, num processo de integração musical consubstanciado nos valores da cultura nacional.

Mário Rui Silva aprendeu a gostar de jazz com o pai, que foi também responsável pela influência da irmã Ana Paula. Um amigo violinista, Tomás, leva-lhe uma banda magnética com a célebre música “Luanda”, de Eleutério Sanches, e aguça-lhe o gosto pela música angolana. Os dois irmãos, com o amigo Totota, formam os “Twists” e mais tarde os “Jovens”. Por volta de 1968, trava conhecimento com Fausto e com os poemas musicados de autores angolanos, que lhe servem de inspiração. Adere a tudo o que diga respeito à luta pela independência. Óscar Ribas, seu vizinho, oferece-lhe o livro de sua autoria – “Izomba” – que se torna uma biblía para Mário Rui Silva. Conhece
Liceu Vieira Dias, com quem trava grande amizade, e tocam juntos com frequência, em casa do Mestre, trocando ideias sobre os acordes dissonantes de que Mário fazia uso. É Liceu Vieira Dias que motiva Mário Rui Silva a estudar o violão comum, as músicas populares do seu tempo e as suas origens.

Sofia Rosa nasceu no
Ambriz, província do Bengo e viveu no bairro da Samba, em Luanda.

Em 1963 integra como cantor o agrupamento Teatral Ngongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão. O seu primeiro "single" foi gravado em 1970, seguindo-se depois sete, todos pela
Valentim de Carvalho. Sofia Rosa foi um dos melhores criadores e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre. No tema "kalumba" louva a beleza da mulher.

O dia a dia, as lamúrias proferidas pelas gentes das sanzalas, bairros e musseques, o sentimento do amor e perseverança estão contidos nos seus trechos que transportam o público para o mundo da saudade nas aguarelas angolanas, dia do trabalhador, kutonocas, farras onde Sofia Rosa arrastava multidões. Sofia Rosa esteve também vinculado aos Corvos, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou "Kalumba" e "Ngue Xile Ku Tunda Bu Sambila". O artista morreu em 1975.
Elias diá Kimuezo é o Rei da Música Angolana. Nasceu no Bairro Marçal, com o nome de Elias José Francisco, no dia 2 de Janeiro de 1936. Aos 7 anos de idade, torna-se órfão, facto que o obriga mais tarde, aos 12 anos a ir viver em casa da avó, no Bairro Sambizanga, onde aprende a comunicar-se de forma fluente, na sua língua materna o kimbundo.

A sua constante frequência no Samba Kimúngua, na zona do Bungo em Luanda, onde residiam vários operários do Porto e dos
Caminhos de Ferro que tocavam e dançavam o Kinganje, fez com que descobrisse, aos 15 anos de idade, a sua vocação artística, que o leva a integrar-se na Turma do Margoso, como vocalista principal e tocador de bate-bate. Dois anos mais tarde, muda-se para o agrupamento Os Kizombas, que naquela altura, tocava nas farras do Salão Malanjinho no Bairro do Sambizanga. Com o tempo foi-se aprimorando na arte de cantar, e tornando-se cada vez mais conhecido.

Em 1969 surge o Festival Folclórico das províncias Portuguesas, a ter lugar em Portugal, e o mesmo é convidado, para, com o Grupo de Rebita do Mestre Geraldo e Os Marimbeiros de Duque de Bragança, oriundos de
Malanje, representar a Província de Angola. O seu desempenho artístico, como o dos restantes artistas, mereceram elevados elogios da crítica e dos analistas culturais locais, pelo que lhe foi colocada a proposta, prontamente aceite, de gravar 2 “singles” para a editora Valentim de Carvalho. Foram então feitas as respectivas gravações, “Mualunga”, “Ressurreição”, “Muenhu Ua Muto” e “Zum-Zum”, que tiveram as participações de Barceló de Carvalho (Bonga), Rui Mingas, Teta Lando e dos Marimbeiros de Duque de Bragança. O lançamento das obras, com muita pompa e circunstância, teve lugar no Cine-Restauração, um dos cinemas mais chiques de Luanda. O sucesso crescia dia após dia, e em face disso, Elias diá Kimuezu, é galardoado com o título de “Melhor Intérprete da Canção Angolana”. Este prémio era atribuido anualmente, aos artístas que se destacavam na Província de Angola, pelo CITA-Centro de Informação e Turismo de Angola.

Em 1972, em compensação, pelo seu abnegado trabalho em prol da música, recebe uma estatueta referente aos “11 mais da cidade de Luanda”, que premiava as 11 figuras mais destacadas nas diversas áreas profissionais e sociais na cidade de Luanda. No ano de 1974, fruto do intenso trabalho de mobilização, é novamente preso com seu irmão mais novo “Chico Suiça” e remetidos de imediato para “São Nicolau” – Campo I das Salinas, caserna III, donde saíram após clarificação do processo de descolonização e o Sistema ser obrigado a tratar da libertação de todos os presos, principalmente os do foro político.

Aquando da criação do Agrupamento “Kissanguela”, por Mário Silva foi Elias diá Kimuezo, quem sugeriu o nome do mesmo, tendo em conta o momento que se vivia e o trabalho que se pretendia que o Agrupamento produzisse. Desde os meados da década de 60 que Elias diá Kimuezo, pela qualidade do seu trabalho e a constância do seu desempenho, foi considerado como “O Rei da Música Angolana”.


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