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18/10/2013

MISCELÂNIA POLÍTICA


Dizia Miguel Torga: “Oiço e leio esta inflação de discursos, entrevistas e comunicações que toldam a atmosfera política do país, e fico agoniado. Somos na verdade uma “cambada” de primários, de temperamento e paixões à medida da nossa testa. Só nesta “santa terra”, é possível encontrar gente com mentalidade para acreditar que uma ideologia é uma opção mimética capaz de anular a realidade e negar a própria biologia”.
É este o país que temos. Um país “inflamado” de técnicos Economistas e comentadores políticos, que além de subjugar, explorar nos actuais governantes, pelas actuações que todos sabemos e…dolorosamente sentimos na pele e nos bolsos, reaparecem armados em “salvadores da Pátria”, com argumentos de peso, moralistas, prometendo acção ou efeito de inovar nos costumes, na educação, na ciência, com maior aperfeiçoamento e novidade…enquanto a austeridade soma e segue, com a aplicação de novos cortes na despesa social e nas pensões de miséria. No fundo, a lógica é a mesma. O país é pobre! Será? Ou há pobreza a mais para tanta riqueza, e essa é que é a “pobreza”? A pobreza mediática absoluta em que vivemos - sinal máximo da corrupção ética de uma certa elite que despreza estrategicamente a imaginação - conduz à pobreza de espírito profunda, representada…serão após serão, porta atrás porta, café após café, numa omnipresente televisão. Uma televisão patética e boçal na ficção e no entretenimento, e néscia na forma como usa a informação para dar crédito às demais javardices.
A nossa geração qualificada está arredada do mercado de trabalho porque a economia é pré-histórica e os direitos adquiridos criaram a casta dos que têm emprego para a vida e os que não têm nada. O sistema tratou de expulsar os mais novos. O sol e o bom tempo não enchem a barriga a ninguém...”Estratégia” é uma palavra desconhecida no país. Os portugueses têm a porcaria de líderes que querem. Estamos perante um povo que elege e apoia criminosos condenados. Isto não tem grande volta a dar...Já lá dizia António Aleixo: “Tu que vives na grandeza, / Se calçasses e vestisses / Daquilo que produzisses, / Andavas nu, com certeza”.

Cruz dos Santos 
 
2013


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