Um certo dia de Setembro de 1984, tem o Bruno Miguel 4 anos feitos em Abril, frequenta os tempos livres na “ Associação Pró-Infância Santo António”, ali na Almirante Reis, nos Anjos, costuma ser a mãe, o pai ou alguém delegada por nós a ir buscá-lo à escola, nessa vez foi a mãe, que o foi buscar à tardinha, encaminhando-se para o Metropolitano de Lisboa como era rotina, sem antes de ir dar um alô à loja do chinês já dentro da estação do Intendente, quando olha para o lado, pois tinha deixado a mão do Bruno livre, já não o vê. Aflita começa a chamar por ele e à procura por tudo que era canto, chama a Policia e faz a ocorrência do acontecido.
Enquanto a mãe, mais alguns populares e a Policia procuram o Bruno, este com as rotinas diárias, enquanto a mãe falava com a chinesa dona do Quiosque das flores, ele continuou o seu percurso e meteu-se dentro do comboio do metro , saindo na estação da Avenida onde morava-mos na altura.
Eu a essa hora trabalhava como part-time no Restaurante Bar o “ Galo “ no Parque Mayer, fiquei um pouco surpreendido de ver chegar o Bruno muito caladinho e sozinho e perguntei:
E a mãe onde está?
Não me respondeu, estava com ar comprometido e continuava mudo, e sentou-se dentro do balcão nos barris da cerveja e ali ficou.
Perguntei se queria comer uma sandes e beber um sumo?
Novamente não respondeu e continuou quietinho.
Não liguei, pensei a mãe deve estar ai fora a conversar com alguém.
Nesse espaço de tempo, a mãe os populares e a Policia, continuavam no Intendente à procura do Bruno, foi quando um Policia se lembrou e disse:
Não terá entrado no comboio do metro e ter ido para casa? Os miúdos agora são bastante inteligentes. Queira deus que sim disse logo a mãe e acompanhada de um Policia vieram a casa e nada, não viram o Bruno, foram ter comigo ao Bar e à entrada a mãe olha para mim a chorar e diz toda triste e desesperada:
Zé, o Bruno desapareceu!!!
Aí percebi porque é que o Bruno estava tão calado.
Olhei para a mãe e para o Policia e disse:
O Bruno está aqui. Apareceu-me aqui à meia- hora atrás e tento falar com ele e ele não diz nada, está mudo.
A mãe sorriu e o choro já foi de felicidade por estar a ver o filho
À meu malandro que deste um grande susto à mãe, e andam todas as pessoas amigas à tua procura, não voltes a fazer o que fizeste, sempre ao pé de mim ou do pai, a mãe ficou bastante preocupada.
O Policial disse que tinha que se retirar, e que dentro da situação correu tudo bem. Agradecemos pois o policia era da Esquadra dos Anjos , e lá foi ele para a sua área de serviço.
Claro que tive uma conversa com o Bruno sobre a situação, dizendo-lhe, que nunca mais se perdesse das pessoas que o iriam buscar à Escola.
Lá sorriu aliviado mas com vergonha pelo que tinha feito, nunca mais a mãe ou eu tivemos preocupações, como a que aqui narrei,
ZÉ ANTUNES
1984
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