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02/04/2013

TANTA CHUVA…VOLTA SOL! VOLTA!


Óh meu Portugal de sol. Que é feito do teu calor e da tua luz? Andas todo atolado de água, de tanto chover. É demais! Estão a ser longos esses dias de chuva e temporal. Não ouvimos os cânticos dos teus pássaros, nem sentimos a fragrância da tua Primavera. Só meses de aguaceiros e inundações. De nevoeiro e superfícies frontais. São dias e dias, à espreita de um sinal de acalmia…O país, vive acabrunhado, melancólico, de ombros caídos, encolhidos. Está “agasalhado” de dívidas e blusões, casacos e gabardinas encharcadas, com chapéus-de-chuva em riste e…Amedrontado, recua de calças arregaçadas, salta de poça em buraco, a fugir à lama, a mudar móveis, a esvaziar baldes, a calafetar janelas e a tapar buracos!


Ó meu pobre país de sol, que passas o dia amordaçado. O que é feito do teu calor fraterno e amoroso? Não digas, que tens o sol hipotecado? É possível que tenhas um povo forte, que tudo aguenta (ai aguenta, aguenta!), como os pobres e os animais. Mas és frágil! As tuas terras desprendem-se, as tuas montanhas deslizam, as tuas cidades compostas de casas decrépitas e sem ninguém, desmoronam; os teus vales inundam-se e a tua planície empapada fica estéril. Tanta chuva! Tanta água…tanta miséria! Andas encharcado de injustiças e de desigualdades. Deve ser da humidade. Os dias tornam-se monótonos, porque estão frios e vazios de ternura. Toda a vida pensei, que a pobreza era o frio. Não a doença, a fome, nem sequer a sede. Mas…o frio molhado. A chuva sem teto. O temporal sem paredes quentes. A casa com corrente de ar, a porta que não fecha, a janela com vidros quebrados e as telhas partidas. Não é que o Sol esconda a pobreza, mas a chuva mostra-a. E Portugal sem sol, é um país de mais pobres!

As nossas tempestades, não são equivalentes aos temporais americanos, alemães ou franceses, que são muito mais violentos. Nem aos da Europa do Norte, com nevões de gelo (20 e 30 graus negativos) e rajadas de vento a duzentos quilómetros à hora. As nossas tempestades, são mais brandas e irrequietas, mas chegam para estragar o país frágil e desorganizar a Sociedade. Este pobre país chuvoso, tem auto estradas, “scouts” e aderiu ao Euro; organiza o campeonato de futebol e tem Via Verde; mas…não teve tempo de se ocupar do essencial: a drenagem, o saneamento, as sarjetas, os esgotos, o regadio, os muros de proteção, os telhados, as paredes...Desabam as casas velhas, desabitadas e cedem as modernas, construídas à pressa. Os bairros antigos estão podres. Os modernos, rodeados de lamaçal e ervas daninhas. Melhor do que no passado, o serviço de proteção acorre, desesperado, porque os meios são parcos. Não há muitos mortos porque os bombeiros cumprem mais do que os seu dever. Mas também porque os temporais não são exagerados.

O pior é pobreza, não o tempo. Mais do que chuva ou o sol, é o nosso pobre país que está desajustado. Toda a gente pergunta: de quem é a culpa? Dos gases tóxicos, do défice, do buraco do ozono, do efeito de estufa, da Merkel, das construções e barragens, do Sócrates, dos automóveis híbridos, da urbanização selvagem, da agricultura intensiva, dos planos autárquicos ou da Troika? Quem sou eu para responder? Só sei uma coisa: não é sobretudo do clima!

Cruz dos Santos


2013


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